C ontra o Benfica foram sete, a “dose” repetiu-se contra o FC Porto, e o Sporting somou mais cinco. Não é normal ver as equipas grandes subjugadas a uma “armadilha” tão conhecida como é a de subir a linha defensiva em organização, de maneira a provocar um fora-de-jogo, mas o que é certo é que todas já visitaram os Arcos esta época e todas caíram na “teia” de Miguel Cardoso.

O sexto lugar do Rio Ave é uma das grandes sensações do campeonato, tendo em conta este calendário complicado, e tudo assenta numa organização táctica pouco vista nos últimos anos em Portugal. A vontade de ter a bola (62% de posse média, melhor registo a par do Benfica) e a saída com segurança desde trás (Cássio faz mais dez passes por jogo do que qualquer outro guarda-redes) já foram muito elogiadas, mas é nessa capacidade de manietar os adversários através da subida sincronizada da linha de quatro defesas que o Rio Ave se destaca a nível Europeu.

O melhor registo nem foi conseguido contra os “grandes”. Na visita ao Funchal para jogar com o Marítimo, o Rio Ave provocou nada menos que nove foras-de-jogo ao ataque da equipa de Daniel Ramos, e o pior registo (três foras-de-jogo provocados) é igual aos melhores registos de FC Porto e Sporting!

Assim está ordenada a tabela da média de foras-de-jogo provocados por jogo, incluindo as 18 equipas da Liga NOS e as restantes 98 dos cinco principais campeonatos da Europa.

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Os de Vila do Conde conseguem provocar uma média de 5,6 foras-de-jogo a cada 90 minutos, melhor registo a nível Europeu, e em Portugal só o Portimonense (3,6) chega perto, mas ainda assim bem longe.

É certo que as equipas que concedem mais ataques terão, à partida, maior tendência a gerar também este tipo de situações, por isso fomos mais longe. Para cada uma delas, verificámos qual a percentagem de ataques do adversário que terminava em fora-de-jogo, contra aqueles que terminam num remate. Aí, o Rio Ave está ainda em melhor companhia, mas ainda em primeiro lugar.

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É portanto factual. O conjunto de Miguel Cardoso é o melhor da Europa a usar esta inteligente arma. Marcão (2,3 / 90m) e Marcelo (1,3 / 90m) são aqueles, entre os habituais titulares, que mais vezes fazem o papel do último defesa.

Curioso, ainda, é verificar que Portugal tem apenas uma equipa entre aquelas que mais vezes se deixam cair na armadilha do fora-de-jogo. Os jogadores do Braga são apanhados em offside 3,1 vezes a cada partida mas… ainda não jogaram com o Rio Ave! Esse encontro vai-se dar no próximo sábado em Vila do Conde, para a Taça de Portugal, e espera-se muito trabalho para os árbitros auxiliares.