Sporting a fraquejar? O check-up ao sprint final dos candidatos 🔥

-

Faltam (no máximo) oito jornadas para conhecermos o campeão nacional 20/21 e, a verdade, é que, apesar da vantagem pontual dos “leões” ser ainda confortável, está tudo a pensar no mesmo: os seis pontos de vantagem de Amorim e Cia não têm o mesmo “valor facial” que teriam se apresentados por Porto e Benfica, os emblemas que nas últimas quase duas décadas dividiram entre si o troféu.

“Lenga-lenga” de adversário? Nem por isso. Os sportinguistas são os primeiros a manifestar sinais de preocupação com os dois empates consecutivos somados nas últimas duas jornadas, procurando inclusive causas (inclusão de Paulinho no “onze” leonino) que os números não sustentam, conforme fundamentámos nesta semana.

Mas o que dizem os números colectivos dos quatro primeiros, a oito jornadas do fim? Fundamentarão eles, para lá da História, a preocupação dos adeptos “verde-e-brancos”? E será que oferecem (sobretudo) ao Porto e (mais remotamente) ao Benfica legítimas esperanças de ultrapassar os “leões” ao sprint? Eis o que dizem quatro indicadores fundamentais, numa análise que estendemos a um Braga que, não passando nesta esta altura de um candidato “aritmético”, disputa um lugar no pódio e terá uma palavra a dizer na corrida ao título (defronta o Sporting na jornada 29).

Clique para ampliar

Leão dispara alarmes (mas mantém predicado clássico)

O Sporting foi sempre a equipa com menos acções com bola na área adversária, entre as quatro primeiras, mas esse indicador caiu ainda mais no decurso da segunda volta. Aquilo que na primeira metade da Liga seria mais uma consequência da ideia de jogo de Amorim do que um indicador negativo, pode agora ser visto como um sinal de alerta, pois o “leão” passou também a fazer cerca de quatro remates a cada partida. Curiosamente o Sporting somou mais acções na área em ambos os seus últimos dois empates do que a sua média até agora, mas em Moreira de Cónegos reforçou o alerta em redor do número de disparos: apenas 10. Se a isso somarmos um menor aproveitamento (% de concretização), não restam grandes dúvidas: ou o Sporting começa a rematar mais e melhor ou vai continuar a complicar a sua vida.

Mas nem tudo são “sombras” nos números do “leão”. O Sporting já era, no final da primeira volta, a equipa que menos remates permitia. Esse indicador foi até agora melhorado na segunda metade da prova, o que consolida a ideia de que os golos sofridos frente a Famalicão e Moreirense foram mais fruto de falhas momentâneas do que de uma maior permissividade dos processos defensivos leoninos. Os defensores da frase feita de que “os ataques ganham jogos, as defesas campeonatos” encontram aqui razões para acreditar que, pese as ineficiências ofensivas crescentes, o “leão” conseguirá garantir o título, caso mantenha esta tendência até final. O 538 atribui ao Sporting 72% de probabilidades de ser campeão.

“Dragão” estável mas com alerta

O Porto não mudou muito na segunda volta, mas também tem com que se preocupar. Os “dragões” continuam a gerar aproximadamente o mesmo volume de jogo na área adversária (ligeira quebra sem expressão), mas tal como o Sporting rematam menos (embora com uma queda menos acentuada).

Já a quebra de cerca de quatro pontos percentuais no aproveitamento dos remates essa sim constitui alerta para Sérgio Conceição: apesar de contar com mais remates de grande penalidade do que qualquer outro rival, o “dragão” passou a ser o emblema que menor percentagem de remates converte, o que indicia uma falta de aproveitamento alarmante dos disparos de bola corrida (apenas 8%, os três rivais têm entre 10 e 14%) e, quando isso sucede… mais dia menos dia surge um azar. Os “dragões” têm para o 538 uma probabilidade de 22% de revalidar o título, mas, caso o Sporting continue a tropeçar, esta percentagem continuará a subir…

“Águia” já voa (mas tarde)

O Benfica melhorou em tudo, face à primeira volta, mas é quase certo que melhorou demasiado tarde, no que concerne à real hipótese de ainda lutar pelo título (apenas 6% de hipóteses de ser campeão segundo os cálculos do 538). As melhorias podem não vir a render o título, mas ameaçam ser determinantes na decisão do mesmo, bem como na luta pelo acesso directo à fase de grupos da Champions, ou não tivessem as “águias” confrontos marcados com Porto e Sporting, por esta ordem.

Bracara ainda pode sonhar com pódio

O Braga caiu nos quatro indicadores em análise, face à primeira volta, não admirando assim que tenha também caído da corrida ao título. Os “guerreiros” são, aliás, o único dos quatro emblemas cimeiros que não melhorou no indicador relativo à quantidade de remates que permitem ao adversário, que disparou para os quase 12 tiros por jogo. Apesar de tudo ainda têm uma palavra a dizer e uma vitória sobre o Sporting dentro de duas jornadas pode incendiar a luta pelo título e manter os minhotos na disputa por uma melhor classificação, assistindo a partir daí de “cadeirinha” aos confrontos directos que ainda sobram, entre Benfica, Porto e Sporting.

Com oito jornadas por disputar, as tendências tanto podem ser confirmadas como destruídas a cada jogo e avizinham-se alguns com potencial para sentenciar ou incendiar o “sprint” final. Previsão GoalPoint? Nervos, muitos nervos, nas próximas jornadas, de norte a sul do país.

Pedro Ferreira
Pedro Ferreirahttps://goalpoint.pt
Co-fundador da GoalPoint Partners, em 2014. Desempenhou entre 2011 e 2013 os cargos de Secretário-Geral da SAD do Sporting Clube de Portugal, Director da Equipa B e da Academia Sporting.