William vs Matic: Duelo de gigantes à lupa

Os dois médios-defensivos estiveram em destaque no último Sporting-Chelsea e o GoalPoint foi tentar saber onde residem as diferenças de futebol e de nível dos dois “gigantes”.

GP - destaque - MaticvsWilliamCL2J - 06Out2014

William Carvalho e Matic têm suscitado discussões das mais interessantes dos últimos anos. O GoalPoint procura escrutinar e comparar os vários momentos de jogo destes dois modernos médios-defensivos tendo como base o encontro da passada terça-feira, dia 30 de Setembro, onde o Chelsea deslocou-se a Alvalade e venceu por 1-0 com golo de Matic. O sérvio foi o único jogador do Chelsea capaz de superar a exibição de gala de Rui Patrício.

Defensivo

O Sporting de Marco Silva adoptou o seu habitual 4x3x3 com William Carvalho a alinhar como médio-defensivo. Do outro lado, o Chelsea de José Mourinho entrou em 4x2x3x1 com Matic e Fàbregas como pivots-defensivos.

Dos 17 duelos disputados por William, o português venceu 41%. Matic apresentou clara superioridade neste capítulo. O sérvio disputou 14 duelos e venceu 71%. O mesmo se aplica aos duelos aéreos. O médio do Chelsea discutiu dois duelos e venceu ambos, contrariamente ao médio português que só venceu dois em quatro.

O camisola 21 do Chelsea realizou seis entradas contra três do número 14 do Sporting. O sérvio também levou a melhor nas intercepções. Ao nível das recuperações de bola, o médio do Chelsea concretizou dez contra nove do português. Destaque ainda para os dois remates bloqueados por Matic contra um de William. O português só foi superior ao sérvio nos alívios, três contra um, e nas faltas cometidas, duas contra uma.

GP - info - MaticvsWilliamCL2J - 06Out2014

Ofensivo

No futebol moderno os “trincos” começam a perder o seu espaço. Trata-se de uma espécie em vias de extinção, dando lugar aos pivots-defensivos – também designados por médios-defensivos – como é o caso de William e Matic. Mais do que uma questão de semântica ou de nomenclatura a diferença entre estes dois conceitos coloca em confrontação ideias distintas de modelos de jogo.

William e Matic foram dos jogadores mais interventivos durante os 90 minutos. O médio português deu 74 toques na bola, jogador com mais toques do Sporting, contra 73 de Matic, segundo jogador com mais toques do Chelsea.

William completou 56 passes mais um do que Matic e apresentou uma eficácia superior ao do sérvio, 89,3% contra 78,20%. Os números ganham outra dimensão quando falamos de passes no meio-campo contrário. O médio português somou 90% de eficácia de 30 passes feitos, contra 69,4% de 36 por parte de Matic. Dos quatro passes longos que realizou três tiveram sucesso. O médio do Chelsea arriscou por sete vezes e só foi bem-sucedido em três situações. William executou ainda um passe para ocasião.

O médio dos “leões” foi derrubado em falta uma vez e perdeu 12 bolas contra 17 do médio dos “blues”. William realizou dois remates à baliza, sendo que apenas um teve o destino desejado. Matic apenas rematou uma vez e apresentou um aproveitamento de 100%, contribuindo para a vitória do Chelsea.

De salientar ainda que Sarr e Adrien foram os jogadores com quem William combinou mais passes, ambos com oito. Matic tabelou oito vezes com Hazard e sete com Fàbregas e Filipe Luis.

Enquadramento Táctico

Pela forma como o jogo se desencadeou e como as duas equipas foram crescendo com o acumular dos minutos é possível descortinar e avaliar os dados apresentados.

William tem vindo a crescer de forma ao ritmo do conjunto leonino. O Sporting de Marco Silva tem mostrado sinais claros de melhorias. A época não começou da melhor maneira mas passado o período de adaptação às novas ideias do treinador parece que finalmente o internacional português está a atingir o nível da temporada transacta.

A qualidade com que o internacional português equilibra a sua equipa, cobre a sua zona de acção compensa os desposicionamentos dos companheiros, e pressiona a equipa adversária faz com que seja uma referência na posição “6”.

Matic consegue cumprir com as suas obrigações do ponto de vista defensivo mas não esgota o seu trabalho neste processo. Pela função que desempenha no modelo de jogo do Chelsea, o sérvio assume um papel de maior dimensão ofensiva comparativamente a William. Pelas características que apresenta, o médio dos “blues” marca o ritmo de jogo, temporiza, aparece em zonas mais adiantadas e circula a bola com critério. Dotado de uma excelente capacidade técnica e passada larga, Matic gosta de subir no terreno com a bola junto ao seu pé esquerdo, recorrendo à sua estatura física para proteger o esférico ou até mesmo arriscar o drible. No jogo frente ao Sporting teve sucesso por duas vezes. William arriscou com êxito numa ocasião.

Apesar de também ser a primeira referência ofensiva da sua equipa, o médio do Sporting limita muito mais a sua acção ofensiva, privilegiando transições seguras e o equilíbrio táctico. Isto explica de certa forma o porquê de Matic ter eficácia de passe bem mais reduzidas em comparação com o futebol mais conservador do atleta leonino. O meio-campo do Sporting, composto por William, João Mário e Adrien, consegue imprimir uma grande intensidade e pressão no jogo, algo que não se verificou do lado do Chelsea. O clube londrino deu mais liberdade ao Sporting para depois recuperar a bola e explorar as transições rápidas, aproveitando o maior envolvimento ofensivo dos “leões” para colocar a bola no espaço.

Com esta dinâmica táctica torna-se evidente que William foi superior no capítulo ofensivo, onde dispôs de maior margem de acção. Matic e Fàbregas apenas pressionavam no seu meio-campo defensivo e Óscar não demonstrou grande solidariedade defensiva quando devia acompanhar as movimentações do médio português. O sérvio apresentou-se a um melhor nível em termos defensivos, fruto do bloco subido do Sporting e do maior envolvimento ofensivo de Adrien e João Mário, com maior ênfase no segundo tempo quando os “leões” procuram o golo que lhes daria o empate.

William e Matic foram os jogadores que se destacaram num jogo equilibrado. Dois médios-defensivos que têm vindo a quebrar com o dogma do “trinco”, puro que tem como missão exclusiva destruir o jogo da equipa contrária.