Spartak 🆚 Benfica | Gaiola russa pequena demais para “águia”

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O Benfica deu um passo importante, mas não decisivo, para chegar ao “play-off” de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões. No duelo de treinadores portugueses (Rui Vitória e Jorge Jesus), a formação “encarnada” foi a Moscovo vencer o Spartak por 2-0, graças a uma exibição de grande nível, em especial na segunda parte, altura em que marcou os seus dois golos, por Rafa Silva e Gilberto. Mas atenção, a partir desta temporada, os golos marcados fora não contam como factor de desempate, pelo que tudo está ainda em aberto.

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“Águia” sempre mais forte

Jorge Jesus surpreendeu ao apostar num sistema de 3-4-3, e a verdade é que, numa primeira parte com momentos bem interessantes, o Benfica foi melhor, teve mais bola e criou as principais ocasiões de perigo, cinco lances bem gizados que, com melhor qualidade nas decisões e na execução, poderiam ter dado uma boa vantagem aos “encarnados”. O Benfica rematou mais, mas terminou o primeiro tempo com os mesmos enquadrados que o Spartak (1), e com uma diferença grande na eficácia de passe e nas acções com bola na área contrária (3-13), demonstrativo da facilidade portuguesa em chegar a zonas de decisão. O pior foi mesmo a finalização. Destaque para a saída de Seferovic, lesionado, entrando Gonçalo Ramos para o seu lugar.

Esse problema foi resolvido logo aos 50 minutos, com Rafa Silva a fazer golo após um excelente lance de envolvimento “encarnado” e com o último passe a pertencer a João Mário. Aos 74, Lucas Veríssimo descobriu a desmarcação do recém-entrado Gilberto e este, na grande área, “fuzilou” Aleksandr Maksimenko. Depois foi controlar o jogo e lançar contra-ataques e o Benfica criou lances suficientes para poder fazer mais golos. No final, destaque para a maior quantidade de remates e, mais uma vez, para a facilidade com que a formação lisboeta chegou à área contrária, terminando com 40 acções nesta zona, contra 16 do seu adversário.

[ O Benfica carregou muito jogo pela esquerda ]

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O MVP GoalPoint👑

A dificuldade que os moscovitas sentiram em criar perigo e até entrar na área benfiquista teve como um dos “culpados” o central Lucas Veríssimo. O brasileiro fez um jogo consistente e competente e terminou como melhor em campo, com um GoalPoint Rating de 8.0. Praticamente sem falhas o desempenho de Veríssimo, que não só fez a assistência para o 2-0, como foi o jogador com mais acções com bola (85). Defensivamente esteve imperial: venceu os dois duelos aéreos defensivos em que participou, fez três desarmes, cinco intercepções, oito alívios e três bloqueios de passe/cruzamento.

Outros GoalPoint Ratings 🔺🔻

Daqui a pouco a análise aos intervenientes.

Destaques do Spartak:

Aleksandr Maksimenko 6.1 – O facto de o Spartak ter perdido e o seu melhor jogador ter sido o guarda-redes diz muito da partida. O guardião teve de enfrentar cinco remates enquadrados e travou três, todos a disparos na sua grande área, e somou duas saídas pelo ar eficazes.

Nail Umyarov 5.8 – O médio-defensivo do Spartak viu-se e desejou-se frente a João Mário, Pizzi e Rafa, que lhe apareciam na zona regularmente. No final registava quatro acções defensivas no meio-campo contrário, seis intercepções e três bloqueios de passe/cruzamento.

Samuel Gigot 5.7 – O central francês fez o que pôde perante as subidas dos jogadores benfiquistas em bloco. Obrigado a muito trabalho, terminou com 11 acções defensivas.

Destaques do Benfica:

Rafa Silva 7.8 – A forma como o extremo surgia em velocidade nas costas da defesa ou entre os centrais e os laterais dos russos foi um dos problemas da equipa de Rui Vitória. O extremo fez um golo, três passes para finalização, seis passes ofensivos valiosos (máximo), somou dez acções defensivas na área contrária (também valor mais alto) e completou cinco de oito tentativas de drible.

Gilberto 6.9 – Entrado no segundo tempo para o lugar do desgastado Diogo Gonçalves, teve um impacto positivo no jogo. Em 27 minutos fez quatro passes ofensivos valiosos e marcou um golo.

Julian Weigl 6.9 – Excelente jogo do alemão. Muito bem no passe, completou dez de 11 longos, 92% do global de entregas, criou a única ocasião flagrante da partida e ainda fez três desarmes e outros tantos bloqueios de passe/cruzamento.

Vlachodimos 6.6 – Não foi chamado a tanto trabalho como o guardião dos russos, mas quando foi, esteve bem, com três defesas, uma delas, na primeira parte, a evitar um golo quase certo.

Nicolás Otamendi 6.6 – O patrão da defesa benfiquista. O argentino foi voz de comando e esteve muito certo, com dez acções defensivas e três duelos aéreos defensivos ganhos em três.

João Mário 6.5 – Enorme jogo do médio ex-Sporting, não só no que o rating expressa, mas em outros detalhes não quantificáveis. O seu posicionamento foi perfeito, tal como a sua leitura de jogo e inteligência táctica, conseguindo sempre estar solto, sem marcação e a dar linhas de passe. Excelente a assistência para o 1-0, e ainda completou 63 de 67 passes (94%) e realizou três desarmes.

Diogo Gonçalves 6.3 – Após alguns dias afastado devido a problemas físicos, foi com alguma surpresa que surgiu de início, mas esteve em bom plano. Aos três passes ofensivos valiosos e 90% de eficácia de passe, juntou cinco acções com bola na área russa e três desarmes.

Álex Grimaldo 6.1 – Muito do futebol ofensivo do Benfica fluiu pelo seu flanco e o espanhol sentiu algumas dificuldades para fazer todo o corredor, em especial na recuperação defensiva. No ataque esteve muito bem, com quatro passes para finalização, cinco passes ofensivos valiosos e dois cruzamentos eficazes em quatro.

Jan Vertonghen 5.9 – O seu posicionamento evitou problemas de maior, perante a sua falta de velocidade. Algo que contribuiu para ter ganho quatro de sete duelos aéreos defensivos.

Pizzi 5.9 – O capitão benfiquista esteve algo desinspirado. Dono do máximo de remates da partida (4), não finalizou bem e no último passe nem sempre decidiu da melhor forma, embora tenha ainda feito dois passes para finalização.

Gonçalo Ramos 4.7 – Entrou algo a frio, perante a lesão de Seferovic, e a sua nota acaba penalizada pela flagrante desperdiçada. Somou seis acções com bola na área russa, fez três remates e destacou-se pelo trabalho árduo entre os centrais contrários.

Pedro Tudela
Pedro Tudela
Profissional freelancer com 19 anos de carreira no jornalismo desportivo, colaborou, entre outros media nacionais, com A Bola e o UEFA.com.