O arranque de 2019/20 do Sporting tem sido pouco brilhante, sem que a equipa tenha conseguido qualquer vitória desde o início dos trabalhos da nova época. Nos dois jogos oficiais, os “leões” foram goleados por 5-0 pelo rival Benfica na Supertaça, não indo depois além de um empate 1-1 na visita ao Marítimo, na primeira jornada da Liga NOS. Os sinais estatísticos também não ajudam a uma perspectiva mais optimista e a partida no Caldeirão veio confirmar alguns sintomas.

Os adeptos e responsáveis leoninos não se podem queixar de falta de tentativas por parte dos jogadores. Nos referidos dois jogos, em que sofreu seis golos e marcou apenas um, a formação de Alvalade fez nada menos que 36 remates, mais do que os seus adversários, inclusive na partida da Supertaça. É caso para dizer que há algo a necessitar de ser trabalhado com urgência no ataque do Sporting. Senão vejamos o local de todos os remates leoninos nestas duas partidas, enquadramento e desfecho.

Desses 36 disparos, somente dez foram realizados dentro das grandes áreas contrárias. Ao analisar os gráficos acima (o da esquerda ante o Marítimo, o da direita com o Benfica), fica a ideia de que neste momento o Sporting é uma equipa sem ideias para colocar a bola dentro das área em condições, sendo que quando o faz recorre muito ao cruzamento (19 na Madeira, 12 na Supertaça), mas nem sempre contado com Bas Dost e, quando conta, o holandês não tem correspondido.

Se dissecarmos um pouco mais esses números, vemos que dos 26 remates de fora da área, apenas cinco (19%) foram enquadrados com as balizas – quatro com o Benfica, um com o Marítimo -, enquanto os dez disparos dentro da área resultaram em três com a melhor direcção (30%). A incapacidade leonina em construir situações de finalização em contexto mais favorável é, assim, um dos grandes problemas neste início de época. E olhando para o seu capitão, nota-se que essa tendência acompanha a influência deste no jogo colectivo.

Com assinatura de Bruno Fernandes

Este panorama leva-nos a olhar para a grande figura deste Sporting, o seu capitão Bruno Fernandes. Jogador com um peso importante no futebol ofensivo leonino – na Liga de 2018/20 o médio teve intervenção directa em 46% dos golos da sua equipa, com 20 tentos e 13 assistências -, dele se espera que, quando o colectivo não funciona, seja ele próprio a resolver os problemas. E é isso que tem acontecido, ou pelo menos tem tentado, interpretando os dados mais recentes.

Ao olhar para o “heat map” de Bruno Fernandes, e comparando-o com as zonas em que foram realizados os remates do Sporting nestes dois encontros, não é possível fugir à correspondência das zonas do terreno. E essa coincidência acaba por ser bem mais do que apenas isso, olhando para os números do jogador.

Ao todo, Bruno foi responsável por 15 dos 36 disparos leoninos nestas partidas (42%), pelo que o perfil ofensivo do “leão” está intimamente ligado à acção do médio. Destes disparos, 12 aconteceram de fora da área (80%), com seis (50%) a encontrarem a melhor direcção. Aliás, o capitão é dono de quase todos os remates (75%) que encontraram as balizas contrárias, pois o Sporting enquadrou oito tentativas.

Em suma, o Sporting depende em grande medida dos remates da sua estrela maior, com influência acentuada na zona do terreno em que a maior parte é realizada, e também da qualidade dos mesmos . Os restantes 21 disparos foram executados por outros jogadores, com pobres 10% de acerto, pelo que não é por Bruno Fernandes que a equipa não apresenta qualidade ofensiva. Uma realidade que Marcel Keiser terá de resolver rapidamente.