Shakhtar 2 – Porto 2: “Dragões” sobrevivem ao frio ucraniano

Erros defensivos quase determinaram um desfecho negativo. Jackson entrou a tempo para empatar.

Jackson voltou a ser decisivo, ainda que insuficiente para garantir a vitória (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Jackson voltou a ser decisivo, ainda que insuficiente para garantir a vitória (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

A formação ucraniana jogou em casa emprestada, Lviv, a mais de mil quilómetros de Donetsk e teve o jogo controlado até praticamente ao final mas Jackson fez questão de empatar aos 89 e 93 minutos.

O Shakhtar entrou em jogo com o seu habitual 4x2x3x1 como o GoalPoint previu atempadamente. Por seu lado, Julen Lopetegui voltou a mexer na equipa e lançou Maicon, Óliver, Tello e Aboubakar, mantendo o seu sistema de eleição, 4x3x3.

O primeiro tempo foi marcado por um grande equilíbrio táctico e por momentos de indefinição, onde ambas as equipas procuraram assumir o controlo do jogo mas sem sucesso.

A formação orientada por Mircea Lucescu adoptou um bloco médio-alto e procurou anular as principais referências da manobra ofensiva portista, fechando bem o sector intermédio e não permitindo à equipa portuguesa entrar seu meio-campo defensivo. O Porto sentiu muitas dificuldades perante a pressão do Shakhtar na sua primeira fase de construção e não conseguiu encontrar soluções para quebrar essa estratégia. Marcano que esta terça-feira alinhou a “trinco”, Herrera e Óliver não tiveram espaço para circular a posse de bola e gerir a intensidade de jogo.

Quando os “dragões” não tinham bola acolheram a mesma táctica dos ucranianos, pressionando de forma intensa e coesa na primeira zona de construção. A diferença é que o Shakhtar conseguia sair bem da pressão, recorrendo a um futebol mais directo para o quarteto ofensivo que conseguia imprimir profundidade ao jogo da equipa da casa.

A melhor oportunidade surgiu dos pés de Brahimi que desperdiçou uma grande penalidade à passagem dos 35 minutos. Pyatov defendeu e manteve o Shakhtar em jogo.

Ao intervalo o Porto estava melhor mas o resultado mantinha-se inalterado. Os “dragões” somaram 61,4% de posse de bola e 84,3% de eficácia de passes contra 78,3%.

Erros defensivos

O segundo tempo teve como denominador comum os erros defensivos que acabaram por ditar o desfecho desta partida. Óliver já tinha ameaçado, mas aos 52 minutos confirmou-se o pior. O médio espanhol quis fintar em zona proibida, perdeu a bola e Alex Teixeira só teve que empurrar para o golo.

Lopetegui foi obrigado a mexer para ir atrás do resultado e aos 65 lançou Jackson e Quintero para os lugares de Aboubakar e Marcano. O Porto deu um passo à frente e começou a ameaçar mais a defensiva ucraniana.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

O Shakhtar baixou o seu bloco e passou a formar duas linhas de quatro unidades. Os extremos juntaram-se aos dois pivôs-defensivos e Alex Teixeira continuou na frente a apoiar Luiz Adriano. Lucescu deu ordens à equipa para recuar na tentativa de recuperar a bola no seu meio-campo defensivo para depois lançar transições rápidas, com o quarteto brasileiro, composto por Taison, Alex Teixeira, Douglas Costas e Luiz Adriano, a desequilibrar a defesa “azul-e-branca”. Taison e foi o elemento mais desequilibrador desta “escola de samba” ucraniana. O extremo-esquerdo realizou 21 passes, apresentando uma eficácia de 81%. Douglas Costa na direita procurou muito os movimentos interiores, permitindo a Srna subir no terreno e criar situações de 2×1, com Brahimi a ter dificuldades para acompanhar. Alex Teixeira, actuou como organizador e apareceu muitas vezes em zona de finalização, quando Luiz Adriano descaía nas faixas e abria espaço para a entrada dos seus colegas.

Fernando e Stepanenko, os dois pivôs-defensivos, foram dois jogadores mais certeiros no capítulo do passe, com 88% e 85,7% de eficácia, respectivamente.

Emoções fortes

Com as entradas de Jackson e Quintero o conjunto portista ganhou nova dimensão ofensiva, tornando as suas acções mais imprevisíveis.

Brahimi saiu aos 78 minutos para dar lugar a Adrián. O argelino acusou o desgaste físico e não foi particularmente feliz neste jogo. Uma exibição esforçada com muitas perdas de bola, 14, e com uma eficácia de passe baixa comparativamente ao resto da equipa, 78,8% no meio-campo adversário.

Danilo e Tello foram as unidades mais irreverentes do ataque portista. Cerca de 36% do jogo do Porto passou pelo corredor direito. O extremo espanhol somou 91,3% de eficácia de passes, completando durante os 90 minutos 46 passes. Óliver e Herrera com 90,7% e 88,1% também foram dois jogadores em destaque. Apesar da excelente capacidade de passe, Herrera, Danilo, Tello e Óliver sentiram dificuldades na tomada de decisão, perdendo 17, 16, 16 e 12 bolas respectivamente.

Aos 85 minutos, mais um erro defensivo do Porto deu origem ao golo do Shakhtar. Maicon não alivou a bola no corredor central, Alex Teixeira pressionou, ganhou e serviu Bernard que, sem oposição, cruzou para Luiz Adriano fazer o 2-0.

Quando pouco fazia prever o golo do Porto, eis que surge Jackson. Num lance de contra-ataque, Adrián recebeu na esquerda e cruzou, com a bola a encontrar o braço de Rakitskiy. O avançado colombiano foi chamado a marcar a grande penalidade aos 89 minutos e não falhou.

Se por esta altura poucos acreditavam que o Porto reduzisse a desvantagem, muitos menos pensariam que aos 93 minutos a equipa portista chegasse ao empate. Jackson marcou presença na grande área e finalizou depois de uma iniciativa individual de Tello no corredor esquerdo.

O Porto terminou o jogo com 68,5% de posse de bola, 87,7% de eficácia de passe e 59,3% de duelos ganhos, contrapondo aos 31,5%, 70,9% e 40,7% do Shakhtar. Com dez remates à baliza contra quatro dos ucranianos, a equipa portuguesa foi mais forte mas continua a faltar objectividade e capacidade de decisão no último terço do terreno.