Sporting 🆚 Benfica | Como se comparam os reforços até ao dérbi

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Sporting e Benfica defrontam-se pela primeira vez esta época, à jornada 16 da Liga e num contexto que poucos arriscariam, no início da temporada: “leões” não só na frente como seis pontos à maior sobre uma “águia” que investiu forte e prometeu (na figura do seu “mister”) uma hegemonia até agora não consumada.

Um dos temas que entreteve os adeptos dos rivais no último defeso foi o mercado que cada uma das formações protagonizou. Do lado leonino muitos adeptos certamente já não recordam a onda negativa que acolheu algumas aquisições, por parte dos “especialistas de teclado”.

Do lado do Benfica, e num momento em que ao desempenho colectivo abaixo das expectativas se soma um surto COVID que faz o plantel “encarnado” parecer curto, há muitos que perguntam pelos resultados dos “100 milhões” que o clube alegadamente investiu na nova época. É neste contexto que decidimos comparar o desempenho dos reforços de ambas as equipas para esta temporada, nomeadamente os quatro casos contextualmente comparáveis, acompanhados de um “bónus” que, não cumprindo totalmente os critérios, não deixa de ser interessante. Vamos a isso?

Zouhair Feddal 🆚 Jan Vertonghen

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Desempenhos (quase equivalentes) para recepções bastante diferentes. Jan Vertonghen chegou com o estatuto de grande reforço “encarnado”, ainda que a “custo-zero”, sendo aliás apontado por muitos comentadores como candidato a figura-maior da Liga na sua posição, na época que se avizinhava. Já Zouhair Feddal chegou a Alvalade com a pesada herança de suceder a Mathieu, por 2,15 milhões e sem a “fama” atribuída ao belga. Volvidas 15 jornadas o desempenho de ambos é discutido taco-a-taco, com uma diferença de rating sem expressão mas com vantagem para o marroquino no plano ofensivo: Zouhair não só se mostra mais na hora de dar sequência a lances de bola parada, como é um dos únicos dois centrais da Liga com duas assistências para golo (o outro é o portimonense Willyan). Já Vertonghen ainda procura replicar na Liga o que já conseguiu na Liga Europa: somar a sua primeira acção para golo.

Pedro Porro 🆚 Gilberto Júnior

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Neste caso ambos os jogadores foram acolhidos com igual cepticismo, mas apenas um já se libertou desse espectro. Se Pedro Porro gerou um “torcer de nariz” viral à custa do seu estatuto de emprestado e da indumentária com que se apresentou pelos “leões”, Gilberto desde a primeira hora gerou a desconfiança por vezes atribuída às paixões brasileiras de mercado de Jorge Jesus.

No caso do espanhol as desconfianças não só estarão ultrapassadas, como é já um dos favoritos dos adeptos outrora reticentes, muito por culpa da sua influência ofensiva (quatro acções para golo na Liga e ainda um tento que deu título, na Allianz Cup), que compensa a sua menor eficácia de passe, 71% contra 84% de Gilberto, dado este que muito contribui para um registo de 30% de posses perdidas, contra 20% do brasileiro. Um “calcanhar de Aquiles” que passa certamente despercebido aos adeptos, na fase de acutilância ofensiva que o espanhol vai protagonizando.

Já o brasileiro vive o contexto inverso: os seus números são “certinhos”, ainda que mais no plano defensivo que ofensivo (embora some uma assistência) e não tem sido certamente pelo seu corredor que o Benfica tem protagonizado as suas maiores falhas defensivas, mas isso de pouco lhe vai valendo no ora impiedoso ora “cego” tribunal do adepto.

Nuno Santos 🆚 Everton “Cebolinha”

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Este é provavelmente o comparativo que mais surpreenderá o leitor. Pese a curta diferença nos ratings dos extremos, a verdade é que provavelmente muitos esperariam um ascendente mais claro de Nuno Santos. A explicação para essa surpresa assentará mais na tendência natural que temos para nos recordarmos apenas das recentes exibições de um atleta. Afinal, quem se recorda agora que Everton “Cebolinha” (seis acções para golo) arrancou a época de forma afirmativa (três MVPs consecutivos nos três primeiros jogos).

Os dois jogadores vivem trajectórias inversas. Nuno Santos (nove acções para golo) vai conquistando a crítica, inclusive dos adeptos que por esta altura já nem se lembram de ter questionado o acerto da aquisição e até o passado do jogador (cuja formação incluiu passagens pelo FC Porto e SL Benfica). Já “Cebolinha” é associado a um “apagão” progressivo, mas será esse entendimento justo (o jogador soma seis acções para golo) e será apenas culpa do jogador? A questão impõe-se, quando percebemos que o Everton “encarnado” é muito diferente do “Cebolinha” do Grémio, sobretudo na forma como a frequência de remate e passe para finalização parecem ter trocado de peso, quando comparamos os registos actuais do jogador com os que trouxe do Brasileirão.

[Os números de Everton, quando chegou chegou ao Benfica, revelam um “Cebolinha” diferente daquele que se tem visto no Benfica ]

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Pedro Gonçalves 🆚 Luca Waldschmidt

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Quem diria? É certo que Pedro Gonçalves protagonizou uma época muito promissora pelo Famalicão, mas a produção ofensiva e adaptação do português a terrenos mais adiantados extravasam em muito as previsões mais optimistas, ao ponto de colocarem “Pote” a “golear” Luca Waldschmidt no GoalPoint Rating, isto apesar de o germânico ser claramente um reforço com impacto positivo (oito acções para golo, menos de 100 minutos por cada) nos “encarnados”. Há semanas que os arautos da desgraça prevêem uma quebra de Pedro Gonçalves, mas, apesar das ameaças, a queda tarda, mesmo sendo clara e quantificável a sobreprodução ofensiva do jogador.

Luca apresenta a curiosidade de até acompanhar alguns indicadores quantitativos de “Pote”, em particular a frequência de remate e apetência pela oferta de passes ofensivos para os últimos 25 metros em redor da baliza, mas a distância é cavada na hora de medir a “veia goleadora” de cada um dos jogadores que, olhando os “heat maps”, até pisam terrenos muito semelhantes.

Tiago Tomás 🆚 Darwin Nuñez

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Um comparativo em parte “batoteiro” pois Tiago Tomás não só não é um reforço chegado de fora, como até já alinhou pela equipa principal em 19/20, mas faltava alguém para permitir um comparativo com a mais cara contratação da história da Liga portuguesa, Darwin, e a verdade é que “TT” só subiu formalmente à equipa principal neste ano.

Posto isto, não deixa de ser surpreendente ver um jogador tão jovem, que saltou inclusive etapas que seriam naturais na sua afirmação como profissional, bater-se tão bem ao nível de desempenho com um jogador que chegou com as expectativas de Darwin, mesmo tendo em conta que existe já um fosso considerável na hora de contabilizar acções para golo (três contra nove).

Se por um lado Darwin se destaca, de forma algo imprevista, mais pelos golos que dá a marcar do que propriamente pelo seu aproveitamento de remate, Tiago Tomás mostra-se “especial” pela forma como conquista bolas paradas a favor dos “leões”, a um ritmo que não deve ser ignorado. Existe, no entanto, um pormenor em que necessitam melhorar: ambos apresentam uma taxa de concretização de ocasiões flagrantes de golo demasiado baixa para as ambições dos “grandes” lisboetas (20% para Tomás, 27% para Darwin). Ainda relativamente a Darwin, vale a pena conferir a análise individual dos seus Expected Goals, acabada de publicar.

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