à 21ª Jornada, o Sporting registou a sua primeira derrota na Liga NOS 17/18. A “besta negra” foi o Estoril de Ivo Vieira, que começa finalmente a capitalizar a boa qualidade do seu plantel em pontos.

Se para muitos esta terá sido uma grande surpresa – o próprio Jorge Jesus admitiu que não era na Amoreira que esperava perder pontos, – uma consulta atenta dos dados estatísticos poderia ter ajudado a encarar o jogo de outra forma. É que, mesmo após a partida, o Estoril tem mais remates efectuados e menos remates permitidos que o Sporting, no presente campeonato.

[vc_table vc_table_theme=”simple”][bg#000000;c#ffffff],[align-center;bg#000000;c#ffffff]Estoril%20Praia,[align-center;bg#000000;c#ffffff]Sporting|Remates%20efectuados,[align-center]13%2C9,[align-center]12%2C8|%25%20Remates%20convertidos,[align-center]6%2C9%25,[align-center]15%2C7%25|Remates%20permitidos,[align-center]10%2C9,[align-center]11%2C0|%25%20Remates%20defendidos,[align-center]62%25,[align-center]81%25[/vc_table]

Médias por jogo na Liga NOS 17/18 (Fonte: GoalPoint / Opta)

Só Porto, Benfica e Braga, conseguem superar o Sporting nestes parâmetros, para lá dos “canarinhos”. O que, até aqui, separava claramente as duas equipas era a eficácia, tanto ofensiva, como defensiva.

Rui Patrício defende 81% dos remates enquadrados que vão à sua baliza, um dos melhores registos a nível europeu, enquanto no Estoril esse número se situa nos 62%. Ora está aí um dos grandes upgrades recentes do clube da “linha”: o guarda-redes. É que, enquanto o antigo titular, Moreira, defendia 57% dos remates, o brasileiro Renan Ribeiro, titular nos últimos quatro jogos, regista uma eficácia de 82% de remates defendidos, registo que, neste momento, é até superior ao de Rui Patrício.

Ofensivamente, o Sporting converte em golo mais do dobro dos remates do Estoril, mas o grande responsável por isso, Bas Dost, que concretiza quase 50% dos disparos que faz, não estava ontem em campo. Doumbia e Montero, os avançados de ontem, já somam 11 remates na Liga NOS sem registo de qualquer golo.

E a equipa parece mesmo não ter percebido que o holandês não estava em campo. É que, se o Sporting é a equipa que mais cruza no campeonato – cerca de 24 vezes por jogo, entre cantos e cruzamentos – e isso faz todo o sentido quando Bas Dost lá está, ontem ter-se-ia pedido uma mudança na forma de atacar, mas isso esteve longe de acontecer.

Foram 42 os cruzamentos efectuados pelos “leões”, quarto registo mais alto da Liga NOS 17/18, e 36 deles resultaram, na falta do seu verdadeiro homem de área, em perdas da posse de bola.

[vc_table vc_table_theme=”simple”][align-center;bg#000000;c#ffffff]%23,[bg#000000;c#ffffff]Equipa,[bg#000000;c#ffffff]Advers%C3%A1rio,[align-center;bg#000000;c#ffffff]Cruzamentos%20falhados,[bg#000000;c#ffffff;align-center]Efic%C3%A1cia|[align-center]1,Belenenses,Pa%C3%A7os%20de%20Ferreira%20(C),[align-center]38,[align-center]19%25|[align-center;bg#31b287;c#ffffff]2,[bg#31b287;c#ffffff]Sporting,[bg#31b287;c#ffffff]Estoril%20(F),[align-center;bg#31b287;c#ffffff]36,[align-center;bg#31b287;c#ffffff]14%25|[align-center]3,Vit%C3%B3ria%20Set%C3%BAbal,Mar%C3%ADtimo%20(C),[align-center]35,[align-center]15%25|[align-center]4,Moreirense,Mar%C3%ADtimo%20(C),[align-center]35,[align-center]8%25|[align-center]5,Pa%C3%A7os%20de%20Ferreira,Portimonense%20(C),[align-center]34,[align-center]29%25[/vc_table]

(Fonte: GoalPoint / Opta)

Só por uma vez, uma equipa tinha falhado tantos cruzamentos num jogo da Liga NOS. Foi o Belenenses, na Jornada 14, com duas diferenças. Os “azuis” do Restelo tinham em campo o seu “target man”, Maurides, um dos melhores da Europa no jogo aéreo, e acabaram por registar uma eficácia de 19%.

Estranha-se por isso que, no final do jogo, Jorge Jesus tenha garantido que o jogo foi bem preparado. O Sporting adoptou uma forma de jogar que ignorou as características dos jogadores que tinha em campo, algo que tem sempre tendência para correr mal.

A forma como vai lidar com a ausência de Bas Dost neste tipo de jogo é, talvez, o grande desafio táctico que Jorge Jesus tem pela frente esta época. Fingir que ele lá está, como aconteceu no jogo de ontem, será o primeiro passo para o insucesso de uma época que já vinha a dar sinais desinteressantes.