O jovem argentino Franco Cervi chegou finalmente à Luz e já conduz bola nos primeiros jogos de pré-temporada, após motivar um “leilão” entre Benfica e Sporting que terminou com a aquisição do jogador pelos “encarnados” por cerca de 4,1 milhões de euros (com um valor de mercado de aproximadamente 5,1 milhões).

Num defeso em que a América do Sul parece ser, mais do que nunca, a “fonte” primordial dos reforços do futebol português, Cervi é um dos nomes que gera mais expectativas, não só pelos seus supostos predicados, mas também pela pesada “herança” que recebe, oriunda de Nico Gaitán.

O menino do Rosário

Ao contrário de Alan Ruiz, o argentino do Sporting recentemente analisado, Cervi apenas conheceu um clube até agora, o Rosário Central, onde se formou e iniciou a carreira profissional.

Pequeno de tamanho mas “grande” em recursos técnicos, “Chuky” Cervi pode jogar em qualquer um dos flancos ou no apoio ao(s) avançado(s), mas tendo em conta o habitual sistema táctico de Rui Vitória, é pouco provável que o vejamos brevemente a actuar no centro do terreno.

Na clássica diferenciação entre extremos/médios-ofensivos goleadores e criadores, Cervi enquadra-se mais no segundo perfil, tal como já sucedia com Gaitán, mas não ficam por aqui as semelhanças com o “mago” que trocou a Luz por Madrid.

SL Benfica | Cervi, o herdeiro de Nico?
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Se olharmos os números percebemos que Cervi se assemelha a uma “fotocópia” de Gaitán em diversos parâmetros. Por oposição a Pizzi, ambos têm uma tendência menor para procurar o remate e quando o fazem têm mais dificuldade em enquadrá-los entre os postes.

Os dois argentinos têm ainda números idênticos na capacidade de desiquilibrio que demonstram, registando o mesmo número de dribles eficazes e de faltas sofridas a cada jogo, facto curioso e raro, que suporta a teoria da semelhança.

As diferenças aparecem sobretudo na parte da criação, algo que fica bem expresso na diferença entre o total de assistências (4 – 14), e nos passes para ocasião (1.4 – 3.1), mas a boa eficácia de cruzamento de Cervi e o facto de, ao contrário de Nico e Pizzi, “Chuky” não ser o dono das bolas paradas no Rosario Central, deixam ainda assim um sinal positivo.

Outro dos pontos a favor do jogo de Cervi é a propensão defensiva elevada que já demonstra na sua idade, registando uma média de quatro acções defensivas por jogo, sendo 3.2 delas acções de desarme, algo que certamente Rui Vitória valorizará.

Apto para gerir a herança

Os números mostram que Cervi ainda tem margem de progessão,  mas há sinais encorajadores por parte de um jovem que provém de um clube que marcou apenas 47 golos no campeonato, ou seja, quase metade dos 88 “facturados” pelo Benfica em 2016/17.

Tendo em conta que a Luz já provou ser um bom “terreiro” de afirmação de outros extremos conterrâneos, há poucas razões para duvidar da capacidade de “Chuky” Cervi em aterrorizar as defesas contrárias da Liga NOS, à medida que for aliando a confiança ao entrosamento com os colegas.

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