Táctica: Basileia, relógio suíço para “dragão” desmontar

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Paulo Sousa chegou aos actuais penta-campeões suíços vindo do Maccabi Telavive, orientando o emblema israelita rumo ao título na época passada.

O técnico português assumiu o compromisso de elevar as exigências dos adeptos. O título por si só será insuficiente, uma vez que o Basileia nas épocas anteriores atingiu os quartos e as meias-finais da Liga Europa. Paulo Sousa implementou um modelo de jogo ímpar no futebol suíço, procurando elevar o nível de jogo do Basileia, transformando-o num estilo ofensivo, dominador e característico de um grande emblema europeu. Um processo de transformação que foi rapidamente alcançado, com o clube suíço a passar a fase de grupos no segundo lugar, contra todas as expectativas.

Uma equipa que rapidamente varia de um 4x3x3 para um 4x2x3x1 e 4x4x1x1.

“Onze” tipo do Basileia, 4x2x3x1 que se pode transformar em 4x4x1x1
“Onze” tipo do Basileia, 4x2x3x1 que se pode transformar em 4x4x1x1

PROCESSO DEFENSIVO

Poucos são os conjuntos que se podem orgulhar de exercer pressão sobre os seus adversários de forma tão eficaz como o Basileia o faz.

Paulo Sousa coloca a sua equipa a pressionar alto e com um bloco compacto, uma característica que persiste no meio-campo defensivo. Com as linhas próximas, Paulo Sousa prima pela consistência defensiva e pela organização táctica.

A linha ofensiva é a primeira a defender. O avançado perturba a primeira fase de construção adversária, tendo a companhia do interior-esquerdo. No sector intermédio, o interior-direito junta-se ao “trinco”, formando uma dupla de pivots-defensivos.

A pressão alta obriga as equipas contrárias a adoptarem um estilo mais directo, privilegiando a estatura física do sector mais recuado da equipa suíça. O “trinco” aproxima-se dos centrais e juntos apresentam uma elevada capacidade para ganhar os duelos aéreos. Nota ainda para a solidariedade defensiva dos extremos, que baixam no terreno para ajudar os laterais. Para fazer face ao jogo interior das equipas adversárias, um dos laterais pode funcionar como terceiro central, sendo o extremo desse corredor responsável por assumir o papel de ala.

O Porto pode desequilibrar o Basileia se conseguir ultrapassar a primeira zona de pressão e romper no espaço entre os sectores, fazendo a diferença através do seu jogo interior para depois largar nos extremos.

NA HORA DE ATACAR

Do ponto de vista ofensivo, Paulo Sousa transformou as individualidades que tinha ao seu dispor num conjunto capaz de fazer frente a grandes equipas europeias. Prova disso foram os jogos frente ao Real Madrid e Liverpool, onde o emblema suíço manteve a sua identidade e apresentou números muito interessantes, como por exemplo os mais de 80% de eficácia de passes.

Começando de trás para a frente, o clube suíço opta por sair em posse na sua primeira fase de construção, sentindo-se confortável a começar a construir a partir dos centrais, que contam com a descida dos médios-centros para assumirem o jogo, não faltando linhas de passe. Os laterais assumem um papel determinante no processo de organização ofensiva, oferecendo profundidade aos seus flancos, através de Safari na esquerda e Xhaka na direita.

A mobilidade posicional é uma das armas deste conjunto. Frei e Elneny comandam as operações a partir do centro do terreno. O médio suíço Frei é um dos ponteiros deste relógio suíço. Defensivamente é um dos pilares da equipa e ofensivamente apresenta uma eficácia de passe acima dos 80%.

O interior-esquerdo, normalmente Zuffi, assume o papel de organizador no momento ofensivo, subindo no terreno para jogar mais no apoio ao ponta-de-lança, Streller, jogando preferencialmente sobre a esquerda. Este posicionamento faz com que o extremo-direito, Derlis, apareça muitas vezes em zonas interiores, abrindo espaço para a subida do lateral. Zuffi completa o relógio do Basileia. Um médio com grande inteligência táctica e capaz de compreender os vários momentos do jogo.

Com esta dinâmica ofensiva, o Basileia consegue explorar o espaço entre os sectores adversários, tirando depois partido da capacidade individual dos homens da frente. Um movimento habitual é a descida de Streller para procurar jogo, com os extremos e o médio-ofensivo a aparecerem no seu espaço de acção, surpreendendo os adversários.

Gashi, extremo-esquerdo, é o melhor marcador com 12 golos em todas as competições. Um esquerdino veloz que aproveita bem os espaços que lhe são concedidos, aliando ainda um forte remate e uma excelente capacidade de execução de bolas paradas.

O Porto deve ter muita atenção ao ataque posicional do Basileia e à rotação que a equipa imprime em campo, dificultando as marcações através da mobilidade e da criação constante por linhas de passe. Zuffi, Derlis e Gashi devem ser seguidos de perto para não terem espaço e evitar que desequilibrem. Streller, dentro da área sem oposição, pode fazer a diferença entre a eliminação ou a passagem aos quartos-de-final.

http://youtu.be/Luee-eBvFV0

O Basileia é hoje uma equipa versátil, capaz de impor o ritmo do seu jogo e manter uma identidade própria, à imagem do seu treinador, Paulo Sousa.

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Pedro Ferreira
Pedro Ferreirahttps://goalpoint.pt
Co-fundador da GoalPoint Partners, em 2014. Desempenhou entre 2011 e 2013 os cargos de Secretário-Geral da SAD do Sporting Clube de Portugal, Director da Equipa B e da Academia Sporting.
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