E o impensável aconteceu. Após uma exibição segura e categórica entre os 20 e os 73 minutos, o Sporting viu uma vantagem confortável de 3-0 esfumar-se perante um V. Guimarães até então foi pouco mais do que inofensivo. Mas um bis de Marega, em poucos minutos, derrubou a confiança leonina e virou a partida, com os vimaranenses a ganharem fôlego e a empatarem perto do fim, 3-3. Um jogo de loucos com um final “à Hitchcock”.

Domínio do “leão” em toda a linha

O arranque do jogo não foi propriamente um exemplo de emoção. Nos primeiros 20 minutos praticamente não se verificaram situações de perigo. Apenas um remate (enquadrado) e para os homens da casa que, no entanto, jogavam na expectativa, com um registo de apenas 30% de posse de bola e 60% de passes certos. Mas estiveram bem nos duelos, ao ganhar cerca de 60% – mas aos poucos tudo foi mudando.

O primeiro disparo do Sporting surgiu ao minuto 21, e o primeiro enquadrado aos 27, por Adrien Silva, e logo para grande defesa de Douglas. A verdade é que a partir dos 20 minutos a pressão leonina aumentou e deu frutos aos 29 minutos. Gelson, em grande forma, rematou, Douglas defendeu e Markovic fez a recarga vitoriosa, o seu primeiro golo com a camisola sportinguista. Aos 36 minutos o Sporting sofreu um contratempo, com a lesão de Adrien Silva, entrando Elias para o seu lugar. Mas a situação estava controlada e Coates fez o seu terceiro golo na Liga aos 41 minutos, de cabeça, após um canto e beneficiando de uma saída extemporânea de Douglas.

O filme da primeira parte é simples. Um V. Guimarães na expectativa, mas a pressionar individualmente em zonas muito adiantadas, o que deixou buracos no meio-campo e apenas Prince a lidar com as investidas contrárias. Aos poucos os “leões” começaram a aproveitar esses buracos e ao intervalo venciam naturalmente, com nove remates (todos a partir dos 20 minutos, e já depois do único dos vitorianos), quatro deles enquadrados. A grande diferença de posse de bola (72%-28%) é o espelho da exibição das equipas no primeiro tempo.

A segurança leonina também se deveu a Rúben Semedo. O central liderava ao intervalo o GoalPoint Rating, com 6.9 (Bryan Ruiz em segundo, com 6.4), graças a uma exibição irrepreensível: dois desarmes, três intercepções, oito recuperações, 78% de duelos ganhos.

Um “trambolhão” no jogo 

O Sporting entrou no segundo tempo a contar com mais espaços e com a velocidade de Markovic e Gelson, e do outro lado as dificuldades continuavam, sem que o passe para as costas da defesa leonina saísse. Aos 63 minutos surgiu o segundo remate dos da casa (de Hernâni), e é sintomático o facto de o primeiro passe para ocasião dos minhotos ter surgido apenas pela hora de jogo. Muito pouco para os comandados de Pedro Martins, mas também mérito dos lisboetas. Assim, foi com naturalidade que o 3-0 surgiu, por Elias, aos 70 minutos, num forte remate de fora da área, com muitas culpas, mais uma vez, para o guarda-redes Douglas.

Até que tudo mudou. O melhor marcador da Liga, Marega, voltou a reabrir a discussão pelo jogo aos 73 minutos, ao reduzir para 3-1, de penalty, o seu sexto golo na prova. E aos 75 finalizou de primeira um excelente centro de João Aurélio, para o sétimo. De repente, toda a lógica da partida estava em causa, numa altura em que os “leões” tinham 17 remates (oito na segunda parte), sete enquadrados, contra apenas quatro disparos dos minhotos (três na etapa complementar), e em torno de 70% de posse.

A entrada de Bernard para o eixo, a passagem de Marega da direita para o centro do ataque e de Hernâni para a direita desequilibrou defensivamente o Sporting e, na intensa pressão dos homens da casa, o ponta-de-lança Soares fez o 3-3 de cabeça, após livre na direita de Raphinha. No final, praticamente todos os números mostram uma superioridade total do Sporting e até a avaliação individual no GoalPoint Ratings os “leões” dominaram.

Semedo, sem medo

Rúben Semedo teve pela frente Soares e Marega, que ou entrava pelo eixo ou flectia da direita. Mas o central não temeu e esteve imperial. Teve uma eficácia de passe de 98%, fez dois desarmes, quatro intercepções, três alívios, recuperou 15 vezes a bola e ganhou cinco dos sete duelos aéreos. Concentração, capacidade de reacção e leitura de jogo, que valeram ao Sporting uma segurança defensiva que poucos esperavam que caísse a pique perto do fim. Salvou-se Semedo, com 7.0 no GoalPoint Ratings.

Markovic estreou-se a titular e a marcar, somando 6.8, pelos três remates, dois enquadrados, um passe para ocasião e muita velocidade. Elias terminou com 6.6, mercê de um belo golo fora da área e 91% de 45 passes certos. O melhor do Vitória surge apenas em nono, Hernâni, com 6.1, ele que enquadrou os seus dois remates (os primeiros da sua equipa) e ganhou 88% de oito duelos.

Outros números:

  • Gelson 6.4 – Foi o mais rematador do Sporting (4) e, para não variar, aquele com mais capacidade de desequilibro, completando cinco dribles. O que espanta são as recuperações (11), o segundo maior registo em campo
  • João Pedro 5.8 – Grande segunda parte do “Witsel vimaranense”. Somou oito desarmes e venceu 11 dos 17 duelos que disputou
  • Marega 5.6 – Dois golos em dois remates, mas até estava a ser uma sombra do Marega deste arranque de época, o que explica o GoalPoint Rating relativamente baixo (chegou a ter 3.9, o pior em campo). Entre outras coisas fez cinco faltas e teve sete controlos de bola deficientes
  • William 4.5 – Não rematou, não criou oportunidades e recuperou apenas duas vezes a bola, depois de na jornada passada ter recuperado… 15. Para ajudar ainda cometeu a grande penalidade que iniciou a reviravolta.
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