Drama na semifinal

A Itália era franca favorita e todos esperavam por uma final épica contra a Alemanha. E tudo indicava que não seria uma vitória tão difícil quando Schillaci abriu o placar logo aos 17’, no rebote de um disparo de Vialli (que tomara a posição no time titular de Baggio, que vinha de fracas atuações). A defesa, que não sofrera nenhum gol até ali, era agora a responsável por garantir a classificação. A tática argentina de jogar no contra-ataque estava fulminada logo cedo, poucos acreditavam que teria a capacidade de tomar o controlo das ações e buscar o empate. O time argentino, contudo, era experimentado e soube esfriar o jogo, para crescer aos poucos na partida. Embora não criasse muitas ocasiões, chegava ocasionalmente com bastante perigo.

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A equipa de Itália preparada para enfrentar a Argentina de Maradona… e até há uma bandeira portuguesa nas bancadas

Aos 67’, cruzamento argentino na área e Zenga, talvez com excesso de confiança, saiu mal para ver Caniggia, de cabeça, desviar para o fundo das redes e anotar o empate. A Itália sentiu o golpe. Vendo sua equipe atordoada, o mister resolveu mexer. Aos 70’, Serena substituiu Vialli, e aos 73’, Baggio rendeu Giannini, para formar um novo esquema com três avançados. A Argentina acatou sua inferioridade técnica e se recolheu, aceitando o empate como um bom resultado, se defendendo como podia, por vezes com violência. Já no prolongamento, Giusti foi expulso (aos 103’), mas mesmo com superioridade numérica, a Itália não conseguiu encontrar o caminho do gol da vitória. A decisão da vaga na final foi para os pênaltis.

Ambas as equipes converteram as três primeiras cobranças (Baresi, Baggio, De Agostini; Serrizuela, Burruchaga, Olarticoechea), mas o goleiro argentino Sérgio Goycochea, que assumiu após a lesão de Pumpido e já fora herói na fase anterior, ao defender três pênaltis iugoslavos, foi buscar as cobranças de Donadoni e Serena, enquanto Maradona converteu o seu, declarando a vitória albiceleste por 4-3 nas grandes penalidades.

Schillaci até o fim

Na disputa de terceiro lugar contra a Inglaterra, Schillaci anotaria, de pênalti, o gol da vitória por 2-1, aos 86’, chegando ao seu sexto em sete partidas e se tornando o melhor marcador da competição. Seria, ademais, eleito pela FIFA como o melhor jogador da Copa, recebendo a Bola de Ouro. Apenas lhe faltou a conquista coletiva, pois levou os dois prêmios individuais disponíveis. Pode-se dizer que a carreira de Schillaci terminou ali. Seguiu atuando por mais sete anos, mas nada fez de relevante. Marcou seis de seus sete gols pela seleção italiana na Copa do Mundo de 1990.

Baggio viria a se tornar um dos principais jogadores do mundo nos anos seguintes. Disputou mais duas Copas, sendo vice em 1994. Conquistou títulos pela Juventus e pelo Milan e diversos prêmios individuais, sendo eleito pela FIFA o melhor do planeta em 1993, primeiro lugar em 1993 e segundo em 1994 no Ballon d’Or da France Football. Anotou 27 gols pela seleção italiana em 56 partidas e quase 250 gols na carreira.

Vialli também seguiria em grande, conquistando títulos pela Sampdoria e pela Juventus, além de diversos prêmios individuais. Mancini, que sequer chegou a atuar na Copa de 1990, também teve carreira vitoriosa pela Sampdoria e pela Lazio, conquistando alguns prêmios individuais (como o melhor jogador da Seria A em 1996/97). Zola, que falhou a convocatória, também teve trajetória bem-sucedida e alcançou a oportunidade de disputar uma Copa em 1994.

Em suma, Schillaci teve apenas uma época realmente em grande em toda a sua carreira, a de 1989/90, mas deixou seu nome marcado ao ser o melhor marcador e jogador da Copa de 1990, alimentando eternamente a esperança de jogadores que chegam ao principal palco do futebol desacreditados pela crítica, mas sonhando com um brilho repentino de ocasião.

Quem poderá ser o herói improvável em 2018?