Supertaça UEFA: A vitória dos melhores no “toca e foge”

Numa final disputada a muito bom ritmo para esta fase da época os "merengues" superiorizaram-se com naturalidade sob a liderança do decisor do costume.

Ronaldo regressou em grande à competição após um Mundial para esquecer (foto: Maxisport/Shutterstock)
Ronaldo regressou em grande à competição após um Mundial para esquecer (foto: Maxisport/Shutterstock)

Pela direita (39%), pelo meio (32%) ou pela esquerda (29%) o Real Madrid ataca como quer porque tem Ronaldo, Bale e Benzema, três homens que jogam em qualquer lado do ataque, sem posição fixa, por estratégia e características individuais, o que baralha qualquer adversário.

E foi isso que esteve na base do triunfo do Real Madrid na Supertaça Europeia frente ao Sevilha, uma equipa bem armada, mas sem velocidade de ponta para colocar trancas à porta quando perdia a bola sempre que colocava um pé no meio-campo contrário. Por outras palavras, o vencedor da Liga Europa encurtava linhas em posse o que pode ser visto como um erro – com uma equipa mais comprida teria mais possibilidades de anular o trio atacante do campeão europeu.

Em três, quatro toques, o Real Madrid colocava a bola à entrada da grande área de Beto e foi assim, por exemplo, que surgiu o primeiro golo. Bale, que começou na direita, recebeu passe na esquerda e cruzou exemplarmente para Ronaldo, que iniciou o jogo na esquerda, concluir ao segundo poste. Um dinamismo quase impossível de travar. Ronaldo, diga-se, nem foi o mais rematador: seis disparos (quatro à baliza) contra sete de Bale, que tudo fez para marcar em casa.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: madridismo.org/Shutterstock infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (foto: madridismo.org/Shutterstock infografia: GoalPoint)

Depois, com Kroos no meio-campo, ao lado de Modric, o miolo “merengue” ganhou (ainda mais) critério. O alemão emprestou ao Real Madrid um pouco do “tiki-taka” de Guadiola (como é irónico o destino) mas o ADN deste Real Madrid passa muito pelo assalto à baliza contrária sempre que ganha a bola no seu reduto defensivo – em futebolês, transições rápidas.

E a maneira como o jogo se decidiu até deixa para segundo plano a posse de bola; 59% para os “merengues” e 41% para ao andaluzes. Não foi por ter mais bola que o Real Madrid marcou. Neste capítulo, voltemos a Kroos; 85 passes, 96% de eficácia. Mas com tendência para diminuir estes números, pois um jogador não faz uma equipa, ainda por cima uma equipa de toca e foge.

O Sevilha explorou as suas possibilidades mais pela direita, numa estratégia previamente traçada e que deve ter tido como inspiração a selecção portuguesa no Mundial. Porém, ao contrário do que sucedeu com a equipa das quinas, Ancelotti encontrou antídoto para precaver o desequilíbrio defensivo provocado por Ronaldo no lado esquerdo; James e Modric foram os guarda-costas perfeitos para o português e aqui talvez se explique o menor fulgor do colombiano e a pouca influência do croata na construção, pelo menos comparado com Kroos.

Os andaluzes revelaram pouca maleabilidade em modificar a estratégia inicial até porque Denis Suárez, como interior-esquerdo, estava particularmente inspirado e deixava em dificuldades o lateral Carvajal.

Refira-se, no que toca às individualidades, do Sevilha, Diogo Figueiras, que com três remates foi o que mais tentou visar a baliza de Casillas. E entrou em campo… aos 84 minutos.

Ainda assim, Cardiff assistiu a uma final de início de época entre duas equipas de muita qualidade. Só assim se pode justificar a eficácia de passe de Real Madrid (90%) e Sevilha (81%). Simplesmente venceu quem tem os melhores intérpretes. E o melhor de todos foi Ronaldo.