Faltam, sensivelmente, dois meses para o final da temporada futebolística e em Portugal pouco se fala da mudança de cadeiras entre os treinadores.

O puzzle pode acusar poucas mexidas, pelo menos se nos guiarmos pela validade dos contratos. A grande dúvida está no Benfica. O ruído é quase zero numa altura crucial da época em torno de um vínculo que está prestes a expirar.

Após seis anos de Jorge Jesus, Luís Filipe Vieira já devia ter passado das palavras aos actos. Entenda-se por isto sentar-se à mesa com o treinador e garanti-lo no seu posto no próximo ano. Não se entende este compasso de espera. Merecerá Jorge Jesus estar sujeito a uma avaliação nesta ponta final do ano desportivo em que o Benfica pode alcançar pela primeira vez nas últimas três décadas um bicampeonato? Não recordar o que era o futebol do Benfica antes da chegada de Jesus é ter memória curta. Pior, é não ter memória. É não recordar, entre outras coisas, que Di María estava no banco ou que David Luiz era obrigado a jogar a lateral-esquerdo. No fundo, é um acentuado ataque de amnésia.

Bem sei que Luís Filipe Vieira já disse que se Jorge Jesus quiser renovar pelo mesmo ordenado (quatro milhões de euros brutos anuais) pouco haverá a discutir. Vamos imaginar, inclusivamente, que o acordo estará feito mas que se mantém no segredo dos deuses. Qual será o benefício de não o revelar?

O tabu, mais uma vez, está criado e até se pode dar o caso de ser Jorge Jesus a não desejar discutir a renovação neste momento. O que não deixará de ser pernicioso se o FC Porto se mantiver a uma distância tão curta como a actual.

A incógnita na Luz alimenta a esperança de muita gente. A começar por Rui Vitória, pelos vistos muito apreciado em Lisboa. Depois é preciso ver se Marco Silva se mantém em Alvalade e se ele próprio não poderá ser uma hipótese em carteira para os “encarnados” caso rescinda com o Sporting. E há ainda outros treinadores, com ambições legítimas fruto da boa época que estão a realizar, como Sérgio Conceição, Lito Vidigal, Pedro Martins ou, imagine-se, Paulo Fonseca.

Se Jesus permanecer, as mudanças de treinadores, arrisco, serão pontuais e quase episódicas. Mas neste momento o puzzle dos homens do banco está nas mãos de Vieira e/ou de Jesus. E esta indefinição ou sigilo tem tudo para ser, mais tarde ou mais cedo, um problema para o Benfica.