“Yoda” de Freitas Lobo é cruelmente censurado

O grande Gabriel Alves nos anos 90 (ainda que numa toada mais descontraída) e Luis Freitas Lobo (um fábrica de conjugação de metáforas em forma de comentador, como o próprio diria) são exemplos da tentativa de juntar a adjectivação e o recurso à metáfora, vulgarmente caracterizada (ainda que de forma simplista) como “poesia” ao futebol. Mas se estes são os representantes maiores desta tendência no comentário desportivo nacional o que dizer então deste verdadeiro “Yoda” (ou Miyaghi, dependendo da referência cinematográfica preferida), um mestre tutor do comentário poético e da sua capacidade para, após um golo do Talleres (da segunda divisão Argentina), iniciar a criação e declamação explosiva de um verdadeiro canto dos “Lusíadas” do futebol de segundo escalão, brutalmente interrompido e “censurado” pela obtenção do cruel e nada literário golo do empate do adversário. Nesse momento a poesia dá súbito lugar à linguagem de “taberna”.