Muitos odeiam, outros limitam-se a não gostar e até há quem seja indiferente. Porém, a estatística é factual e objectiva. E é nela e naquilo que os meus olhos vêem – as duas coisas são compatíveis e podem ser “amigas íntimas”, apesar de quem pense o contrário – que não tenho qualquer dúvida em dizer que o derby deste sábado é fundamental para o Sporting, uma espécie de tudo ou nada para a equipa de Jorge Jesus no que toca à ambição de conquistar o título nacional.

Olhando para as 24 jornadas já disputadas, percebemos que o Benfica, surpreendentemente, está muito bem posicionado para se sagrar tricampeão nacional. Surpreendentemente porque perdeu os três “clássicos” até ao momento, dois deles no seu próprio estádio.

Nos antípodas está o Sporting. Os “leões” ganharam os dois “clássicos” disputados para o campeonato e ainda mais dois com o Benfica relativos a Taça de Portugal e Supertaça, respectivamente. Ao todo quatro triunfos em quatro “clássicos”, 100% de aproveitamento.

Antevisão Sporting vs Benfica | O derby em números
Clique na infografia conferir a antevisão detalhada do derby (infografia: GoalPoint)

E mesmo assim, os “leões” só têm um ponto de avanço sobre o Benfica, o que se percebe à luz dos resultados obtidos pelos dois rivais da Segunda Circular diante dos outros clubes. Os “encarnados” só desperdiçaram cinco pontos “extra-clássicos” – três com o Arouca e dois com o União da Madeira –, ao passo que os “verdes-e-brancos” deram-se ao luxo de esbanjar 13 – empates com Boavista, V. Guimarães, Rio Ave, Paços de Ferreira e Tondela e ainda uma derrota com o União da Madeira.

Ou seja, estamos a falar de oito pontos de diferença que até podiam ser mais se o Sporting não tem conseguido ganhar em cima do gongo ante o Nacional, Belenenses e Tondela, sendo verdade que o Benfica, em casa com Moreirense e fora com V. Guimarães também soube resolver a seu favor jogos nos minutos finais.

Perante isto, estamos perante um cenário, a meu ver, completamente estapafúrdio, se me permitem a palavra. O Benfica, que só sabe perder em “clássicos”, vai jogar com tranquilidade em Alvalade, pois, mesmo que fique a quatro pontos do eterno rival, tem a legítima esperança alicerçada na história deste campeonato de poder recuperar a diferença – que se cifrará na prática em cinco pontos se realmente perder -, quando os dois grandes de Lisboa tiverem pela frente as equipas da “classe média-baixa” da Liga.

E isto sem esquecer as duas últimas deslocações do “leão”, precisamente ao Dragão e a Braga. Mas neste particular penso que o calendário foi amigo de Jesus, já que é sempre melhor disputar jogos de elevado grau de dificuldade numa altura em que existem mais possibilidades de tudo estar praticamente decidido…

O Sporting, que a meu ver fez um jogo de muita qualidade em Guimarães, não pode pensar noutro resultado que não seja o triunfo no derby, porque este “leão” dá-se muito melhor com equipas que disputam o jogo no campo todo do que com formações que só se preocupam com 30 dos 100 metros do comprimento do relvado. E a estatística está aí para o comprovar.

Claro está que é imprevisível o efeito de uma nova derrota do Benfica perante o Sporting de Jorge Jesus – seria a quarta em outros tantos encontros – mas também não seria nada de novo, e os “encarnados” mostraram já capacidade para ultrapassar e continuarem na corrida pelo título.

Ainda mais imprevisível seria o efeito nos “leões” da primeira derrota de Jesus diante da sua antiga equipa e logo numa altura em que está mesmo proibido de falhar. Talvez fosse um golpe demasiado duro.

Olhando para o calendário desta época do Sporting e para o da temporada passada do Benfica, detectamos uma tendência, mesmo que não seja muito acentuada, que Jesus alcança melhores resultados no campeonato sem jogos a meio da semana por perto. Sabendo-se que até final da Liga o Sporting jogará apenas uma vez por semana, é preciso perceber se a incapacidade em ganhar regularmente a equipas defensivas se mantém.

Concluindo o raciocínio, o derby de Alvalade pouco ou nada decidirá, contudo, uma vitória do Benfica, que deixa uma noção (numérica) de menor aproveitamento das ocasiões criadas nos últimos jogos, teria o condão de dar uma forte machadada nas pretensões leoninas de quebrar um jejum com 14 anos.

Por fim uma recomendação, especialmente a propósito esta época e apropriada caso esteja muito ansioso com o jogo do próximo Sábado: a Liga não se decide nos jogos grandes. E isto não é apenas uma frase, já o provámos.

PS – Não, não me esqueci do FC Porto. Se vencer em Braga, o que me parece um bocadinho complicado atendendo à exibição no Restelo, a “dobradinha” não será uma utopia…