“Saints” vs. Guimarães: Os caminhos dos vice-líderes

Em Inglaterra e Portugal duas equipas ocupam surpreendentemente o segundo lugar das respectivas Ligas. O GoalPoint olhou para o ADN de Southampton e V. Guimarães para tentar saber o segredo de ambos.

Clique na infografia para ler em detalhe (fotos: J. Trindade, SFC infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (fotos: J. Trindade, SFC infografia: GoalPoint)

Poucas vezes as principais Ligas de Inglaterra e Portugal se tocam no que ao desempenho das suas equipas diz respeito. Muitos jogadores já viajaram da nossa Liga para a Premier League, poucos fizeram o caminho inverso, mas comparar duas formações – que nem adversárias são – destas duas provas parece um caminho arriscado e, porventura, sem razão de ser. Contudo, e olhando para as duas tabelas classificativas, reveste-se de interesse observar os dois vice-líderes, os surpreendentes Southampton FC e V. Guimarães.

Sistema de jogo, eficácia atacante ou defensiva, números que se equiparam, detalhes que possam definir a identidade de ambas; tentámos saber o que torna estes clubes especiais ao ponto de baterem o pé a outras formações com orçamentos e argumentos diferentes, quais as características que, enquadradas nas respectivas Liga, os ajudaram a chegar longe até ao momento.

Sistemas semelhantes, modelos diferentes

Durante a sua passagem pelo Benfica, e mesmo antes, no Ajax, Ronald Koeman, treinador dos “saints”, usava o 4x3x3 como sistema táctico preferencial e praticamente único (ou não fosse ele holandês). No emblema inglês não foge à regra, contando com a consistência de José Fonte na defesa e com a qualidade goleadora de Graziano Pellè, que soma 0,5 golos por jogo. Trata-se, talvez, da grande figura da equipa, o atacante contratado este Verão ao Feyenoord. Fazendo um paralelismo com o V. Guimarães, os minhotos usam também o 4x3x3 como sistema preferencial, mas como os números que apresentaremos a seguir demonstram, a força maior da formação lusa reside mais na consistência colectiva e menos na capacidade ofensiva como no caso inglês. Talvez por isso não espante que, ao brilho de Pellè, na “cidade-berço” se destaque André André, um esteio de trabalho no meio-campo que soma 91,7% de eficácia de desarmes e perto de seis recuperações de bola por desafio.

Partimos daqui para aprofundar esta ideia que separa as duas formações, duas filosofias que atingem o mesmo objectivo. Senão vejamos: ambos os clubes estão em segundo lugar nas respectivas Ligas, o Southampton com 25 pontos em 11 jogos, o Vitória com 23 em dez. Têm aproximadamente o mesmo número de golos apontados (Guimarães com 2,0; Southampton com 2,1 por partida), sendo que os ingleses sofrem menos (0,5 para 0,8) por jogo. Semelhanças que se esfumam nos números seguintes, definidores de ideias de jogo distintas.

Ataque vs. defesa

O Southampton tem uma média de 501 passes por jogo, com cerca de 83% de eficácia, em comparação com os 327 dos minhotos, com 72,8% de acerto, e ganha também na posse de bola (53% vs. 47,7%). Nas assistências a diferença também é grande: dos 23 golos marcados, os britânicos conseguiram-no com 14 assistências, enquanto o Vitória soma oito nos 20 tentos registados. O número de remates por jogo é semelhante, sendo que os “saints” ganham na eficácia de remate (39,4% vs. 35,4%) e no aproveitamento (14,8% vs. 13,6%). Dados que mostram uma formação inglesa que assume mais o jogo, ante um Vitória mais contido.

Tal nota-se nos números do momento defensivo. O Southampton soma bem mais tentativas de desarme, mas os vimaranenses fazem-no com muito maior competência, com impressionantes 79,1% de eficácia perante os 47,9% do emblema da Premier League. Também nas intercepções o Vitória é melhor, pois soma 21,9 por jogo para 14 dos ingleses. O mesmo se passa nos duelos aéreos, onde o Vitória é especialista, com 50,5% ganhos para 47,3% do Southampton. Estes números batem certo com o desempenho geral das equipas. Formações mais ofensivas têm, geralmente, melhores resultados em casa, pelo que não será de espantar que o Southampton tenha alcançado 62,5% dos seus triunfos perante os seus adeptos e tenha averbado as suas duas derrotas fora. Já o Vitória tem um registo diferente. Os minhotos ganharam 57,1% dos seus jogos na condição de visitantes e os dois que empataram foram no Estádio D. Afonso Henriques.

Como último número curioso (talvez não muito surpreendente), registo para os dribles. O Southampton tentou 104, o Vitória 222, (9,5 e 22,2 por jogo), sendo que a formação lusa teve sucesso em 51% deles, perante os fracos 31,5% dos “saints”.

São números que valem o que valem, mas que mostram, de uma forma genérica, a identidade das duas equipas-sensação de Inglaterra e Portugal, que se tocam no desempenho, enveredando por caminhos distintos mas igualmente eficazes, tirando o melhor partido das mais evidentes qualidades dos seus jogadores.