A temporada europeia do Sporting ficará irremediavelmente marcada pelas equipas alemãs. Depois de defrontar o Schalke 04 na fase de grupos da Liga dos Campeões, os “leões” têm agora pela frente, na Liga Europa, o Wolfsburgo, conjunto que tem dado cartas na Bundesliga. Ocupa neste momento a segunda posição, já goleou o poderoso Bayern de Munique por 4-1 e ganhou 5-4 na última visita ao Bayer Leverkusen.

Os resultados espelham o investimento que os “lobos” têm feito. Em seis meses recrutaram Kevin De Bruyne e André Schürrle ao Chelsea, aproveitando o potencial de outros jogadores como Caligiuri, Naldo, Bas Dost ou o português Vieirinha. E para além da Liga alemã, também na Liga Europa a equipa tem dado cartas. É neste contexto, a Europa, que comparámos os desempenhos de Wolfsburgo e Sporting em 2014/15. Os paralelismos são directos em termos de números, mas não podemos deixar de notar que se trata de competições diferentes. A Liga Europa não ofereceu a mesma dificuldade ao Wolfsburgo que a Liga dos Campeões ao Sporting.

Este é um detalhe importante, que joga um pouco a favor da formação portuguesa. Dizemos isto porque, olhando para os números de ambos os conjuntos, estes podem ser foco de preocupação para os adeptos sportinguistas se não pesarem as diferenças entre as provas analisadas.

O PODER OFENSIVO GERMÂNICO

A análise aos valores em causa permitem diversas conclusões, a primeira das quais o poder ofensivo do Wolfsburgo. Esta época, na Europa, os “lobos” remataram mais que o Sporting por jogo (21,8 – 17,2), com uma maior eficácia de remate (38,9% – 35%), e fizeram mais passes para golo por partida que a formação lusa (16,8 – 13), o que revela bem da capacidade atacante dos alemães – o Sporting é, por exemplo, a equipa que mais passes para ocasião faz e mais remates realiza na Liga NOS e ainda assim não chega perto do Wolfsburgo. Vale aos “leões” o que dissemos antes: jogar na Liga dos Campeões apresenta maior grau de dificuldade que na Liga Europa. Ainda assim é de realçar o trabalho ofensivo dos “lobos”, que registam uma eficácia de remate assinalável para a quantidade de tentativas de acertar na baliza – 38,9%.

O Sporting responde no aproveitamento dos disparos que realiza e é interessante notar que as duas equipas marcaram dez dos seus golos já dentro da grande área adversária – o Wolfsburgo fez dez tentos com o pé esquerdo, algo pouco habitual em relação aos apenas três de pé direito e um de cabeça.

As duas formações apresentam esquemas tácticos semelhantes, um 4x3x3 virado para a frente e assente em extremos e laterais bastante ofensivos, o que explica o peso das alas no seu jogo ofensivo. O Sporting cruza mais (17,2 contra 15,2 por jogo), com quase o dobro da eficácia (30,1% para 16,5%), e é por aqui que o “leão” poderá pegar na eliminatória. Sabemos já que o Wolfsburgo ataca muito pelos flancos (arranca 6,3 cantos por partida, contra 4 dos lusos), e os seus laterais, como já referimos na peça de análise táctica, nem sempre recuperam suficientemente depressa – perfeito para jogadores como Nani ou André Carrillo. Basta olhar para os números defensivos da equipa alemã.

PERMISSIVOS AO REMATE

Já falámos dos problemas que o Sporting apresenta no sector defensivo, mas também o Wolfsburgo aqui não se fica a rir, como se pode conferir na infografia. É verdade que os germânicos ganharam mais duelos (52% vs 48%) e somaram mais recuperações de posse (59 vs 52 por partida), mas permitem mais remates por jogo aos adversários (5,8 para 4,5) e Diego Benaglio é chamado a intervir muito mais vezes do que Rui Patrício (4,3 defesas por encontro contra 2,8), isto apesar dos adversários mais acessíveis na Liga Europa.

A equipa de Marco Silva tem, por isso, pontos fracos a explorar, apesar da óbvia força das individualidades dos alemães. Se é verdade que o Wolfsburgo apresenta uma capacidade ofensiva assinalável, é certo que os desequilíbrios defensivos com as subidas dos laterais podem abrir espaços para que o Sporting crie perigo – como muito bem sabe fazer. O que necessita? Solidez a defender e níveis elevados de eficácia de remate e aproveitamento – neste caso sem o lesionado Islam Slimani.

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