Reforços: Talisca à lei da “bomba”

O jovem que o Benfica contratou ao Bahia é um médio que começa a afirmar-se pelos remates de longa distância, mas que tem ainda vários aspectos a melhorar.

Talisca apresenta-se na Luz com fama de rematador ((Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia Infografia: GoalPoint)
Talisca apresenta-se na Luz com fama de rematador ((Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia Infografia: GoalPoint)

Anderson Talisca tem apenas 20 anos e é uma aposta de futuro do Benfica. Esta é a ideia que fica por detrás da contratação do médio ao Bahia, por quatro milhões de euros. De elevada estatura e corpo franzino, tem mais aspecto de ponta-de-lança ou defesa-central, mas é no meio-campo que tem dado cartas.

Vencedor do prestigiado Torneio de Toulon ao serviço da selecção do Brasil de Sub-21, em 2013, Talisca foi eleito melhor jogador do Campeonato Baiano em 2014, que o seu Bahia conquistou. Já na Serie A do Brasileirão de 2014 somou nove jogos e dois golos, estando presente em todas as partidas da prova até à paragem devido ao Mundial 2014. E é nesta competição que o jogador tem dado mostras das suas reais características.

Em 2013 foi utilizado um pouco por todo o meio-campo, mas em zonas mais recuadas, limitando um dos seus fortes, o remate de longe. A apetência menor por tarefas defensivas (patente em Toulon e que, a não ser corrigido, poderá trazer problemas ao atleta, conhecendo-se as exigências de Jorge Jesus nesse sentido) obrigou o Bahia a utilizá-lo mais à frente.

Clique na imagem para ler em detalhe (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia Infografia: GoalPoint)

Médio-ofensivo

Nestes últimos nove jogos Talisca actuou como médio-ofensivo, caindo por diversas ocasiões nas faixas laterais, e até foi usado no eixo do ataque. Marcou dois golos, um de livre directo, uma das suas especialidades, e outro de grande penalidade. Importa olhar para os números do agora benfiquista para perceber as suas características, comparando-o com aquele que foi considerado o melhor jogador do Brasileirão de 2013, o médio “armador” do Cruzeiro, Éverton Ribeiro – de 25 anos que despertou o interesse do Manchester United.

Talisca destaca-se, em primeiro lugar, pelos muitos remates à baliza. Na paragem do campeonato era o jogador, de todos em prova, o que mais rematou, 39 vezes (4,3 por jogo), contra sete de Éverton (que soma menos três jogos), 11 deles enquadrados com a baliza, contra três do jogador do Cruzeiro. Uma diferença grande, mas que perde peso quando olhamos para as percentagens. Talisca perde em qualidade para Éverton, cujos disparos certeiros chegam aos 42,9%, contra 28,2%, já para não falar na conversão em golo (5,1% de Talisca contra 14,3%). O novo jogador do Benfica remata muito, é certo, mas precisa de afinar a pontaria, mas há um dado a seu favor: o reforço “encarnado” faz 71,8% dos seus remates de fora da área, enquanto Éverton remata 57,1% das vezes já dentro da área, beneficiando-lhe a estatística.

Apesar de poucas vezes desarmado por jogo, Talisca soma, contudo, inúmeras perdas de bola por mau domínio e controlo, 19 no total (2,1 por jogo), sendo que a nível defensivo, dos 25 desarmes apenas oito (32%, ou 0,9 por partida) têm sucesso. Pelo ar, e dada a sua estatura, os 23 duelos aéreos (2,6 por jogo) atestam a sua capacidade neste capítulo, embora apenas tenha ganho 30,4% deles.

Em suma, e tendo em conta estes dados, Talisca apresenta já um desenvolvimento claro em algumas vertentes do seu futebol – o remate, bolas paradas, capacidade aérea -, mas possui lacunas importantes que terá de ultrapassar – capacidade defensiva, de distribuição de jogo e eficácia -, sob pena de poder ter uma passagem rápida pelas bandas da Luz.

Que opinião tem acerca da estratégia de contratações do SL Benfica até este momento? Deixe-nos a sua opinião, obrigado.