A eleição de João Moutinho como MVP do Manchester United – Wolves (que estreou Bruno Fernandes pelos “red devils”) provocou a habitual reacção entre os GoalPointers portistas, sempre que publicamos os feitos do ex-“dragão”: saudade do pequeno “dínamo” que, aos 33 anos, continua a mostrar-se omnipresente, a atacar e a defender, no miolo orientado por outro ex-FCP, Nuno Espírito Santo.

[Os números de “vigoroso sub-23” de João Moutinho, no duelo com o United]

Clique para ampliar

Mas os últimos jogos dos “azuis-e-brancos” trouxeram sinais de que o Olival pode estar prestes a oferecer não só o que tem sido raro (um atleta formado na casa que pegue de estaca na equipa principal do FC Porto), como um jogador capaz de emitir “vibrações” que fazem recordar o ex-patrão do miolo portista. Falamos do tirsense Vítor Ferreira (19 anos, 1,72m), também conhecido como Vitinha, um médio-ofensivo que não só conhece os cantos à casa desde 2011, como já arrecadou o “caneco” da Youth League, de camisola azul-e-branca vestida, tendo merecido uma recente renovação de contrato até 2024.

Clique para ampliar

Vítor Ferreira já havia sido lançado esta época, tanto na Taça da Liga como na Taça de Portugal, mas sempre nos instantes finais, até que, frente ao Gil Vicente, mereceu a primeira entrada a sério, na Liga NOS, alinhando durante 31 minutos e já nessa altura fez apitar os nossos alarmes ao completar os 18 passes que tentou, bem como os dois dribles que ensaiou (ambos no último terço adversário). Aliás apenas o desperdício de uma ocasião flagrante (no único remate que teve) o impediu de obter um rating ainda mais vistoso do que o 5.7 com que terminou a partida. Estava ainda assim assinalado.

Seguiram-se mais 17 minutos na visita (e goleada) ao Vitória de Setúbal que, apesar de menos vistosos estatisticamente, terminaram para Vitinha com dez passes completados em 11 tentados, confirmando a sua segurança nas entregas, mesmo ocupando terrenos ofensivos mais exigentes. Até que chegou a oportunidade de se estrear como titular frente ao Académico de Viseu, a contar para a primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, e o Vítor não enjeitou a oportunidade.

Clique para ampliar

O médio terminou com nada menos do que 112 acções com bola (números de “patrão”, sobretudo para um médio-ofensivo a actuar no futebol português), incluindo 71 passes completos em 81 tentativas, nove deles progressivos (passes que permitem à equipa avançar pelo menos 15m verticais em posse), liderando a partida em todos os registos de passe anteriormente referidos.

Mas o Vítor não ficou por aqui. Um dos seus passes não só resultou na assistência para o golo de Zé Luís, como ainda criou outra ocasião flagrante, desperdiçada por Marega, num total de quatro passes para finalizações dos colegas. Terminados? nem por isso, pois o Vitinha não foi a Viseu fazer apenas passes, arriscando o remate em três ocasiões (máximo do jogo igualado com Zé Luís e Díaz), todos de fora da área, com dois deles a saírem enquadrados com a baliza.

[A localização, direcção e sucesso dos 81 passes somados por Vítor Ferreira em Viseu]

Clique para ampliar

Para compor o recital (e fundamentar as “Moutinho vibes”), o médio de 19 anos ainda somou nada menos do que sete acções defensivas, incluindo dois desarmes e três intercepções, que contribuíram para um total de 14 recuperações de posse ao adversário, mais uma vez o registo máximo da partida. E até em faltas apresentou saldo positivo (uma cometida, duas sofridas).

Ao todo Vítor Ferreira não só saiu do Fontelo como o jogador que mais bola tirou ao Académico, como também o que mais contribuiu para o perigo objectivo criado pelo Porto: 1,1 dos 1,5 expected goals “azuis-e-brancos” saíram dos seus pés.

Ainda será cedo para concluir que Vítor Ferreira poderá concorrer ao lugar de “Moutinho perdido” no Dragão, mas face a esta exibição, aliada ao excelente registo que vinha acumulando em todas as competições às quais foi chamado esta época (nove golos e cinco assistências, com particular incidência na Ledman Liga Pro), não admira que nas redes sociais já existam adeptos a reclamar para o médio uma oportunidade de exigência máxima: um lugar no “onze” que irá defrontar o Benfica já no próximo fim-de-semana.