Sporting 1 – Paços 1: “Leão” dá meio jogo de avanço

A formação de Alvalade esteve mal na primeira parte, dominou por completo na segunda, mas acabou por perder mais pontos em relação ao líder Benfica. O GoalPoint olha para os números da partida.

O bonito golo do colombiano foi insuficiente para garantir os três pontos para os "leões" (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
O bonito golo do colombiano foi insuficiente para garantir os três pontos para os “leões” (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Após a derrota pesada em Guimarães, o Sporting procurava regressar às vitórias na Liga. Nada melhor que um jogo em casa, mas o Paços de Ferreira não quis entrar na festa e arrancou um empate 1-1. Mérito quase total para os comandados de Paulo Fonseca, que chegaram a Lisboa com a lição muito bem estudada, demérito também para os da casa, que deram meia parte ao adversário e, quando reagiram, não conseguiram completar a reviravolta.

Os números da primeira parte reflectem as dificuldades vividas pelo Sporting – ainda mais levando em conta que esses valores mudaram radicalmente no segundo tempo, quando Marco Silva corrigiu os equívocos dos primeiros 45 minutos. Assim sendo: na primeira parte o Sporting fez cinco remates contra dois, com dois enquadrados para um do Paços; conseguiu 82,8% de passes certos contra 75% e teve 55,8% de posse de bola (44,2% dos visitantes). Números que mostram mais Sporting, como é natural, mas não um domínio forte perante o seu opositor. O número de faltas na primeira parte demonstra a forma competente como o Paços encarou esta partida, mas também as dificuldades leoninas: os pacenses fizeram apenas três em 45 minutos, para dez dos “verdes-e-brancos” (12-16 finais). O que isto significa?

Cansaço e mau posicionamento

Vários factores terão contribuído para esta disparidade. Quase sempre os jogadores do Sporting chegavam atrasados aos duelos com os adversários, o que pode apontar para um certo resguardo físico da equipa, depois do esforço do encontro a meio da semana com o Schalke 04, na Liga dos Campeões. Com essa provável gestão de esforço, raras foram as vezes que os “leões” caíram em cima dos “castores”. Uma falta de intensidade que obrigava à falta. Por outro lado, também se pode culpar o mau posicionamento da equipa no primeiro tempo.

O Paços de Ferreira apresentou-se em Alvalade no seu já tradicional 4x4x2, muito maleável, com dois avançados (Hurtado e Bruno Moreira) a recuarem bastante e a jogarem entre linhas, em especial na zona de William Carvalho. Os médios apostavam em passes para as costas da defesa leonina e os extremos nas diagonais, pelo que por diversas vezes os visitantes dominavam e passavam a bola em zona de ninguém, onde tal era fácil – a falta era, muitas vezes, um recurso para os lisboetas. O golo de Hurtado, o 1-0, surgiu precisamente num lance assim. Minhoca recolheu a bola entre linhas, viu Hurtado a fugir nas costas da defesa, assistiu o avançado e este finalizou perante Rui Patrício.

Defensivamente o Paços tapou os espaços no “miolo” e na defesa, não com o estreitamento de linhas, mas com movimentos de basculação bem temporizados, justificando assim as poucas ocasiões de golo leoninas apesar da boa percentagem de passe. O Sporting apostava bastante nos cruzamentos e lançamentos para Islam Slimani, com este sempre a fugir à marcação e à procura de espaços, mas o argelino esteve desinspirado.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Nova abordagem táctica

Nani, com 88,5% de passes certos em 26, demonstrou qualidade, o mesmo acontecendo com os 87,5% de Adrien Silva. A solução para Marco Silva parecia lógica: aumentar a intensidade da equipa e o poder de fogo na frente e ao intervalo saiu William Carvalho e o desinspirado André Carrillo – entraram Montero e Carlos Mané. Os “leões passaram a jogar num 4x4x2 e Montero aproveitou o espaço entre linhas para rematar de longe para um grande golo, o do empate 1-1. Restava muito tempo para o Sporting dar a volta, mas o Paços, mais uma vez, mostrou conhecer as alternativas tácticas do adversário e adaptou-se, passando a atacar pelas alas, a aproveitar as subidas dos laterais leoninos no novo sistema de jogo.

Os lances de perigo passaram a verificar-se com mais frequência junto das duas balizas, com ascendência leonina. Domínio que se intensificou aos 74 minutos, quando Sérgio Oliveira foi expulso por acumulação de amarelos. O Sporting caiu então em cima dos “castores” e até chegou a marcar um golo, anulado por fora-de-jogo inexistente de Montero – embora Slimani estivesse adiantado e por perto. Só que o esforço dos comandados de Marco Silva esbarrou numa gritante ineficácia ofensiva, personificada em Slimani e num falhanço frente à baliza contrária, após cruzamento de Diego Capel.

A reacção dos da casa surgiu tarde e ineficaz. Ficam para a história os números finais, que contrastam em absoluto com os do primeiro tempo. O Sporting terminou com 19 remates à baliza (14 na etapa complementar), para seis do Paços de Ferreira (quatro no segundo tempo), sete enquadrados para os “leões” contra dois, sendo que nove dos disparos dos da casa aconteceram na grande área, o que mostra inoperância na finalização. O acerto no passe continuou (83,9% vs. 70,1%), bem como a posse de bola (60,6% vs. 39,4%).

Individualmente Nani voltou a ser o mais esclarecido, com cinco remates, dois enquadrados, dois passes para ocasião e uma assistência para golo. Acertou ainda 92,7% dos 41 passes que fez, o que é muito bom para um extremo (91,9% em 37 no meio-campo adversário), e efectuou seis cruzamentos em futebol corrido. João Mário também esteve bem no passe, com impressionantes 96,7% de acerto em 61 (95% em 40 no meio-terreno contrário). Jean Seri voltou a fazer um belo jogo, tal como havia acontecido com Benfica e Porto. O médio conduziu todo o futebol do Paços, com 65 toques na bola e 45 passes (máximos da equipa), 80% de entregas certas, e somou ainda seis desarmes, três intercepções e seis recuperações de bola. Ricardo, com dez alívios, brilhou na defesa visitante.