Sporting 4 – Marítimo 2: Nani ganha “duelo” com Maazou

Num jogo com seis golos, os insulares tentaram jogar de igual para igual, o que acabou por lhes sair caro, não sem antes assustarem os “leões”. Nani e Maazou brilharam.

Nani foi figura preponderante no resultado leonino (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Nani foi figura preponderante no resultado leonino (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Emoção e competitividade tomaram conta do Estádio José Alvalade este domingo, num jogo com muitos golos, incerteza no resultado, embora, paradoxalmente, nem sempre bem jogado. O Sporting arrancou um importante triunfo perante um adversário tradicionalmente difícil. O Marítimo tentou jogar cara-a-cara com os da casa, o que acabou por permitir aos melhores valores individuais leoninos – em especial Nani – explorar espaços e decidir o jogo. Mas também houve um homem a brilhar no Marítimo, Moussa Maazou.

O Sporting começou muito bem a partida, com Fredy Montero na frente, no lugar do lesionado Islam Slimani, a interpretar bem o que o seu treinador pretendia: mobilidade, recuo no terreno, pressão sobre a defesa contrária, combinações com os extremos/laterais. Colectivamente, a mesma filosofia de pressão a meio-campo, transições rápidas, como o Sporting sabe jogar. O Marítimo não levou este facto na consideração que merecia, optou discutir o jogo pelo jogo e sofreu as consequências disto mesmo no primeiro tempo.

Apesar de usar um 4-5-1 no momento ofensivo, a pressão sobre o portador da bola do adversário não era suficientemente forte, e quando com a posse, em 4-3-3, viu-se um visitante muito dependente da iniciativa de Danilo Pereira nos primeiros momentos de construção, com a particularidade de Fransergio e Alex Soares colarem-se em demasia junto aos três na frente (Ibrahim, Maazou e Edgar Costa). Não espantam as 11 perdas de bola de Danilo só no primeiro tempo (números próprios de um extremo ou lateral), perante a ausência de linhas de passe e pressão dos “leões”, e os pobres 54,2% de passes certos (dos 24 neste período). Esta dificuldade colectiva na circulação de bola (apenas 65,7% de eficácia de passe) não contribuiu para a qualidade de ataque maritimista, embora os comandados de Leonel Pontes tenham conseguido, ainda assim, seis disparos, mas apenas um enquadrado e um na grande área – os remates de longe eram a alternativa possível.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Sporting tira partido

Aproveitou o Sporting, com eficácia e competência. A recuperação de bola era rápida e mais ainda eram as transições ofensivas. Surgiram assim os melhores lances dos “leões” na etapa inicial. Primeiro Bauer fez autogolo, após centro de Carrillo da direita (num rápido contra-golpe). Nani assistiu João Mário para o terceiro e Paulo Oliveira fez o 3-0 de cabeça. Nesta altura já Nani começava a mostrar que iria ser a grande estrela da partida, com boas arrancadas, critério no passe, boas decisões, um perigo constante pela esquerda. O internacional luso terminou a primeira metade com dois remates, duas assistências para golo e três passes para ocasião, mas não se ficou por aqui. Os “leões” atacaram 53,8% pelo lado de Nani, números que mostram a influência do extremo – Ibrahimi foi protagonista no marítimo, que atacou 47,1% das vezes pelo lado canhoto.

João Mário, com 28 passes e 89,3% de eficácia, e Adrien Silva, com 91,3% de acerto nas 23 entregas, davam qualidade e equilíbrio a um Sporting que justificou por completo o resultado. Maurício, na defesa, mostrou acerto, com três alívios, sete intercepções e duas recuperações de bola. Colectivamente, 7-6 em remates, sendo que o Sporting conseguiu efectuar cinco na grande área insular, 60,4% – 39,6% em posse de bola e 79,8% – 65,7% em passes certos.

O que Leonel Pontes disse aos seus pupilos ao intervalo não sabemos, mas mudou por completo a disposição da equipa. O meio-campo começou a jogar mais junto, as transições com mais critério e em bloco e vários elementos a surgirem na zona de William Carvalho, que sentiu muitas dificuldades na etapa complementar para travar as saídas contrárias. Maazou complicou menos, foi mais objectivo, caiu muitas vezes nas alas ou entre o lateral Jonathan Silva e o central Paulo Oliveira, e as ocasiões de golo (e os golos) surgiram, ambos pelo atacante do Níger. E nos dois casos, muitas responsabilidades para a marcação (ou ausência dela) do lateral-esquerdo leonino, que permitiu liberdade de acção no primeiro (golpe de cabeça) e no segundo (remate potente).

O Marítimo criou muitas ocasiões nesta fase, mas aos poucos o Sporting acalmou e recuperou o controlo da partida, muito por culpa também do 4-2, um belo golo acrobático de Montero a passe de Adrien. O tento foi um golpe duro nos visitantes e um bálsamo para o Sporting, mas a verdade é que mais golos poderiam ter surgido nas duas balizas.

Marítimo muito rematador

Surpreendentes foram alguns dos números finais. O Marítimo saiu de Alvalade como a equipa mais rematadora, com 19 disparos contra 16 dos “leões”. Valeu ao Sporting a maior qualidade individual dos seus jogadores e o facto de ter conseguido dez disparos na grande área contrária, contra nove. Ambas as formações acertaram sete vezes na baliza, o Marítimo atirou dez vezes a bola para fora e viu dois remates bloqueados, contra cinco dos comandados de Marco Silva. O Sporting acabou a partida com 429 passes e 78,1% de acerto neste vector, contra os 303 do Marítimo e 71,6%. Os da casa ganharam na posse de bola, 58,5% para 41,5%, e nos cruzamentos os 23 dos “verdes-e-brancos” em bola corrida não tiveram resposta por parte do seu adversário (apenas 11).

Nani e Maazou confirmaram-se como as duas grandes figuras do encontro. O português terminou com cinco remates (nenhum enquadrado), duas assistências e seis passes para ocasião (50% do total da equipa), só lhe faltando mesmo o golo. Maazou bisou e mostrou pontaria afinada, pois acertou quatro vezes na baliza em cinco disparos, e ainda criou uma ocasião.

Destaque também para Fredy Montero, autor de três remates e um golo, e Adien Silva, que fez dois remates (um enquadrado), somou uma assistência e um passe para ocasião, recuperou nove vezes a bola e teve 90% de eficácia nos 40 passes que efectuou. Só João Mário rivalizou nestes números, conseguindo 89,6% nas suas 48 entregas, sendo que Adrien chegou aos 96,3% de acerto nos 27 passes que fez no meio-campo adversário (contra 90% em 30 do seu parceiro no “miolo”). Defensivamente, William Carvalho acabou com números mais consentâneos, quatro desarmes, duas intercepções e nove recuperações de bola, e Maurício desta vez não comprometeu, somando dois desarmes, três alívios, oito intercepções e três recuperações.