Sporting 1 – Moreirense 1: Letargia leonina volta a comprometer

O Sporting voltou a comprometer as declaradas ambições de luta pelo título nacional ao permitir a um organizado Moreirense a obtenção de um ponto em Alvalade.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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De regresso à Liga Portugal, após a desilusão europeia parcial (o Sporting prossegue na Liga Europa), Marco Silva atacou o confronto com o Moreirense com aquela que parece ser a sua nova receita para os jogos em que se espera um maior ascendente leonino, optando pela inclusão do colombiano Montero juntamente com Slimani na linha da frente, em prejuízo de um maior controlo do meio-campo – modelo no qual João Mário vinha garantindo a titularidade.

Receita insonsa

O sistema mais agressivo dos “leões” não garantiu, no entanto, uma primeira parte afirmativa. Seja por influência do princípio da “ressaca europeia”, seja pela ausência do incontornável Nani, o Sporting demonstrou, ao longo dos primeiros 45 minutos, manifestas dificuldades em criar ascendente claro e contínuo sobre um Moreirense aguerrido, que se foi sempre recusando a uma atitude passiva (os nortenhos venceram 50% dos 31 duelos disputados no primeiro tempo). O Sporting ia rematando (oito vezes) mas sem acerto (apenas um remate enquadrado), com Carrillo a timidamente demonstrar vontade em dar sequência à exibição realizada no Bessa (três remates e um passe para ocasião, na primeira parte). Já o Moreirense espreitava sempre o contra-ataque, deixando avisos consecutivos sobre as suas intenções, as quais se viriam a confirmar ao minuto 35, com o golo de Ramon Cardozo, a passe de Arsénio. O Moreirense terminava a primeira parte fazendo, em Alvalade, o triplo dos remates enquadrados dos “leões” (três) e prometendo ainda maiores dificuldades caso o Sporting quisesse, de facto, vencer a partida, nos segundos 45 minutos.

Letargia contra a muralha

O segundo tempo fazia prever um Sporting decidido a inverter o rumo dos acontecimentos, numa jornada nuclear, na qual poderia aproveitar a perda de pontos dos rivais em contenda no “clássico” bem como o já confirmado empate do Vitória de Guimarães. No entanto nada disso sucedeu, com os “leões” a patentearem as mesmas dificuldades e insuficiências reveladas no primeiro tempo. Apesar de se mostrar mais rematador (dez remates no segundo tempo), o Sporting apenas enquadrou dois com a baliza de Marafona. Apesar de naturalmente aumentar a posse (de 60% para 76%) e a eficácia de passe (de 78% para 82%), fruto do progressivo recuo dos nortenho no terreno, o Sporting perdeu eficácia na disputa dos duelos (de 50% para 49%), nunca encontrando de forma clara o caminho para a desejada reviravolta do marcador, apesar do tardio tento (92 minutos) atenuar a amargura do resultado, por intermédio de Montero, a passe de Tanaka.

Organização e antecipação

Para lá do demérito leonino sobressai a organização defensiva moreirense, com destaque para Danielson, protagonista de 12 intervenções defensivas com sucesso (dois cortes, sete alívios e três intercepções), apoiado por homens como Marcelo (realizou 14 alívios) e André Simões (quatro intercepções, dois cortes e um alívio).

Se à disponibilidade defensiva nortenha juntarmos o número de perdas de posse dos “leões” (185, 94 delas partilhadas por Miguel Lopes, Montero, Carillo e Jonathan), identificamos as tendências de jogo que confirmaram os bons sinais recentes dados pelo Moreirense e a obtenção de mais um empate comprometedor por parte de um Sporting que no início da época se proclamou candidato ao título.