Supertaça: Penaltis disfarçam ataque órfão

O Benfica conquistou a sua quinta Supertaça, a primeira desde 2005, dominou, criou oportunidades, mas notou-se a ausência da capacidade ofensiva da época passada.

Artur poderia ter marcado o pior mas sobressaiu pelo melhor, ao definir o resultado das grandes-penalidade a favor do Benfica (fonte: arturmoraes.com)
Artur poderia ter marcado o pior mas sobressaiu pelo melhor, ao definir o resultado das grandes-penalidade a favor do Benfica (fonte: J. Trindade)

Os comandados de Jorge Jesus continuam em festa. Após a “tripla” da época transacta, o Benfica arrancou para 2014/15 com mais um troféu, a Supertaça Cândido de Oliveira. Olhando para o final da temporada finda parece que nada mudou, mas a verdade não é bem essa. A razia que o plantel benfiquista sofreu fez-se sentir neste jogo com o Rio Ave mais do que à primeira vista se possa imaginar.

Jesus disse que, das três “finais” com o Rio Ave, esta foi “aquela em que o Benfica mostrou maior superioridade”. E não foge à realidade. O domínio “encarnado” foi absoluto desde o início e de certa forma surpreendente, face ao que a equipa produzira nos jogos de pré-temporada. A formação de Pedro Martins via jogar o seu adversário e ao intervalo já a “águia” somava 68% de posse de bola contra 32% dos vila-condenses. Nos remates à baliza o Benfica apresentava já 18 tentativas (números normais para 90 minutos, e não apenas 45) contra dois disparos contrários – 4-0 em remates enquadrados com a baliza, onde Cássio esteve em grande plano. Quatro cantos contra zero era o registo das duas formações.

 

De certa forma estes números explicam-se com a incapacidade do Rio Ave em sair para o ataque, nomeadamente devido ao posicionamento do brasileiro Talisca. Na pré-época, o médio havia ocupado a habitualmente denominada de “posição 8”, mas tal como o GoalPoint referiu na análise ao reforço benfiquista, este não se dá bem com tarefas defensivas, pelo que mal Enzo Pérez regressou à equipa, Talisca subiu no terreno e actuou como segundo avançado, entre as linhas do Rio Ave, baralhando as marcações e empurrando o adversário para trás.

A pressão benfiquista prosseguiu no segundo tempo. E também no prolongamento. Investidas pela direita, pelo centro, pela esquerda, oportunidades de golo, algumas claras, mas o 0-0 persistiu. No final a mesma percentagem de posse de bola, mas 32 remates contra cinco, 11-3 nos tiros enquadrados, 12-5 em cantos para os homens da Luz e 11 defesas de Cássio contra duas apenas de Artur. Artur que foi “rei” nas grandes penalidades e disfarçou o óbvio. Ao Benfica faltou os níveis de produção ofensiva da época passada, ou seja, os 72,3% do peso que Rodrigo, Óscar Cardozo, Ezequiel Garay, Lazar Markovic e Guilhermo Siqueira tinham na hora de assistir ou finalizar para golo. Mas no final da história, a festa “encarnada” continuou.