Táctica: Porto vs. Sporting, um “clássico” decisivo

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Domingo entram em campo “dragões” e “leões” numa luta para não deixar fugir o primeiro classificado. À entrada para a 23ª jornada as equipas encontram-se separadas por cinco pontos, mas os homens da casa parecem estar com mais fulgor que os rivais de Lisboa. Nos últimos dez jogos, FC Porto perdeu apenas por uma vez consentindo dois empates, tendo cinco vitórias e um empate desde que foi derrotado na Madeira na 18ª jornada – tem o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato a par do Benfica.

Por outro lado o Sporting CP encontra-se a sair de um período complicado em termos de resultados com quatro vitórias, duas derrotas e quatro empates nos últimos dez encontros. Contudo venceu a última partida para o campeonato e logrou uma boa exibição na Liga Europa, podendo a equipa acalmar e voltar aos seus índices de confiança normais – e nada como um “clássico” para o conseguir.

Line up duas equipas FINAL
Os “onzes” em que apostamos e a forma como se poderão encaixar

Relativamente aos “onzes” que ambas as formações deverão apresentar, apenas uma questão de cada lado. Nos “azuis-e-brancos” Óliver Torres é baixa de peso. Estava a atravessar um grande momento e a funcionar como o relógio que pauta o futebol de Lopetegui. A dúvida subsiste se jogará Evandro – o mais idêntico em termos de características de jogo –, se Rúben Neves, dando poder de choque para lutar contra o trio dos “leões”, ou se surpreenderá com a inclusão de Brahimi no miolo com Tello e Quaresma nas alas – a questão é que Brahimi é um jogador de progressão com a bola no pé, diametralmente oposto de Óliver, que é um jogador que opta quase sempre pelo passe.

No Sporting, Jefferson era o homem para lateral-esquerdo, mas por problemas disciplinares treina-se à parte, devendo entrar de início o jogador que marcou em Alvalade logo aos dois minutos na partida da primeira volta – Jonathan Silva.

DRAGÃO A CONTROLAR

Lopetegui tem o seu modelo bem assimilado, deixando de ter aquele problema no centro que tinha no início da época. Herrera e Casemiro continuam a subir de rendimento, mostrando que são a opção certa para apoiar a criatividade de Brahimi, Tello, Quaresma e Óliver. Habitualmente joga com pressão muito alta, para obrigar o adversário a jogar longo. A primeira fase de construção é feita entre os centrais e os laterais com o apoio alternadamente de Casemiro ou Herrera, e joga com o guarda-redes Fabiano sem grande dificuldade, tentando variar o centro de jogo. Isto é propositado para as equipas que pressionam alto abrirem espaço entre linhas e os movimentos interiores do médio mais ofensivo e dos extremos criarem superioridade numérica. Se o Sporting conseguir pressionar alto, mas num bloco compacto como fez em Alvalade, a equipa terá problemas (como aconteceu contra o Vitória de Guimarães recentemente, e na derrota contra o SL Benfica).

O sistema provável do FC Porto
O sistema provável do FC Porto, perante a ausência do nuclear Óliver

A estatística diz-nos que o FC Porto é muito difícil de bater em casa. Tem apenas três golos sofridos em 11 jogos, e um facto curioso – dos 52 golos até agora na Liga NOS, 11 foram marcados em casa nos últimos 15 minutos, 20 % do total. É portanto um factor a ter em conta se o resultado se mantiver nivelado até perto do fim.

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Mauro Saraiva
Mauro Saraiva
Professor de Educação Física, começou a sua actividade como treinador aos 19 anos, dedicando-se ultimamente à análise de jogo e scouting. Colabora também com a VideoObserver.
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