O Goalpoint apresentou recentemente o ranking dos jogadores da Liga NOS que mais se valorizaram na época 2014/15 em relação à temporada transacta. Uma análise sustentada no desempenho desde Agosto até agora, e tendo por base a avaliação do site Transfermarkt. O mérito primeiro de uma valorização profissional é, certamente, do jogador, mas importa olhar também para quem “conduz” os homens e tira deles o potencial que nem todos conseguem retirar.

Falamos dos treinadores. A discussão em torno do crescimento deste ou daquele atleta, quase sempre acompanhado pelo seu valor de mercado (depende do contexto individual), tem versado os méritos dos técnicos que os dirigem, uma tendência muito nossa. O elogio ou crítica ao “homem do leme” recai também neste pormenor importante, que em última instância acaba por influenciar a avaliação do seu trabalho e, muitas vezes, o próprio sucesso e na obtenção de objectivos desportivos. Mas nem sempre esta é uma causa com efeito directo, como já aconteceu noutras épocas, e nesta volta a verificar-se, embora com protagonistas diferentes.

Em temporadas de menor êxito, Jorge Jesus sustentou muito do seu crédito na valorização de atletas, quer em termos desportivos, quer financeiros. Esta época, nomes como Pizzi ou Samaris voltaram a beneficiar com o “toque de Midas” do técnico das “águias”, mas olhando para o valor de mercado, não é Jesus quem merece destaque em 2014/15.

Os “reis” da valorização dos seus atletas, no que aos “três grandes” diz respeito, são Marco Silva e Julen Lopetegui. Se outras épocas houve em que Jesus não ganhou, mas valorizou activos, desta feita parece dar-se o inverso. O treinador do FC Porto destaca-se nos números absolutos, conseguindo aumentar em 28,5 milhões de euros o valor de mercado do plantel “azul-e-branco” em 2014/15 (€208M), comparativamente com a época passada (€179,5M). Representa um crescimento de 16% – aquém, na percentagem, do seu homólogo do Sporting CP, mas já lá vamos.

Motivos para estes números? Mesmo correndo o risco de não ganhar nenhum troféu esta época, há vários factores que contribuem para este cenário. O plantel jovem à sua disposição (média de idades de 25,4 anos) e a excelente campanha na Liga dos Campeões são certamente razões imediatas, onde se destacam Yacine Brahimi, Danilo ou Herrera.

E em Alvalade? O Sporting de Marco Silva acaba a época no terceiro lugar da Liga NOS e na final da Taça de Portugal, mas o jovem técnico é o que mais conseguiu valorizar os seus jogadores em termos percentuais, com 21%, e 26,9 milhões de euros mais do que na época passada (€153,5M – €126,7M). Também aqui a juventude do plantel (média de 24,9 anos) e a participação na Liga dos Campeões terão tido peso, com destaque para a subida de William Carvalho, ou mesmo Nani e Islam Slimani e até André Carrillo e João Mário.

Então e Jorge Jesus? O treinador “encarnado”, que ajudou a uma valorização de apenas 1,3 milhões de euros (€150,8M – €149,5M), referente a somente 1%, tem contra si alguns factores, a começar com um “onze” que apresenta já alguma veterania, casos de Luisão, Júlio César, Máxi Pereira, Eliseu, Jonas ou Lima, atletas em grande destaque que tiveram quedas acentuadas por este motivo, e também pelo já elevado valor de mercado de nomes como Gaitán ou Samaris, que não permitiu uma diferença grande. Excepção total para Anderson Talisca, mas também para Salvio ou Jardel. Depois há o tardio crescimento de outros jovens, como Cristante, que custou um bom valor aos cofres da Luz e ainda procura o seu espaço. E, não menos importante, o fraco desempenho benfiquista na Champions.

OS VERDADEIROS LÍDERES

Mas o futebol luso não se resume a Benfica, Porto e Sporting, e há nomes que se destacam. Rui Vitória lidera mesmo o ranking global, com 52% de valorização do plantel à sua disposição, com relevo para Hernâni, que acabou mesmo por se transferir para o Dragão. Ou João Afonso, com uma subida de 1400% (de 100 mil euros para 1,5 milhões), bem como Cafú (233,3%) ou Bernard Mensah (185,7%).

À frente do primeiro dos “três grandes” (Marco Silva) estão ainda Pedro Martins, do Rio Ave (29%), Lito Vidigal e Jorge Simão, do Belenenses (27%), cuja mudança técnica não afectou o bom rendimento da equipa, tal como nos casos de Leonel Pontes e Ivo Vieira, do Marítimo (23%), e também Petit, do Boavista (23%). O antigo médio conseguiu, com um punhado de jogadores desconhecidos e provenientes de divisões secundárias, realizar um campeonato sem sobressaltos, o que valorizou os activos do clube. “axadrezado”. Confira a tabela completa.

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Notas metodológicas:

– Os valores de mercado referidos decorrem da informação publicada pelo Transfermarkt.

– O GoalPoint utilizou os valores de mercado atribuídos no arranque da temporada 2014/15 e os valores actualizados no final do mês de Fevereiro de 2015.

– Os valores totais contabilizados não incluem jogadores recebidos na janela de transferências de Janeiro de 2015, quer por empréstimo quer por aquisição devido ao facto do seu valor de mercado não oferecer garantias de valorização (ou desvalorização) credível pelo pouco tempo que decorreu entre o fecho do mercado e a actualização realizada pelo Transfermarkt.