V. Setúbal 0 – Benfica 5: À “lei” de Talisca

O brasileiro conseguiu finalmente demonstrar, com eficácia, a sua apetência pelo remate, enquanto Samaris teve uma estreia com números de relevo.

O SL Benfica goleou na visita ao V. Setúbal e, para além da superioridade em todos os capítulos colectivos, teve ainda em Anderson Talisca um elemento desequilibrador, com o qual os sadinos não souberam lidar. O brasileiro foi o factor decisivo para a goleada, mas o Benfica teve em Andreas Samaris um pilar que vez funcionar todo o colectivo.

Primeiro Talisca. O brasileiro veio rotulado como médio, que poderia jogar como “8” ou a “10”, sendo que os seus números até à chegada a Portugal apontavam claramente para uma menor capacidade no momento defensivo. Jorge Jesus compreendeu isso mesmo e colocou o jogador no apoio ao ponta-de-lança Lima, quase como um trequartista. Deu boas indicações nos primeiros jogos, mas foi neste que realmente mostrou serviço, com três golos e uma apetência clara para o remate. A “lei da bomba” parece que chegou para ficar no Benfica.

(infografia: GoalPoint)
(infografia: GoalPoint)

Talisca destacou-se neste jogo pela tremenda eficácia. Fez três remates, todos enquadrados e todos com destino final nas redes sadinas. Mas também esteve bem no passe. Dos 40 que fez, 87,5% tiveram aproveitamento, sendo que 21 (90,5% certos) foram no meio-terreno adversário. E ainda efectuou quatro cruzamentos, dois deles com eficácia, e realizou um passe para ocasião. Faltou-lhe instinto “matador” em alguns lances na área, onde não conseguiu aproveitar centros da esquerda.

Sadinos viram-se gregos

A estreia de Samaris pelo Benfica foi um dos aspectos mais salientes deste jogo no Bonfim. Se no início o grego dispersou-se um pouco a efectuar compensações – caía com demasiada frequência nas laterais para compensar quando por vezes não era necessário, abrindo algumas lacunas no “miolo”, facto aproveitado pelos da casa –, aos poucos o entendimento com os colegas começou a revelar-se muito bom, em especial pelo pouco tempo que o jogador tem de Benfica. Alternou com Enzo Pérez na posição de médio-centro, compensou o argentino, chegou mesmo a colocar-se entre Luisão e Jardel quando o primeiro se encostava à direita para tapar as subidas de Maxi Pereira.

Os números do grego demonstram a sua influência na partida, sem margem para grandes dúvidas. Foi o jogador o Benfica com mais toques na bola (80, contra 72 do dinâmico Maxi), foi de todos o que disputou mais duelos com adversários (19), e também o que melhor aproveitamento teve neste capítulo (84,2%), inclusive nos lances pelo ar (ganhou 85,7% deles). Depois foi competente a recuperar a bola, conseguindo-o por 11 vezes (o máximo dos jogadores de campo), e só perdeu o esférico em nove ocasiões. Efectuou cinco desarmes, um alívio, cinco intercepções, estando sempre entre os melhores da sua equipa. No passe não houve melhor que Samaris. O grego fez 63 (tantos quanto Luisão), com 85,7% de eficácia.

Este pilar benfiquista contribuiu sobremaneira para os números finais da equipa. Após os 90 minutos, os comandados de Jorge Jesus terminaram com 12 remates, nove deles enquadrados (contra seis do Vitória, que só por uma vez acertou na baliza). Desses 12, oito aconteceram na grande área sadina. No capítulo do passe o Benfica fez 492 contra 270 do V. Setúbal, com uma qualidade de 83,3%, em contraste com os 68,9% contrários. Na posse de bola as “águias” também se superiorizaram, com 64,4% contra 35,6%. O Vitória esteve aguerrido, conseguiu equilibrar no primeiro quarto-de-hora, mas depois não soube lidar com o crescente entrosamento contrário, abusando na defesa subida quase até ao meio-campo, facto aproveitado pela velocidade dos lisboetas.

Nota ainda para a consistência de Enzo Pérez (51 passes com 82,4% de eficácia), para a boa entrada de Ola John e Bryan Cristante (91,7% e 88,9% de acerto na entrega da bola no tempo que estiveram em campo na segunda parte) e para a capacidade explosiva de Salvio, que compensaram a noite de menor fulgor de Nico Gaitán.