Táctica: Brasil vs. Alemanha, acerto de contas antigas

-

2. A “Canarinha”

 

(figura 1 – o esquema inicial de Joachim Löw)

 

O ataque

 

(figura 2 – a forma como o Brasil parte para a ofensiva)

Ao contrário de outros tempos, a selecção brasileira aposta, sobretudo no seu momento ofensivo, no passe longo (por David Luiz principalmente), por norma em direcção ao seu jogador-alvo Fred. Ao jogar, porém, com Fernandinho, os “canarinhos” ganharam alguma qualidade na construção baixa, nomeadamente nos capítulos do passe curto e visão de jogo, visto que L. Gustavo apenas joga para equilibrar a equipa defensivamente.
Na fase de construção alta ou de criação surgem jogadores como Oscar (joga como falso extremo) e Hulk (como extremo-direito), que são muito verticais e têm uma técnica de condução de bola e drible imbatíveis. Ambos os jogadores, porém, tendem a flectir para o centro do terreno, obrigando os defesas-laterais a subir bastante também. O grande pensador de jogo desta equipa é Hernanes, jogador ambidextro com uma cultura táctica enorme, ou não jogasse ele em Itália.

 

A defesa

 

(figura 3 – a ocupação de espaços dos “canarinhos” na hora de defender)

Os brasileiros defendem num 1-4-4-2 bloco médio que é bastante agressivo, tentam sempre ganhar os duelos aéreos assim como as segundas bolas. L. Gustavo é um autêntico “cão de caça” que surge no meio-campo “canarinho” e que na recuperação de bola é muito forte. Fernandinho, apesar de não ser um “trinco” puro, desempenha um papel importantíssimo no momento defensivo, que é o de ter um posicionamento táctico irrepreensível, o que se nota na basculação horizontal da equipa. Os dois extremos e avançados quase não defendem nem pressionam.

 

Os pontos fortes

O ponto forte desta equipa são os seus jogadores, isto é, o Brasil será a selecção em prova que provavelmente tem um plantel mais forte tecnicamente e sobretudo com mais soluções para o meio-campo. Além deste facto, a selecção “canarinha” tem ainda jogadores como Oscar, Hulk, Bernard ou mesmo Willian que num lance de genialidade podem resolver qualquer jogo. David Luiz aparece também neste segmento ao ser um exímio executante de bolas paradas.

Os pontos fracos

Como ponto fraco desta equipa temos o facto de, quando o treinador Luiz Felipe Scolari mexe na equipa, esta demora demasiado tempo a adaptar-se às mudanças tácticas, ficando muitas vezes completamente descompensada. Por outro lado, a passividade que surge perto da grande área brasileira, normalmente no centro do terreno, deixa os mesmos muito fragilizados e expostos a remates de meia distância.

 

Miguel Pontes
Miguel Pontes
Engenheiro civil de formação, actualmente na Deloitte, tem dado sequência à sua paixão pela vertente técnica e táctica do futebol, com passagens pelo CF Benfica (Scouting), SG Sacavenense (como técnico adjunto nos sub19 e posteriormente na área de scouting) e colaborações com a Belenenses SAD e diversos agentes.
GoalPoint

GRÁTIS
BAIXAR