O Wolves, de Nuno Espírito Santo, está a ser uma das grandes sensações da Premier League. Os “lobos” ocupam neste momento o sétimo lugar da tabela e têm no meio-campo uma dupla portuguesa que está a dar cartas.

João Moutinho e Rúben Neves, dois ex-FC Porto, ocupam o centro do terreno no habitual 3-4-3 de NES e, com mais de 50 passes cada um por jogo, são os “donos da bola” da equipa. Moutinho aposta mais no passe curto e seguro, com apenas 5,6 passes longos a cada jogo, enquanto Rúben Neves usa a boa visão e capacidade de passe para executar 11,2, mais de metade dos mesmos em direcção ao último terço.

Mas nem só ao nível do passe se diferenciam os dois jogadores chamados por Fernando Santos à Selecção, aos quais se juntam Rui Patrício e Diogo Jota, como a “armada” oriunda de Wolverhampton. João Moutinho marcou apenas um golo esta época, enquanto Rúben Neves já soma três, dois de grande penalidade e um de livre directo.

Pela escassa amostra de golos, teríamos tendência a afirmar que Rúben Neves arrisca pouco o remate, excluindo as tais situações de bola parada… mas não. O jovem português já acumula 60 remates na Premier League 18/19, 49 deles em lances de bola corrida.

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O caso do português é absolutamente único a nível europeu esta época, porque dos 60 remates que fez, apenas dois foram dentro da área, precisamente as duas grandes penalidades que transformou em golo.

Nenhum jogador com mais de 1215 minutos de utilização esta época em Ligas domésticas tem média superior a um remate de bola corrida por jogo, sem ter feito qualquer um deles dentro da área. É preciso procurar na Liga NOS para encontrar um jogador que tenha feito todos os seus remates de fora da área, mas com uma grande diferença: Kalindi Souza, lateral-direito do Nacional, fez apenas 18 disparos, contra os 58 de Rúben Neves.

Tendo em conta que ainda não teve sucesso em nenhum dos 49 remates fora da área (de bola corrida) que tentou esta época, talvez seja altura de Rúben Neves adaptar o seu jogo, visto que 42 deles nem à baliza foram. A outra hipótese é afinar um pouco a pontaria, pois todos nós gostamos de ver golos bonitos.

Fica o desafio, para pôr em prática já nos próximos jogos da Selecção!