A abertura da segunda volta da Liga 2018/19 trouxe polémica acrescida no que toca aos GoalPoint Ratings por nós atribuídos. As notas de Tiquinho Soares, autor de um “hat-trick” decisivo frente ao Chaves e a eleição de André Almeida como homem do jogo na difícil visita “encarnada” a Guimarães trouxeram um pouco de tudo, desde a surpresa, questionada de forma construtiva, ao “trollismo” que as redes sociais já nos habituaram, um pouco por todo o lado.

Três “chaves” para usufruir do GoalPoint

Independentemente da “thick skin” que fomos desenvolvimento desde 2014, consideramos estes momentos como oportunidades para clarificar como trabalhamos o Futebol, porque o fazemos dessa forma e qual a melhor forma de desfrutar do que oferecemos aos adeptos do Futebol português. E, antes de passarmos aos dois “casos” que titulam este artigo, importa recomendar três “dicas” que ajudam qualquer leitor a atingir esse objectivo:

  1. A função do conteúdo editorial GoalPoint é a de complementar as outras formas que o seguidor tem de “ler” um jogo de Futebol. Não nos propomos como a única, nunca o fizemos nem nunca o faremos. A abordagem estatística ao jogo é um ângulo diferente, complementar, que aproveitaremos tanto melhor, por divertimento a razões profissionais, quanto maior for a nossa capacidade de o entender dessa forma.
  2. Sempre que um GoalPoint Rating lhe parecer surpreendente, lembre-se que existem razões estatísticas/técnicas para tal suceder, e que nós estamos cá para o explicar, na medida da nossa disponibilidade. E não é muito mais interessante/divertido questionar e discutir essas razões do que “chorar” o que não compreendemos antes mesmo de percebermos porquê?
  3. Quanto mais facilmente aceitarmos o conteúdo GoalPoint (em especial o GoalPoint Rating e os sumários estatísticos que partilhamos) como uma fonte de informação que os nossos sentidos não processam, e não como um confronto negativo com a nossa percepção, mais perto estaremos de usufruir dele da melhor forma.

Soares & Almeida, sociedade de perplexidade

Posto isto, vamos aos “casos da jornada”, começando por Tiquinho Soares, o caso em que surpresa de muitos seguidores é mais compreensível. O papel decisivo que o brasileiro cumpriu em Chaves é óbvio. E por ser óbvio, o leitor não precisa que seja o GoalPoint a mostrá-lo.

Do GoalPoint deve esperar-se o outro lado. E o outro lado passa por, não só pesar todas as acções de jogo que um jogador tem em campo, ao longo do encontro, como inclusivamente ponderar o contexto dos eventos (neste caso golos) que, para o senso comum, destacam o mesmo jogador. Eis algumas notas que ajudam a compreender o porquê de um jogador que faz um “hat-trick” não ter uma nota que muitos esperavam excepcional:

  • Tiquinho Soares somou 38 acções com bola, 11 delas resultaram em perda de posse (29%)
  • Dos 12 duelos que totalizou na partida, saiu vencedor apenas em dois deles
  • Falhou quatro passes, todos eles lateralizados, e dois deles no meio-campo defensivo
  • Somou quatro maus controlos de bola, o terceiro pior registo no jogo, a par de mais dois jogadores
  • Falhou o único drible que tentou e consentiu um ao adversário
  • E o mais relevante: todos os golos marcados por Soares acresceram, obviamente, ao seu GoalPoint Rating, mas o seu peso é directamente proporcional ao contexto em que foram obtidos (localização, grau de dificuldade, todos eles muito acessíveis e em que o falhanço seria, aí sim, excepcional pela negativa. Os três golos que marcou correspondem ainda aos três remates que enquadrou, mas o brasileiro fez ao todo sete disparos. Os restantes saíram desenquadrados.

Por fim o caso de André Almeida, cuja eleição como MVP gerou algumas reacções negativas, curiosamente esmagadormente oriundas de adeptos “encarnados”, talvez por o jogador corporizar o caso comum do “patinho feio” aos olhos de alguns adeptos do Futebol, um factor tão comum quão inexistente no desempenho do nosso trabalho. A nossa missão é quantificar e, nesse capítulo, eis algumas notas curiosas sobre o jogo de André Almeida em Guimarães:

  • Entre desarmes, intercepções, alívios e bloqueios de passe e remate André Almeida terminou a partida com 14 acções defensivas, o segundo registo mais elevado, apenas batido por Conti com 15 (dos quais 12 foram alívios)
  • Venceu os três duelos aéreos que disputou, dois defensivos, um ofensivo
  • O lateral terminou a partida com três dribles eficazes noutras tantas tentativas, o registo mais elevado e também o mais eficaz, entre os colegas
  • Num jogo difícil, no qual o Benfica se ficou pelos 77% de eficácia de passe, Almeida terminou com 74% de passes certos em 43 tentativas
  • O lateral falhou apenas quatro passes no próprio meio-campo, uma zona particularmente perigosa para tal falha. Gabriel, solicitado por muitos como MVP, falhou sete, assim como o central Conti
  • O benfiquista perdeu a posse para o adversário em 18 ocasiões, tantas quanto João Félix. Parecendo alto, é um registo dentro da média para jogadores de corredor lateral. Cervi (23), Davidson (30) e Tozé (20) são exemplos da recorrência com que tal pode suceder num jogo dividido como o foi o duelo em Guimarães
  • A decisiva assistência de bola corrida oferecida por Almeida foi também o único passe para ocasião flagrante de todo o jogo, entre ambas as equipas

Temos a noção de que a esmagadora maioria dos nossos leitores compreende e valoriza o nosso trabalho. Isso é visível na viralidade e adesão que registamos e agradecemos. Sabemos também que, embora “barulhentos”, os que infantilmente acreditam ser compatível desenvolver um negócio como a GoalPoint com lógicas de clubite são uma minoria. A maioria que nos procura e incentiva sabe que não se conquistam públicos e não se fecham acordos com clubes e agentes, em Portugal e no estrangeiro, subvertendo a nossa análise para… “não entregar Playstations” ou para beneficiar as preferências clubísticas que anos de paixão pelo que fazemos reduzem a leves sensações, por vezes memórias, que ficam à porta do escritório.

Continuem connosco, nós estaremos sempre aqui para falar de Futebol convosco.