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A recente substituição de Cristiano Ronaldo no arranque da segunda parte da vitória da Juventus por 1-0 sobre o Milan continua a dar que falar. Desde críticas ao português por se ter dirigido de imediato para os balneários com suposto ar de poucos amigos, a elogios do seu treinador, Maurizio Sarri pelo sacrifício do jogador português – alegadamente a contas com um problema num joelho -, tudo vale para falar do mediático jogador.

O prestigiado treinador italiano Fabio Capello não foi excepção. Durante o jogo, Capello foi comentador para uma televisão e, no meio de críticas e também muitos elogios ao português, o italiano atirou a seguinte frase:

“Em Espanha, ele [Cristiano] acelerava e deixava os adversários pelo caminho. Agora quem o faz é Dybala e Douglas Costa. Ronaldo não dribla um adversário há três anos”

Será mesmo assim – mesmo dando desconto ao exagero das palavras?

Em Outubro de 2016, há já três anos, abordámos esse tema aqui. Na altura, detectámos que Ronaldo estava diferente e os dados estatísticos comprovavam isso mesmo. O CR7 de outrora, que driblava tudo e todos com lances estonteantes já não era o mesmo, registando uma quebra assinalável nos dribles tentados e conseguidos, ao mesmo tempo que se tornara um jogador cada vez mais letal na finalização e decisivo nos grandes palcos. E mostrámos esses números de forma inequívoca (link).

Mas se é facto que sempre que vaticinam o fim de Cristiano, quase sempre os defensores do “está acabado” são obrigados a mudar de discurso passado poucas semanas, a verdade é que Ronaldo está, de novo diferente, ao ponto de desmentir Fabio Capello.

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Acima estão os números de Ronaldo esta temporada na Serie A italiana. Dez jogos, cinco golos, uma assistência podem não ser estatísticas ao nível do que nos habituou, mas a ideia de que “não finta ninguém” cai por terra. Em 2019/20, CR7 tentou o drible 3,1 vezes a cada 90 minutos no campeonato transalpino, e com sucesso em metade desses lances. Pode não ser um número astronómico, tendo em conta outros exemplos, mas olhando para os números de outras épocas, é fácil desmontar a ideia de Capello.

Seja pelas características dos novos adversários de Ronaldo, seja pela posição recuperada de extremo na Juventus – sendo menos homem de área -, a verdade é que Cristiano aumentou a frequência com que tenta o drible. Na última época no Real Madrid fê-lo 2,3 vezes a cada 90 minutos, aumentando para 3,1 em 2018/19, na primeira temporada na “vecchia signora”, número que manteve esta época. E com eficácia semelhante nestas três épocas em análise.

Compreendendo o alcance das palavras de Capello, estas não deixam de estar feridas no seu rigor.