V. Guimarães 1 – Porto 1: Porto não consegue desmoronar “castelo”

Jogo intenso e marcado por um grande duelo táctico termina empatado. V. Guimarães anulou as principais peças do Porto que só conseguiu aparecer na segunda parte.

O FC Porto não conseguiu vencer perante um Guimarães personalizado que equilibrou os dados da balança (infografia: GoalPoint)
O FC Porto não conseguiu vencer perante um Guimarães personalizado que equilibrou os dados da balança (infografia: GoalPoint)

 

O V. Guimarães tem sido das equipas mais consistentes neste início de temporada, com o seu técnico, Rui Vitória, a operar um verdadeiro processo de metamorfose em comparação com a época anterior.

A equipa do Minho deu o salto qualitativo e neste momento passou de um conjunto que se sentia confortável em transições rápidas e a jogar na expectativa para uma formação que gosta de assumir o controlo do jogo e que promove a circulação e posse de bola.

O Vitória iniciou o jogo em 4x3x3 e procurou desde o primeiro minuto controlar o meio-campo, anulando as manobras ofensivas da equipa de Lopetegui que também alinhou no seu habitual 4x3x3. Cafú, André André e Bernard conseguiram controlar os momentos do jogo a partir do sector intermédio, com o Porto a ter muitas dificuldades para impor o seu ritmo.

No primeiro tempo, a equipa “azul-e-branca” foi superior em termos de posse de bola (66,3%), o que não se reflectiu no controlo e domínio do jogo. Faltou sempre clarividência e critério na circulação da posse de bola.

O Vitória entrou determinado em afastar o Porto das zonas de decisão e fê-lo através de um jogo intenso e de pressão alta, com o seu bloco defensivo a subir no terreno, não permitindo espaços ao meio-campo portista. Faltavam ideias e capacidade para mudar o rumo dos acontecimentos. Bernard e Tomané começavam a pressionar o Porto logo na primeira fase de construção, onde Casemiro é a principal referência, provocando o erro ao médio brasileiro.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Com Rúben Neves e Herrera em campo, o Porto perde capacidade de aceleração e condução de bola. A falta de espaço de manobra no corredor central obrigou os “dragões” a flanquearem o jogo e a recorrerem a Brahimi na esquerda e Quintero na direita, sendo que o colombiano passou ao lado do jogo. Pelas características de ambos o jogo do Porto acabou por afunilar, beneficiando a estratégia delineada por Rui Vitória. José Ángel e Danilo não apareceram no apoio a Brahimi e Quintero, respectivamente, quando estes procuravam movimentos interiores. Os laterais não conseguiram dar profundidade aos seus flancos, fazendo com que o Vitória se sentisse confortável na sua organização defensiva. Dos 13 cruzamentos efectuados por José Ángel e Danilo, apenas um teve sucesso.

Brahimi irrequieto

No segundo tempo, o Porto entrou determinado em inaugurar o marcador, com Brahimi a ser o jogador portista mais inconformado com dois remates à baliza e um total de 27 passes completos, apresentando uma eficácia de 96,3%. Aos 54 minutos, Rúben Neves deu o lugar a Evandro. O treinador espanhol sentiu a necessidade de mudança no sector intermédio e lançou um jogador de cariz mais ofensivo e com capacidade para organizar as acções atacantes. O número 15 completou 13 passes no meio-campo adversário com uma eficácia de 92,3%. Evandro e Brahimi abanaram o jogo do Porto e conseguiram desequilibrar a defesa do Vitória. Jackson chegou ao golo através de uma grande penalidade aos 61 minutos, mas os minhotos reagiram bem e, aos 69, Bernard empatou na sequência de nova grande penalidade. O ganês de apenas 19 anos tem sido uma das revelações deste campeonato, sendo neste momento a maior referência ofensiva da equipa do Vitória. Este domingo realizou três remates, dois enquadrados com o alvo e somou 50 toques.

Tello e Gui entraram quando o Porto ainda vencia por 1-0, duas substituições com significados distintos mas para jogarem em posições semelhantes. Do lado do Porto, o extremo espanhol substituiu Quintero na tentativa de dar mais largura ao corredor direito. Do lado do Vitória, Gui entrou para o posto de David Caiado para refrescar a frente de ataque.

Depois do golo do empate, o Porto aumentou o ritmo e a pressão exercida sobre o meio-campo do Vitória. Danilo e José Ángel apareceram mais em jogo e isso traduziu-se numa maior propensão ofensiva. Mas foi Rui Vitória quem melhor mexeu após o 1-1. Hernâni saiu para dar o lugar a Bruno Alves, que entrou para reforçar o meio-campo. Com esta alteração o Vitória passou a jogar em 4x4x1x1, Bernard descaiu na faixa esquerda, Gui passou para a direita e André André fixou-se mais à frente no apoio a Tomané, de forma a pressionar a saída de bola do Porto e acompanhar de perto as movimentações de Casemiro. O capitão do Vitória mostrou-se bastante competente no capítulo ofensivo e defensivo, completando um total de 30 passes e uma eficácia de 80%, 19 duelos (63,2% ganhos) e ainda dez recuperações de bola, fazendo com que fosse um dos melhores em campo.

Lopetegui ainda estreou Aboubakar, alterando nos minutos finais o sistema táctica para o 4x4x2. Herrera foi o sacrificado mas a substituição acabou por não surtir efeito. A coesão defensiva e capacidade de controlo por parte do Vitória fizeram com que os pontos fossem divididos, numa tarde em que o Porto foi incapaz de encontrar soluções para chegar à baliza defendida por Douglas.