Táctica: Porto sem rotatividade no “clássico”

Após dois empates consecutivos no campeonato, o Porto desloca-se a Alvalade. Vitória é fundamental para manter objectivo do título intacto.

Alvalade raramente é um destino fácil para os "dragões" (foto: J. Trindade)
Alvalade raramente é um destino fácil para os “dragões” (foto: J. Trindade)

O estado de graça terminou quando o alarme soou. Depois de uma goleada por 6-0 ao BATE, o Porto empatou sem golos em casa frente ao Boavista na ressaca da Liga dos Campeões. Julen Lopetegui voltou a apostar na rotatividade que no clássico desta sexta-feira deverá dar lugar ao equilíbrio e consistência na luta pelos três pontos. O FC Porto é o actual segundo classificado com 11 pontos, menos dois que o Benfica. A última vez que os “dragões” venceram em Alvalade para o campeonato foi em 2008/2009.

“Onze” inicial

 

O onze provável de Lopetegui em Alvalade
O onze provável de Lopetegui em Alvalade

Com uma maior ou menor rotatividade, Lopetegui parece não abdicar do seu 4x3x3 e das suas ideias de jogo. Maicon é a grande ausência do “clássico” depois de ter visto o cartão vermelho no derby portuense, e Marcano deverá ser o escolhido para render o central brasileiro. A restante defesa será certamente composta por Danilo, Martins Indi e Alex Sandro.

As dúvidas continuam no sector intermédio. Casemiro, Rúben Neves e Herrera constituem o tridente do meio-campo com mais minutos mas Evandro também pode ser uma opção válida para o papel de organizador. Brahimi e Quaresma deverão alinhar como extremos, com Óliver e Tello à espreita de um lugar em detrimento do extremo português. Na frente de ataque não restam dúvidas, o capitão e goleador da equipa, Jackson Martínez, será a referência ofensiva da equipa.

Ponto forte: Posse e circulação

 

O ponto forte do Porto 2014/15 é a posse e circulação
O ponto forte do Porto 2014/15 é a posse e circulação

O técnico espanhol tem imposto um modelo de jogo assente em princípios como a posse e circulação de bola. Este é um dos principais argumentos do Porto esta temporada, onde tem apresentado em todos os jogos uma percentagem superior a 60% de posse de bola.

As acções ofensivas da equipa portista passam por um meio-campo rotinado, intenso e dinâmico. Casemiro funciona como pivot defensivo mas assume a partir de uma posição mais recuada a função de primeiro organizador de jogo. É dos pés dele que o Porto começa a desenhar e a dar forma aos seus ataques organizados.

O sector intermédio privilegia o controlo e domínio do jogo, gerindo os ritmos do mesmo. O tridente composto por Casemiro, Rúben Neves e Herrera apresenta uma eficácia de passes acima dos 80%. Os três médios organizam a dança colectiva de movimentações que tem como protagonistas uma frente de ataque móvel, irreverente e com faro de golo, principalmente Brahimi e Jackson. Os “dragões” procuram trocar a bola no meio-campo adversário e espreitar por um espaço que a defesa contrária conceda depois de correr atrás da posse, e o avançado colombiano é perito em descobrir esse vazio. Brahimi é um jogador a ter em conta, não só pela sua qualidade técnica mas pela forma como consegue ler o jogo e criar situações de perigo de onde menos se espera.

Os laterais, Danilo e Alex Sandro, também são peças fundamentais neste jogo de paciência, embora as suas capacidades ofensivas afigurem-se como um problema na hora de recuperar posição e defender.