Schalke 4 – Sporting 3: E tudo o erro levou

Erros próprios, enganos crassos do árbitro, uma lesão, tudo contribuiu para que uma exibição prometedora e uma vantagem acabassem numa derrota injusta.

Adrien foi um dos dez leões que justificaram outro resultado final (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Adrien foi um dos dez leões que justificaram outro resultado final (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O Sporting CP prometeu muito na primeira parte da visita ao Schalke. Marcou primeiro, mostrou personalidade, ideias claras para o jogo, lição bem estudada e parecia a caminho da primeira vitória ante formações alemãs. Mas uma sucessão de eventos deitou tudo por terra, entre uma lesão e erros (entre eles do árbitro) que pagam-se muito caro a este nível. Fica um sabor a injustiça e um jogo com sete golos.

Marco Silva não mudou em nada a estrutura da sua equipa em termos tácticos, apresentando o habitual 4-3-3 e com ordens claras para Nani, André Carrillo e Islam Slimani taparem de imediato as linhas de passe do primeiro momento de construção alemão. William Carvalho, João Mário e Adrien Silva formavam praticamente uma linha de três no “miolo”, que conseguia manter o ritmo de jogo baixo, apenas pecando nos duelos com Julian Draxler (na esquerda) e Chinedu Obasi (na direita).

Os dois alas foram o principal problema dos “leões”, sendo que ambos acabaram o primeiro tempo com três remates cada e Obasi um golo. Valeu ao Sporting a menor eficácia de ambos. O lado direito foi mesmo o mais problemático, com Nani a não ajudar convenientemente Jonathan Silva a travar Obasi e as subidas do japonês Atsuto Uchida. Aliás, o Schalke chegou ao intervalo com 57,7% dos seus ataques por este lado, contra 21,8% do esquerdo (Draxler não escondeu a tendência para aparecer muitas vezes no meio).

Problemas em catadupa

Nani marcou aos 16 minutos, após canto, e tudo parecia correr bem, até que Slimani ressentiu-se de lesão e entrou Fredy Montero. A formação leonina perdeu um pouco de capacidade de pressão e tudo ficou pior aos 34 minutos, quando Maurício viu o cartão vermelho por acumulação de amarelos. E no livre respeitante, os alemães aproveitaram de imediato o contratempo para empatar, com Rui Patrício a deixar escapar uma bola aparentemente fácil. Dois erros que acabariam por influenciar o resto da partida.

Marco Silva foi corajoso e tirou um médio, João Mário, para lançar Naby Sarr, pedindo a Nani e Carrillo sacrifício defensivo. O Sporting passou a jogar em 4-4-1, um pouco mais recuado, e o Schalke bem mais à frente e a dominar. Ainda assim, destaque para Adrien Silva e Carrillo na primeira marte, com 91,3% e 90% de passes certos, respectivamente (23 e 20 passes), e para Nani, com um golo em três remates (um enquadrado). O Schalke acabou o primeiro tempo com 65,9% de duelos ganhos, contra 34,1% dos lusos, 83,4% de passes certos (contra 80%), 290 entregas de bola (165 do Sporting), 63,8% de posse (“leões” com 36,2%), oito remates (dois enquadrados e cinco dentro da área contrária), contra seis disparos dos portugueses (também dois enquadrados e cinco dentro da área).

No segundo tempo, Di Matteo fez entrar Choupo-Moting para a frente de ataque, tirando Boateng, e os resultados foram imediatos. Klaas-Jan Huntelaar aproveitou uma posição de fora-de-jogo não assinalada pelo assistente para isolar-se e fazer o 2-1 e depois de uma falta de Sarr na esquerda, Höwedes saltou mais alto que… Sarr para fazer o 3-1, à hora de jogo. Nesta altura o Sporting parecia derrotado, mas Carrillo foi carregado em falta na área e Adrien Silva fez o 3-2 de penalty. O médio empatou pouco depois, de cabeça. Só que mais um erro, do árbitro, definiu o resultado. O juiz assinalou mão de Jonathan Silva na área, quando o corte foi feito de cabeça, e Choupo-Moting fez o 4-3 de penalty.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Números condicionados

Fica para a história o resultado e os números de um jogo que tinha tudo para ser histórico para a formação de Alvalade. Todos os incidentes da partida tiveram uma influência directa nos números finais apresentados pelas duas equipas. O Schalke acabou com 15 remates e o Sporting 11, sendo que os alemães acertaram seis vezes na baliza e os portugueses quatro, com 10-9 em disparos no interior da grande área, o que é curioso e mostra como as equipas conseguiram levar a bola até às zonas de maior perigo.

Os 58,2% de duelos ganhos pelos alemães (34,1% do Sporting) tiveram, certamente, peso no desfecho final, tendo em conta que dois dos golos dos da casa surgiram de disputas pelo ar. E no final a equipa de Gelsenkirchen conseguiu 606 passes face aos 305 dos lisboetas, em parte por estes terem jogado muito tempo com menos um elemento. Dessas entregas, os anfitriões tiveram uma eficácia de 85%, perante 75,1% dos visitantes (uma quebra assinalável na segunda parte, uma vez que os “leões” só acertaram 69,3% nesta fase). Na posse de bola, nenhuma surpresa: 66,1%-33,9%, enquanto no final a tendência das equipas em atacar pelo flanco direito manteve-se – 46,5%-40,5%

Destaque total para Adrien Silva. O médio português não só marcou dois golos, como foi dos melhores da sua equipa nos diversos momentos do jogo. Rematou três vezes à baliza, sempre enquadrado, foi quem mais passes fez no Sporting (41, para 40 de William Carvalho), com um aproveitamento razoável de 82,9% (29 passes no meio-campo contrário, 79,3% de acerto). E defensivamente destacou-se com dez recuperações de bola, perdendo-a apenas 14 vezes.

Do lado alemão, Obasi foi quem mais brilhou. Para além do golo do empate, foi um quebra-cabeças para Jonathan Silva, somando quatro remates (um enquadrado) e uma assistência, para além de dois passes para oportunidade.