Rojo e Garay: “Camaleões” no Brasil

Grande parte da solidez da Argentina deve-se à dupla que brilhou em Portugal. Vale a pena olhar para o desempenho de ambos no Mundial do Brasil.

Marcos Rojo é jogador do Sporting desde o Verão de 2012, enquanto Ezequiel Garay chegou ao Benfica um ano antes, mas já acertou a transferência para o Zenit. Os dois estiveram em grande plano em Portugal na época que agora findou, com Garay a evidenciar-se também pelos golos e Rojo na solidez defensiva leonina. Mas no Mundial do Brasil os papéis como que se inverteram.

Visto como reforço para o lado esquerdo do Benfica, Rojo acabou em Alvalade e cimentou, na última temporada, o estatuto de pilar no eixo da defensiva leonina. Na selecção da Argentina, fixou-se na lateral-esquerda, e tem dado boa conta de si. Comparando o desempenho de Rojo com Garay, nota-se claramente a boa adaptação do “leão” ao lado canhoto, como comprovam os números de um e de outro.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Shutterstock/Celso Pupo / Infografia: GoalPoint)
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Rojo ao ataque

O primeiro dado a reter é o golo apontado por Rojo que deu o triunfo por 3-2 sobre a Nigéria, o primeiro que apontou pela selecção. O corolário natural do seu pendor mais ofensivo. Fez já seis remates neste Mundial contra quatro de Garay, embora só um enquadrado com a baliza. Tem usado uma velocidade apreciável para um habitual defesa-central, para subir pelo seu flanco, com um pico de 31,8 klm/h (29,1 do central ex-Benfica), e percorreu uma distância maior – 10,8 klm. Teve menos passes (118 contra 129) que Garay e menor aproveitamento (84,7% contra 96,1%), algo natural para quem se aventura mais no ataque, mas somou 1,3 passes para golo por jogo. Cruzou 12 vezes (apenas um com aproveitamento) contra zero, mas no capítulo defensivo esteve uns furos abaixo do seu colega na defesa.

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Garay fez oito golos esta temporada na Luz – contra quatro de Rojo em Alvalade -, mas na Argentina destaca-se mais a defender, onde a sua eficácia sobressai. Ganhou já nove duelos aéreos contra seis de Rojo, cometeu menos faltas (duas contra três) e não foi nunca driblado por um adversário, ao contrário do jogador do Sporting, que o foi em três situações. Rojo ganhou claramente nas entradas com sucesso (oito contra três), mas também falhou sete, enquanto Garay foi “rei” dos alívios, com 21 contra 11.