Se há coisa que sempre admirei em Rui Vitória é a forma como lida com os media. Desde a passagem pelo Fátima que cultiva uma boa imagem, um discurso fluído que entra no ouvido, mesmo quando a mensagem que passa não coincide totalmente com a realidade dos factos.

Após o terceiro jogo de pré-época do Benfica, que terminou com uma derrota diante dos New York Red Bull, confesso que Rui Vitória me surpreendeu pela negativa, ao justificar a ausência de triunfos nesta fase com resultados similares na época passada. Em suma, e não há outra forma de dizer isto: Vitória acusou a pressão de pegar numa equipa com o histórico do Benfica, actual bicampeão nacional. Pior, acusa a pressão de suceder a um treinador que na primeira volta do ano passado só deixou escapar cinco pontos. E alimentou uma lógica perigosa, à qual já teria dificuldade em escapar mas que nunca devia alimentar: as comparações com Jorge Jesus.

Rui Vitória não é Jesus. Até pode vir a ser melhor, não é isso que está em causa. Mas para já aquela frase deixa perceber que não vive tão sossegado como quer aparentar. É a velha história do comboio que pode passar só uma vez mas, para que a carruagem siga tranquila e chegue ao destino desejado, seria melhor que o maquinista não vivesse atormentado com fantasmas.

Será Rui Vitória esse maquinista? Para já o prenúncio não é dos melhores.