Aproxima-se a passos largos um daqueles Verões com que qualquer adepto de futebol rejubila. Quatro anos depois, vem aí mais um Campeonato do Mundo, e para Portugal esta edição tem a particularidade de ser o primeiro após uma grande conquista.

No Verão passado tivemos um primeiro teste à nossa capacidade para manter ou, diria eu, aumentar o nível que mostrámos em França, e as coisas não correram particularmente bem. Na Taça das Confederações, os empates não tiveram correspondência em sucesso, e Portugal caiu nas meias-finais depois de igualdades com México e Chile, que nem sequer vai estar na Rússia.

A menos de três meses de serem conhecidos os 23 eleitos, parece-me óbvio que a habitual estratégia de manter fechado um grupo que deu bons resultados terá que ser “pincelada” com alguma racionalidade. Levar os jogadores em melhor forma, mesmo que por algum motivo não tenham feito parte do percurso recente, será sempre o caminho mais directo para o sucesso, sobretudo tendo em conta que alguns nomes entraram em claro ocaso, e é necessário arranjar alternativas. Casos como os de Bruno Alves, José Fonte, Eliseu, André Gomes, Adrien Silva e Nani, merecem séria reflexão quanto à sua utilidade no plantel actual, já para não falar de Vieirinha, Ricardo Carvalho, Renato Sanches, Rafa e Eder, que já tinham “caído” no Verão passado.

Aqui, vou indicar alguns nomes que, não tendo feito parte das escolhas recentes merecem pelo menos uma avaliação na próxima convocatória.

Guarda-redes

É talvez uma das posições que menos discussão merece. Rui Patrício e Anthony Lopes dificilmente estarão em causa num futuro próximo, e o lugar de terceiro guarda-redes está bem entregue a Beto, que tem vindo a realizar uma época excelente no campeonato turco. No entanto, se por alguma acaso um destes nomes falhar, já é hora de mostrar que os clubes de média dimensão merecem atenção e chamar Cláudio Ramos. Desde que chegou à Liga NOS o guarda-redes do Tondela tem estado em grande nível, mas está actualmente num momento particularmente interessante, tendo feito parte do “onze ideal” GoalPoint em Janeiro e Fevereiro.

Laterais-Direitos

Recentemente escrevemos sobre esta que é talvez a posição com mais oferta de qualidade no futebol português. Ricardo Pereira, João Cancelo, Nélson Semedo e Cédric Soares dão totais garantias neste momento, com alguma vantagem momentânea para os dois primeiros, decorrente da utilização e boa forma recente. Dificilmente Fernando Santos trará alguma surpresa para esta posição, mas até André Almeida e Miguel Lopes têm estado em excelente forma nos seus campeonatos.

Laterais-Esquerdos

A primeira grande dor de cabeça do Engenheiro. Raphael Guerreiro é indiscutivelmente a melhor opção e terá que ser titular na Rússia, mas até ele tem jogado pouco no Dortmund, e muitas vezes no meio-campo. Eliseu sempre foi uma opção discutível e neste momento não tem condições de ser chamado. Como alternativa, Fernando Santos tem apostado em Antunes, mas há um lateral-esquerdo português em melhor forma no mesmo campeonato.

GoalPoint-Luisinho_2017_vs_Vitorino_Antunes_2017-infog
Clique para ampliar

Luisinho é titular indiscutível do Deportivo e tem sido o elemento mais consistente na defesa do clube do Corunha. À semelhança de Eliseu, Antunes tem a seu favor a facilidade de remate, mas em tudo o resto o ex-Benfica revela ter eficácia melhor ou semelhante. Assusta sobretudo a frequência com que Antunes é ultrapassado em drible, o que, tendo em conta o grau de dificuldade dos adversários que podemos encontrar e a forma física de Raphael Guerreiro, fazem com que faça sentido dar a Luisinho uma oportunidade de se mostrar com as quinas ao peito nos próximos particulares.

Defesas-Centrais

Soube-se esta semana da indisponibilidade de Pepe para os próximos particulares, o que só torna ainda mais urgente encontrar alternativas. Dos centrais habitualmente chamados, Luís Neto dá garantias, mas José Fonte (que acaba de perder 8-0 na sua estreia no campeonato chinês) e Bruno Alves, com 36 anos, no futebol escocês e a regressar de lesão são opções que deixam muito a desejar no momento. Sobram portanto três vagas, e as alternativas são algumas.

GoalPoint-Damien_Da_Silva_2017_vs_Pedro_Mendes_2017-infog
Clique para ampliar

Desde logo um nome com que poucos estarão familiarizados: Damien da Silva. O luso-francês do Caen está a fazer a melhor época da sua carreira e já veio dizer que tem o sonho de alinhar pela selecção portuguesa. Esteio de uma das defesas menos batidas de França, Damien tem ainda a particularidade de se mostrar muito forte nas bolas paradas ofensivas e já anotou quatro golos esta época. Mas este não é o único central português a merecer atenção no campeonato francês. O Montpellier, uma das melhores defesas a nível europeu, tem como titular o ex-Sporting e Real Madrid, Pedro Mendes. Menos goleador mas igualmente eficaz, com e sem bola, está na altura de ter uma oportunidade séria na selecção nacional.

Edgar Ié (Lille) e Rolando (Marseille) também jogam com regularidade no mesmo campeonato, mas as suas prestações têm sido menos positivas, como se nota pelos respectivos GoalPoint Ratings: 5.47 e 5.51.

GoalPoint-Paulo_Oliveira_2017_vs_Rúben_Vezo_2017-infog
Clique para ampliar

Mais perto, no campeonato espanhol, também há dois centrais em bom plano, apesar da menor utilização. Paulo Oliveira estava a ser muito elogiado pela crítica até ser afectado por uma lesão – entretanto já debelada – e Rúben Vezo tem tido alguma utilização recente no Valencia.

Sobra o campeonato português. Rúben Dias 5.79 estabeleceu-se como titular do Benfica e até lidera um ranking europeu bastante interessante, mas não deixa de me parecer precoce a sua chamada, tendo em conta o baixo grau de dificuldade dos testes a quem tem sido sujeito e o diferente patamar de desenvolvimento em que já estão as outras opções.

Médios-Defensivos

Nada a dizer aqui. Danilo Pereira e William Carvalho são indiscutíveis pela qualidade e versatilidade de opções que oferecem.

Na próxima página: do médio-centro ao ponta-de-lança