Táctica: Brasil vs. Alemanha, acerto de contas antigas

Scolari guardará boas memórias da selecção germânica, enquanto seleccionador brasileiro, pois foi precisamente frente à “mannschaft” que conquistou o título de campeão do Mundo que lhe abrilhanta o curriculum, em 2002. Após 12 anos a realidade é diferente e os germânicos não deixarão de tudo fazer para aproveitar a oportunidade de, no próprio reduto dos “canarinhos”, ajustar contas antigas e marcar presença na final do Mundial. Analisamos as forças e debilidades dos conjuntos que disputam um lugar na história.

 

1. A “Mannschaft”

 

(figura 1 - o esquema inicial de Joachim Low)
(figura 1 – o esquema inicial de Joachim Löw)

O ataque

 

(figura 2 - o envolvimento ofensivo germânico)
(figura 2 – o envolvimento ofensivo germânico)

Tendo como dinâmica de jogo predominante no momento ofensivo a elevada posse de bola, a “Mannschaft” assenta o seu futebol sobretudo num ataque posicional, onde as constantes trocas de bola, aliadas à excelente técnica de condução de bola do trio da frente (T.Kroos, M.Özil, T.Müller), dizimam qualquer bloco defensivo adversário. Na construção baixa a equipa circula a bola pela defesa, sendo que se necessário, B. Schweinsteiger coloca-se entre os centrais para dar largura e aumentar a capacidade de construção de jogo. S. Khedira joga como médio box-to-box que tanto defende junto à grande área alemã como aparece nos espaços vazios na frente ou mesmo em situação de finalização. Nos corredores laterais T. Müller dá uma verticalidade e capacidade de finalização muito acima da média, enquanto M. Özil confere uma criatividade e técnica de passe extraordinárias. A ponta-de-lança joga M. Klose, um finalizador nato, atleta que, apesar de já ser um veterano, dá aos germânicos presença na área e, sobretudo, muita experiência a uma selecção renovada por jovens valores.

 

A defesa

 

(figura 3 - a manobra defensiva teutónica)
(figura 3 – o posicionamento defensivo dos teutónicos)

A Alemanha defende por norma em 1-4-4-2 com bloco alto e à zona. Sendo que S. Khedira e B. Schweinsteiger são dois jogadores bastante agressivos no pressing, a Alemanha é bastante compacta no seu momento defensivo, sobretudo quando os jogadores têm tempo de recuperar a sua posição. O posicionamento de T. Kroos nas costas de M. Klose dá à Alemanha uma solidez no meio-campo bastante grande e, sobretudo, a capacidade de pressing ofensivo e bastante focalizado na defesa contrária e na fase de construção baixa da mesma.

 

Os pontos fortes

O grande ponto forte desta equipa é, sem dúvida, a sua excelente qualidade técnica quer na condução de bola quer no passe curto. A posse de bola feita por esta equipa, apesar de por vezes demorar algum tempo, tem sempre um objectivo definido e pensado. Outro ponto forte dos germânicos é as bolas paradas, sendo que possuem dois centrais muito fortes fisicamente. Com a inclusão de B. Höwedes a defesa-lateral esquerdo, os germânicos têm uma estatura muito elevada e uma capacidade de finalização em cantos e outros esquemas tácticos bastante grande.

As fraquezas

Ao ser pressionada de forma agressiva e organizada na sua construção baixa (sobretudo S. Khedira e J. Boateng), a Alemanha revela bastantes dificuldades, sobretudo se M. Hummels e P. Lahm estiverem bem cobertos. Por outro lado, os alemães revelam lentidão no seu shift vertical após a perda de bola e depois dos cantos, o que dá tempo e espaço para os seus adversários efectuarem um contra-ataque.