Sporting 1 – Belenenses 1: Atacar tanto para tão pouco acerto

Falta de eficácia e objectividade confirmaram o mau arranque leonino na Liga 2014/15.

Nani, apesar de constituir destaque pela positiva, não fugiu à regra de desacerto leonino frente ao Belenenses (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Nani, apesar de constituir destaque pela positiva, não fugiu à regra de desacerto leonino frente ao Belenenses (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Passados quatro jogos e amealhados apenas seis pontos em 12 possíveis é já possível concluir que o Sporting se encontra longe do vigoroso arranque que protagonizou na época transacta, e o empate de hoje frente ao Belenenses confirma essa diferença.

Não foi certamente por falta de produção ofensiva ou por ineficaz circulação de bola que os “leões” não conquistaram a vitória no jogo desta noite. Com efeito, dos quatro jogos até agora disputados pelos “verde-e-brancos” este foi aquele em que mais claramente procuraram subjugar a defensiva adversária: 27 remates, 33 cruzamentos para a área em lances de bola corrida e 20 passes para ocasião de golo são números que demonstram que os “leões” produziram o suficiente para levar de vencida os “azuis” do Restelo. Até mesmo na circulação de bola o Sporting esteve bastante mais produtivo do que nos jogos anteriores (587 passes, com 84,3% de eficácia), mesmo que alinhando durante toda a partida um Adrien muitos furos abaixo do habitual (foi um dos jogadores leoninos com mais perdas de bola, 20). O que impediu então a vitória dos “leões”?

Ineficácia frente a receita tradicional

O Belenenses não surpreendeu nem inovou particularmente nesta deslocação a Alvalade, apresentando-se numa postura de total entrega da iniciativa de jogo ao adversário procurando no contra-ataque ocasional o momento de surpresa, ao ponto de abdicar de uma pressão defensiva no “miolo” que parecia indicar um triunfo fácil dos “verde-e-brancos” ainda durante a primeira parte do jogo. A receita tradicional seguida pela turma de Belém viria a ser recompensada com a obtenção do golo inaugural, que pese embora um primeiro aviso de Sturgeon (um dos melhores nos “azuis” enquanto esteve em campo, com 80% de eficácia de passe) surgia quase como um brinde para os do Restelo, que apenas por duas ocasiões haviam tentado alvejar a baliza de Rui Patrício, contra 12 tentativas leoninas. Eficácia quase total, selada por Deyverson, um dos melhores entre os “azuis” juntamente com Miguel Rosa. O Sporting viria rapidamente a igualar o resultado, com André Carrillo a aproveitar um passe infeliz de Bruno China para alvejar com sucesso a baliza belenense. Uma excepção eficaz a uma regra de desperdício que os “leões” pagariam caro.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

A muralha defensiva azul manteve a postura na segunda parte mas a equipa leonina acentuava nos segundos 45 minutos a deficiência que explica boa parte do empate obtido: a falta de eficácia. Se é verdade que os “leões” dispararam por 27 vezes à baliza contrária também é notório o desacerto com que o fizeram: apenas por nove vezes os remates sportinguistas saíram enquadrados com a baliza, e apenas por 11 alvejaram as redes adversárias já dentro da grande área contrária, optando demasiadas vezes (17) por remates de longa distância. Talvez por isso apenas por duas vezes Matt Jones tenha feito defesas de elevado grau de dificuldade (de um total de oito), precisamente o mesmo número de vezes que Rui Patrício evitou maiores dissabores para os “leões”, já no decorrer da segunda parte.

Nani melhor mas igualmente ineficaz

Destaque final para Nani, cujas movimentações pelo centro do terreno justificam em boa parte o elevado caudal ofensivo dos “leões” por essa zona do terreno (32% dos ataques leoninos surgiram pelo corredor central), realizando quatro passes para ocasião de golo não aproveitadas pelos colegas. O mais sonante reforço leonino para esta época não fugiu, no entanto, à regra de desacerto da equipa: por sete vezes procurou alvejar a baliza defendida por Matt Jones mas apenas numa ocasião o fez de forma enquadrada.

O Sporting CP avança de imediato para o regresso à Liga dos Campeões, já na próxima semana, levando consigo muito que meditar e números que parecem confirmar a “radiografia” que o GoalPoint fez atempadamente sobre as virtudes e fragilidades das equipas de Marco Silva.