Taça: Os mais influentes “dragões” e “leões”

Em véspera de clássico decisivo para a Taça de Portugal identificámos os elementos mais influentes nas primeiras sete jornadas da Liga, à atenção de Lopetegui e Marco Silva.

Jackson e Carrillo são duas das mais perigosas soluções de "dragões" e "leões" para o clássico de sábado (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Jackson e Carrillo são duas das mais perigosas soluções de “dragões” e “leões” para o clássico de sábado (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O “clássico” é decisivo. Apesar de ainda correrem os primeiros capítulos da época 2014/15, entre Porto e Sporting um deles ficará pelo caminho prematuramente na Taça de Portugal, a segunda prova mais importante a nível interno.

Os dados relativos ao primeiro embate entre os dois rivais são tudo menos conclusivos, prenunciando equilíbrio e resultado incerto. O primeiro duelo teve lugar em Alvalade mas o palco será agora o Estádio do Dragão, local onde os “leões” há muito não vencem. Os dados específicos relativos à prova em disputa dão claro favoritismo aos portistas: o Sporting visitou os “azuis-e-brancos” por 16 vezes para a Taça, vencendo apenas quatro encontros. Mas mais do que os dados históricos são os de desempenho recentes que permitem antever com maior acerto o que poderá render o jogo do próximo sábado.

“Leões” mais goleadores (e mais cooperativos)

O desempenho ofensivo global de ambas as equipas nas primeiras sete jornadas da Liga dá vantagem aos “leões” em todas as variáveis analisadas. O Sporting marcou mais golos (13 contra dez), rematou melhor (35% contra 31% em remates enquadrados) e foi mais certeiro (11% dos remates resultaram em golo contra 9% dos “dragões”). Mas a maior curiosidade deste domínio leonino assenta numa variável cuja liderança seria, provavelmente, mais expectável no “tiki-taka” de Lopetegui (como lhe chamou recentemente Alex Sandro): dez dos 13 golos “verde-e-brancos” surgiram através de assistências, contra apenas seis (em dez) dos portistas, isto apesar do jogo de posse e circulação que tem caracterizado o futebol “azul-e-branco”.

Clique na Infografia para ler em detalhe (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Clique na Infografia para ler em detalhe (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Jacksondependência vs. Carillomania

Analisando os jogadores que maior peso tiveram nos golos obtidos pelas duas equipas até ao momento, sobressai de imediato a importância de Jackson na produção do FC Porto: 50% dos golos portistas foram marcados ou assistidos pelo colombiano, seguindo-se-lhe Brahimi e Quintero com 20% de intervenção nos dez tentos obtidos. Uma centralização de influência preocupante, tenha o Sporting capacidade para anular a influência do avançado, algo que não constitui tarefa fácil sobretudo tendo em conta as fragilidades leoninas no eixo central da defesa.

Já no Sporting não deixa de ser curioso perceber a presença do “mal-amado” André Carrillo como segundo homem mais influente nos golos leoninos. Se a liderança de Slimani não oferece surpresa, seria de esperar uma maior preponderância de outros “leões”, nomeadamente de Nani cujo papel de liderança na manobra ofensiva sportinguista não encontra tradução proporcional na hora de perceber quem mais contribuiu para os golos “verde-e-brancos”. Nani participou em apenas 15,4% dos golos, tanto como Adrien, João Mário, Jefferson e até Montero, apesar de ser (de longe) o mais rematador “leão”, com 25 remates (seguido de longe por Slimani com apenas 17).  Já o muitas vezes criticado peruano Carrillo (que já na época passada se sagrou o jogador do Sporting com mais assistências, oito, apesar da titularidade intermitente) persegue o peso do argelino nos golos do Sporting, fruto dos três golos e uma assistência já amealhados.

No plano teórico fica a ideia de que o Sporting conta com uma noção mais clara de quem personifica o perigo “azul-e-branco” enquanto os “dragões” necessitam distribuir as suas cautelas por um maior número de jogadores leoninos com intervenção comprovada na produção ofensiva sportinguista. Aguardemos pelo jogo de sábado para confirmar estas tendências ou descobrir novos “influentes”, em mais um capítulo da história de um “clássico” eterno do futebol português.