O Sporting caiu com estrondo na visita ao Rio Ave. Uma derrota por 3-1 não estava nos planos de Jorge Jesus para o jogo a seguir ao brilharete leonino em Madrid, a meio da semana, mas a verdade é que a formação de Alvalade esteve apática e sem reacção, como que de “ressaca” após o excelente jogo realizado no Bernabéu. E assim o Sporting perdeu pela primeira vez desde que caiu aos pés do Benfica, em casa, a 5 de Março de 2016. No extremo posto, o Rio Ave soma a terceira vitória consecutiva.

André estreia-se, Gil Dias brilha

Ninguém estava à espera de tamanho descalabro do Sporting na primeira parte. Ao bom arranque dos vilacondenses (aos 20 minutos as duas equipas tinham dois remates e um enquadrado cada), os “leões” reagiram e, aos 25 minutos, já somavam quatro disparos, três enquadrados e cerca de 60% de posse de bola. André estreava-se a titular na frente, com Alan Ruiz ao lado, mas a dupla não funcionou e tudo começou a desmoronar-se aos 29 minutos.

O bom posicionamento dos da casa, a cortarem linhas de passe e a interceptarem as combinações leoninas (nove, contra cinco dos visitantes), deu frutos quando Roderick Miranda recolheu a bola, passou vários adversários na esquerda perante a passividade adversária (qual extremo) e assistiu Tarantini para o 1-0.

Aos 36 minutos, Guedes ampliou a vantagem, na cara de Rui Patrício, após assistência do extraordinário Gil Dias, que ao intervalo era o melhor em campo no GoalPoint Ratings, com 7.1. Aos 43, Gil Dias, de 19 anos (emprestado pelo Mónaco), fez o 3-0, de primeira, a centro de Guedes da direita.

O lado esquerdo do Sporting era como que uma “autoestrada” para os jogadores do Rio Ave, apesar de Bruno César, a lateral, ter ganho quatro de seis desarmes tentados e seis de oito duelos. Mas deficiências no seu posicionamento permitiram que Gil Dias ou mesmo Guedes surgissem pelo seu lado como queriam.

No final, essas facilidades e espaços deram azo a que os da casa marcassem três golos em apenas seis remates, cinco deles enquadrados. Ao descanso, Guedes era o segundo melhor, com 6.8 no GoalPoint Ratings, Tarantini a seguir com 6.3 e o melhor sportinguista, Coates, com 5.6, surgia em sétimo.

Controlo vilacondense

O segundo tempo foi de maior pressão do Sporting, mas claramente sem intensidade e clarividência, mesmo após as entrada de Bas Dost e Bryan Ruiz. O Rio Ave limitou-se a controlar os acontecimentos, sempre à espreita de mais espaços nas costas da defesa leonina, mas nesta fase já os comandados de Jorge Jesus haviam corrigido processos.

Quando o Sporting reduziu, aos 82 minutos, por Bas Dost, os “leões” somavam seis remates na segunda parte, dois enquadrados, enquanto os vilacondenses apenas um. O Sporting registava 67% de posse de bola nesta etapa complementar e assinaláveis 88% de passes certos, com destaque para os 92% de William Carvalho, em 61 entregas.

Os números finais do segundo tempo reflectem as prioridades e necessidades das duas equipas. Um Sporting à procura de chegar pelo menos ao empate (Bas Dost entrou na segunda parte mas acabou como o mais rematador dos “leões”), um Rio Ave ao qual apenas se exigia que defendesse bem o resultado alcançado com extrema eficácia no primeiro tempo. E foi isso que aconteceu.

Gil Dias, o “puto maravilha”

Apenas 19 anos no bilhete de identidade. Gil Dias é um jovem emprestado ao Rio Ave pelo Mónaco, de Leonardo Jardim, e frente ao Sporting deu um recital de futebol. Começou por fazer a cabeça em água a Bruno César, assistiu Guedes para o 2-0 e fez ele próprio o terceiro da sua equipa. Foi o melhor em campo, com 7.3 no GoalPoint Ratings, em 78 minutos de grande brilho, nos quais fez ainda três passes para ocasião, acertou apenas três dos oito dribles tentados, mas ajudou também a defender, com duas intercepções e três desarmes.

A seguir surge Cássio, com 6.7, graças a três intervenções importantes, centésimas acima de Guedes 6.7, autor de um golo e de uma assistência e um problema para a defesa leonina graças à sua movimentação. O melhor do Sporting 6.4 foi Sebastián Coates, com dois passes para ocasião, nove de 12 duelos ganhos, cinco desarmes e três alívios. Foi dos poucos jogadores do Sporting a sobreviver ao naufrágio do primeiro tempo.

Outros números:

  • Marcelo 6.5 – Coleccionou 14 acções defensivas e ganhou todos os sete duelos que disputou. Um dos melhores centrais da Liga NOS
  • Roderick 5.9 – Menos activo defensivamente que Marcelo, mas foi surpreendentemente o homem com mais dribles eficazes em campo (4)
  • Bruno César 5.1 – Apareceu a lateral-esquerdo e levou com Gil Dias pela frente. Ninguém completou mais desarmes que ele (6), mas também foi ultrapassado quatro vezes
  • André 3.9 – Péssima estreia a titular do brasileiro, com uma ocasião flagrante desperdiçada e apenas dois duelos ganhos em sete
GoalPoint | Rio Ave vs Sporting | Liga NOS 2016/17 | Ratings
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GoalPoint | Rio Ave vs Sporting | Liga NOS 2016/17 | MVP
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GoalPoint | Rio Ave vs Sporting | Liga NOS 2016/17 | 45m
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GoalPoint | Rio Ave vs Sporting | Liga NOS 2016/17 | 90m
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