Há dois anos afastado da Europa, devido a combinação de resultados, o Fenerbahçe aposta forte nesta nova temporada.

O clube de Istambul tem como objectivos entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões – inicia a competição na terceira pré-eliminatória e até pode encontrar o Sporting no play-off se para tal se qualificar – e reconquistar o título nacional perdido para o rival de sempre, o Galatasaray.

O treinador escolhido foi o português Vítor Pereira, que entra na Liga turca na estreia do novo regulamento que, a partir de agora, deixa de limitar a utilização de estrangeiros.

Percebe-se a eleição do antigo treinador do FC Porto. Pode até haver coincidências, mas Vítor Pereira, nos três campeonatos disputados em solo europeu, acabou sempre em primeiro, dois pelos FC Porto e um pelos gregos do Olympiacos. E qualquer dos três títulos foram obtidos em circunstâncias muito idênticas, com uma corrida de trás para a frente, sempre a espreitar a ultrapassagem, e superioridade na reta final da prova.

IDEIA COMUM COM GUARDIOLA

Vítor Pereira mantém grande parte da ideia de jogo que o notabilizou em Portugal. A reacção à perda da bola é a pedra de toque da sua ideologia, daí a sua identificação com Pep Guardiola. Mas a forma como os seus jogadores descobrem soluções em espaços reduzidos e a preocupação latente em não perderem a posse até ao último terço de terreno são vertentes trabalhadas até à exaustão. Depois, junto à área contrária, apesar de podermos ver algumas combinações trabalhadas durante a semana, não tem qualquer problema em deixar o génio dos seus jogadores fazerem o resto.

DESENHO NO MEIO-CAMPO

O que difere o Vítor Pereira do FC Porto do Vítor Pereira do Olympiacos, e presumivelmente do Fenerbahçe? O desenho a meio-campo. Quem se lembra, sabe que os “azuis-e-brancos” jogavam com Fernando atrás de Lucho e João Moutinho. Na Grécia, o 4x3x3 passou a um 4x2x3x1, ou seja, com dois médios centro mais defensivos do que ofensivos a proteger as costas do trio que jogava atrás do avançado.

É cedo para dizer que o Fenerbahçe estará mais próximo do desenho helénico do que do esboço portista, mas, no último jogo de preparação, Vítor Pereira experimentou o 4x2x3x1.

Onze provável do Fenerbahce 2015/16
Um ensaio do onze provável do “Fener” neste momento

 

E aqui surge a primeira dor de cabeça. Com Van Persie a ser o candidato natural ao lugar de ponta-de-lança, o que fazer com Fernandão, o melhor marcador da última Liga turca? Nada. A época é desgastante, há lesões, castigos e, por vezes, será necessário jogar com dois avançados.

O trio de fantasistas é de gabarito. Nani e Moussa Sow nas alas e Diego, internacional brasileiro que já jogou no FC Porto, pelo meio, sendo que os extremos são ambos futebolistas com golo, que gostam de zonas interiores e de aparecerem em posição de finalização.

No meio-campo, os dois elementos escolhidos devem ser o reforço Souza – também ele ex-FC Porto – e o categorizado Mehmet Topal.

A defesa não devia ser um problema para Vítor Pereira, pois o “Fener” foi a equipa que menos golos sofreu no último campeonato (29), mas percebe-se a ideia ao contratar o dinamarquês Simon Kjaer para jogar, presumivelmente, ao lado de Bruno Alves. Qualquer um destes centrais tem experiência de Champions e a Liga turca não é a mesma coisa que a prova rainha da UEFA.

As laterais estão bem entregues aos turcos Gönul e Erkin e a baliza deve ser uma dor de cabeça… para Fabiano. Mal comparado seria a mesma coisa que chegar um guarda-redes a Munique e tirar o lugar a Neuer. Demirel é um símbolo do Fenerbahçe, é o capitão de equipa e um garante entre os postes. Mas os símbolos também caem – que o diga Casillas.

O banco, como se pode perceber, tem vastas soluções. O que se percebe com esta lógica de contratações é que o Fenerbahçe tem pressa em ganhar. Adquiriu futebolistas experientes, com nome feito, que sabem tudo sobre o jogo e que colocam o nome do Fenerbahçe a circular a nível planetário. A média de idades é de 29 anos, o que pode provocar um problema a médio prazo, pois dentro de pouco tempo estes futebolistas, que já não trarão retorno financeiro, terão de ser substituídos e o quadro de jogadores remodelado. O “onze”-tipo que mostramos tem como jogadores mais novos Kjaer e Souza… com 26 anos.

GANHAR… OU GANHAR

Esta política tem um aliciante, a vertigem de ganhar, e um problema para resolver, a pressão se os resultados não começarem a surgir rapidamente.

No FC Porto, Vítor Pereira demorou mais do que no Olympiakos, mas ganhou sempre. E foi essa a razão da sua contratação, para lidar com um plantel com demasiados egos e avaliado em 158 milhões de euros, mesmo assim mais barato que o de Benfica (190), FC Porto (207) e Sporting (179).

Confira o “onze”-tipo, avaliado em 102,7 milhões de euros, que prevemos ser o mais utilizado, com os respectivos valores de mercado e alternativas aos lugares:

Demirel 3,2M (Fabiano); Gökhan Gönül 8M (Sener Özbayrakli), Bruno Alves 3M (Michal Kadlec), Simon Kjaer 8M (Abdoulaye) e Caner Erkin 13M; Souza 7,5M, Mehmet Topal 12M (Raul Meireles);  Nani 15M (Krasic), Diego 5M (Holmen), Moussa Sow 13M (Miroslav Stoch); Van Persie 15M (Fernandão)