Scouting | Sander Berge, alto, loiro e nada tosco 🇳🇴

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“Considerámos a oferta, mas acabámos por rejeitar”, afirmou o director-geral do Genk sobre a oferta de €15M recebida do Sevilla pelo médio Sander Berge. A grande “obsessão” do scouting sevilhano manteve-se assim na Bélgica, após um Verão onde foi também associado a clubes da Premier League. Com apenas 20 anos, o médio norueguês inicia a sua terceira temporada na Jupiler Pro League, após chegar por €2M oriundo do VÃ¥lerenga. Tendo em conta que a oferta de €15M o tornaria na terceira maior venda da história do campeonato belga, o que tem este médio de tão especial para o Genk a rejeitar com tanta confiança?

Olhando a sua estampa física de 1,92m, pensamos automaticamente num poderoso defesa-central, mas ao vê-lo em corrida já imaginamos um extremo. E quando nos é exposta a sua capacidade técnica, já dá ares de número 10. Misturando isto tudo temos um médio muito completo, que tende a jogar como o controlador e homem mais recuado do trio de meio-campo do Genk.

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Sander Berge nem sempre teve 1,92m, mas sempre teve boa relação com a bola

Até por o Genk ser uma das equipas dominantes no seu campeonato, o internacional norueguês mostra muito do seu talento nos momentos com bola. Com uma inteligência táctica muito acima da média, Berge posiciona-se com qualidade para receber e sabe interpretar quando precisa de oferecer segurança ou verticalidade à equipa através do seu passe. A quantidade elevada de passes que faz por partida (55,4) demonstra bem a sua importância no contexto em que está inserido, sendo que mais de metade é executada para o meio-campo adversário (30,6) e, para um médio das suas características, uma boa porção para o último terço (13,4).

Mas seja em que parte do campo for, a qualidade vai com Sander Berge: eficácias de 86% e 85% no meio-campo adversário e último terço, respectivamente, são números impressionantes, sendo que os 94% no seu meio-campo deixam a equipa muito confortável na construção inicial e os 93% em passes laterais são chave na circulação da equipa. Apesar de só ter duas assistências na carreira, sempre que pode vai-se tentando integrar na criação de oportunidades, com 0,8 passes para finalização por 90 minutos.

Bom passe longo e capacidade de drible

Os passes longos são outro recurso de qualidade, que tanto oferece ao seu conjunto um recurso para o jogo mais rápido e directo se houver espaço para tal, como para acelerar a mudança de corredor durante a circulação. Recorre a estes com frequência moderada (5,8 / jogo), mas excelente eficácia (71%). Ainda no que toca ao momento com bola, Sander Berge tem uma característica que é hoje das mais valorizadas no mundo dos médios – capacidade de evadir pressão. A sua combinação de qualidade técnica, com capacidade corporal e alguma aceleração, faz com que seja capaz de aguentar cargas e ultrapassar pressão adversária em zonas recuadas do terreno através do seu drible curto – com 1,2 dribles eficazes a cada 90 minutos e eficácia tremenda para a sua posição (88%). O Genk tem ali um “comboio” de enorme estampa física, pronto a abrir espaços para a sua equipa ao penetrar a faixa central adversária.

Sem posse não é um recuperador de bolas particularmente activo (apenas 2,1 tentativas de desarme por jogo), mas é muito difícil de ultrapassar quando procura os duelos, visto que tem 95% de sucesso nas suas tentativas. Na realidade, se considerarmos as duas últimas épocas ao serviço do Genk, Sander Berge só foi driblado duas vezes, um número impressionante para um jogador da sua posição. As suas 1,6 intercepções são um número sólido, especialmente tendo em conta que joga numa equipa dominante, algo que está bem ligado à sua inteligência posicional. A falta de jogo aéreo, tendo em conta a sua figura e boa utilização do corpo noutros momentos de jogo, é algo curioso e um dos pontos a melhorar. Podem-se mais do que 47% de duelos aéreos defensivos ganhos a um médio-defensivo de tamanha estatura.

De resto, Sander Berge poderá ter alguma dificuldade defensiva se for transferido para uma equipa sem um ataque posicional tão constante e rotinado. Até pela baixa quantidade de faltas que faz, demonstra ser um “6” talhado para uma equipa dominante. Tendo isso em conta, e até pelas semelhanças estilísticas com N’Zonzi, que saiu este Verão, uma possível mudança para Sevilha parecia fazer todo o sentido. Não sendo um jogador fácil de integrar nos clubes de elite, será ideal para clubes na linha de Valência e Sevilha pelas características ofensivas do seu jogo.

O próprio afirmou, no podcast norueguês “LaLigaLoca” (o link é mesmo só para os seguidores fluentes em norueguês), ser um “obcecado por ver e analisar futebol, particularmente a La Liga e os seus médios. N’Zonzi e Kondogbia entre eles”. Pela qualidade que demonstra, a sua chegada a esse nível será só uma questão de tempo.

Tiago Estêvão
Tiago Estêvão
Performance Analyst na GoalPoint, já colaborou com a Statsbomb e WhoScored, entre outros.
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