O FC Porto cumpriu os intentos de afinar a “máquina” para a final da Taça de Portugal, ao vencer por 3-1 na visita ao Rio Ave FC. Mas precisou de mudar o cariz do seu próprio jogo, para um menos autoritário e mais pragmático, para se superiorizar efectivamente no segundo tempo. Na etapa inicial, os “dragões” tiveram muita bola, atacaram muito, mas esse facto fechou-lhes os caminhos para a baliza e deixou exposta uma realidade que nem sempre o Porto soube aproveitar esta época: a equipa funciona melhor e com mais eficácia em acções de transição e quando encontra mais espaços nas defesas contrárias. Em puro ataque continuado falta-lhe poder de fogo para resolver os jogos. O intervalo fez bem aos comandados de José Peseiro.

Rio Ave vs Porto - Liga NOS 2015/16
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No primeiro tempo o Porto teve 70,5% de posse de bola. Fê-la circular, de um lado para o outro, à procura de uma nesga de terreno para atacar, fez 271 passes (contra 180 na segunda parte), 85,6% deles certos, mas só fez seis remates, mais dois que o seu adversário, e apenas um de dentro da grande área vila-condense. O Porto percebeu, ao intervalo, que era chegada a altura de deixar os floreados para outra altura e apostar no pragmatismo. Assim, no segundo tempo, os “dragões” tiveram apenas 49,4% de posse, fizeram menos passes, mas aproveitaram o maior balanceamento do Rio Ave para realizar dez remates, três deles bem direccionados. E para marcar dois golos, por Sérgio Oliveira (57′) e Silvestre varela (87′) – no primeiro tempo Hélder Postiga marcou um golo fantástico aos cinco minutos, de fora da área, Miguel Layún empatou de penalty aos 20.

De notar que na etapa inicial os portistas apenas por uma vez visaram a baliza contrária de dentro da área, e no segundo tempo fizeram-no por quatro vezes, demonstrativo dos espaços conseguidos nesta fase. Ainda assim, em 16 disparos os portistas tiveram de recorrer por 11 vezes a tiros de fora da área (Rio Ave cinco em sete, em todo o jogo).

Sérgio Oliveira a dar cartas

Desde que começou a ser opção regular no meio-campo do FC Porto, Sérgio Oliveira já foi distinguido como jogador mais valioso, já garantiu triunfos para a sua equipa e chegou, inclusive, a ser eleito jogador do mês de Março Goalpoint. E mais uma vez este produto das escolas do FC Porto foi preponderante. Não esteve brilhante no passe (78,3% de 60 passes certos), mas no ataque deu cartas. Marcou um golo com um belo remate de fora da área, realizou sete disparos, três deles enquadrados, e recuperou quatro vezes a bola. Mas também houve Silvestre Varela em destaque, com três disparos, um enquadrado que deu golo, e oito recuperações.

Hélder Postiga foi a figura do Rio Ave. O antigo atleta de FC Porto e Sporting CP marcou um golo fantástico do “meio da rua”, em três remates, um único enquadrado. Caiu três vezes em fora-de-jogo – uma das tendências que sempre evidenciou ao longo da carreira – e disputou 21 duelos individuais, um número elevado e que lhe terá penalizado a eficácia (38,1%).

Nota: Os GoalPoint Ratings resultam de um algoritmo proprietário desenvolvido pela GoalPoint que pondera exclusivamente o desempenho estatístico dos jogadores ao longo da partida, sem intervenção humana. Clique para saber mais.

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