O GoalPoint comparou esta quinta-feira o desempenho do Benfica de Rui Vitória nas primeiras dez jornadas da Liga NOS 2015/16 com o de Jorge Jesus campeão, no mesmo período da época passada. Esta sexta-feira chega a vez de colocarmos lado-a-lado a produção do “leão” de Jesus (novamente líder) com o de Marco Silva, pela mesma altura. Conclusões previsíveis? Talvez sim, talvez não, o ideal será ler esta análise até ao fim.

Marco Silva ocupava por esta altura o oitavo lugar da Liga NOS, há um ano. Só por isto sentíamo-nos tentados a “fechar na gaveta” este comparativo, mas em boa hora não o fizemos porque sabemos que nem sempre os pontos encontram correspondência no que as equipas jogam, e mesmo quando tal sucede os números ajudam-nos a perceber melhor o porquê das coisas. Vamos então a isso, começando primeiro pela bola jogada e, mais abaixo, pelo que ambos os “Sporting” tiveram ao nível do apito, no mesmo período.

Sporting: Jorge Jesus 2015/16 vs Marco Silva
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Apesar de tudo os números não são tão surpreendentes (nem o podiam ser, dado o diferencial classificativo) como o comparativo de quinta-feira, e ainda menos o são para quem acompanha o Barómetro Semanal GoalPoint. Confirma-se o que já se sabia: o Sporting de Jesus até pode ganhar menos duelos e desarmar com menor eficácia que os rivais e que o do seu antecessor, mas alguma (muita) coisa estará a fazer certa no processo defensivo, pois permite menos passes para ocasião, menos remates enquadrados logo menos golos, música para os ouvidos dos adeptos leoninos que defendam a teoria de que é numa boa defesa (entenda-se todo o processo) que nasce um campeão.

No plano ofensivo as diferenças são menos notórias a não ser na qualidade do passe, maior com Jesus mas ainda assim menos acutilante do que com Marco Silva, com o qual o Sporting fazia mais passes para ocasião por jogo, obtendo também maiores resultados: por esta altura os “leões” somavam já 14 assistências, contra apenas nove esta época. Como atenuante surge o facto de Jesus não só não contar com Nani como também não poder utilizar André Carrillo, o rei das assistências leoninas na Liga nas últimas duas épocas. Em golos diferença mínima: 19 para Jesus, 18 para Marco.

Por fim a eficácia de remate (remates enquadrados) e concretização, maiores com Jesus, mas convém ter em conta um dado que focaremos a seguir e que concorre significativamente para a superioridade neste capítulo: dos 19 golos marcados até agora pelos “leões” quatro foram obtidos de grande penalidade, o que influencia de forma clara estas percentagens.

E NO QUE TOCA AO APITO?

Se no comparativo de quinta-feira, entre Vitória e Jesus, as diferenças no que toca a decisões de arbitragem eram ténues (apenas nos foras-de-jogo e cartões amarelos vistos se notavam diferenças significativas), já no comparativo Jesus vs Marco Silva as diferenças são muito mais vincadas e interessantes de constatar:

Sporting: Jorge Jesus 2015/16 vs Marco Silva
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Seja pelo modelo de jogo, seja pela composição do plantel ou por outros factores que os adeptos das teorias da conspiração tanto gostam de identificar (mas cujo peditório não alimentamos, por uma questão de princípio e forma de olhar o futebol), é notória a vantagem do Sporting de Jesus para o de Marco Silva no que concerne à geração de decisões de arbitragem em teoria favoráveis, com excepção dos cartões amarelos recolhidos pelo adversário, onde o Sporting 2014/15 sai por cima.

Uma das razões que poderia explicar esta diferença poderia passar por um maior pendor ofensivo leonino com Jorge Jesus, mas como já vimos anteriormente isso não sucede (a não ser pela qualidade de circulação), com o Sporting a realizar menos passes para ocasião e menos remates do que na época passada.

Tudo isto é interessante, “bonito” e passível de estudo, mas os factos resumem-se a uma ideia: o “mestre da táctica” ocupa o primeiro lugar, assim como o ocupava há um ano, e consegue-o mesmo sem se superiorizar estatisticamente de forma transversal a quem com ele se compara.

Na próxima semana, e porque gostámos de realizar estas análises, faremos semelhante exercício focado no desempenho de Julen Lopetegui, o treinador que diz “nada ter a aprender com estatísticas”, mas que certamente nos trará números tão interessantes como os que analisámos nestes dois artigos.