Zé Luís: Filho da Ilha do Fogo em erupção

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Numa peça publicada na semana passada, onde procurámos aqueles que são os jogadores mais ofensivos da Liga, houve um nome em destaque fora do habitual lote de jogadores que vem à cabeça da maioria dos adeptos. Não sabemos se tal terá motivado Zé Luís (SC Braga), mas o certo é que o cabo-verdiano fez questão de confirmar o destaque com mais dois golos na sexta-feira contra a sua ex-equipa, aumentando o seu pecúlio para 8… e no momento em que preparávamos esta peça acabava de marcar o seu segundo tento ao Rio Ave, na meia-final da Taça de Portugal.

Motivos mais do que suficientes para analisarmos em profundidade o desempenho do ponta-de-lança, comparando-o com os melhores da Liga na posição e tentando perceber se temos jogador para voos mais altos.

REMATE

Começamos pela parte mais óbvia, o remate, cruzando a percentagem de remates enquadrados com a frequência de disparos a cada 90 minutos:

Zé Luís: Remate

A conclusão é fácil. Se em quantidade o jogador do Braga fica bem atrás de Slimani e Jackson, em qualidade de remate, Zé Luís tem uma percentagem de acerto apenas superada por Jonas. Assim sendo, se olharmos para os remates enquadrados propriamente ditos, verificamos que o cabo-verdiano (com 1,4 por jogo) apresenta números semelhantes aos de Jackson (1,5), Slimani (1,6) e Jonas (1,5).

Este número peca ainda por defeito se levarmos em consideração que o Braga produz um volume de jogo ofensivo assumidamente inferior ao dos “grandes”, como fica espelhado no número de remates por jogo de cada equipa.

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Portanto será seguro assumir que os números de Zé Luís, enquadrado numa equipa com maior volume atacante, não ficariam abaixo de nenhum dos demais.

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CARACTERÍSTICAS

Mas que tipo de avançado é Zé Luís? Estamos a falar de um ponta-de-lança mais ao estilo de Slimani que funciona como referência e procura com frequência o jogo aéreo, ou de alguém mais ao estilo de Jonas que também participa na fase de construção da equipa? Para perceber isso fomos olhar a duas variáveis: a percentagem de remates que são feitos de cabeça e a percentagem de vezes que a bola passa por cada jogador dentro da respectiva equipa.

Zé Luís: participação

Efectivamente, Zé Luís gosta de tirar partido do seu 1,85m, e é com frequência que usa a cabeça como arma de remate (só Slimani o faz mais), mas também não se pode dizer que passe a maioria do tempo alheado da construção da sua equipa,  como se pode ver pelo eixo vertical.

Para suportar a tese de que não estamos a falar do típico alto e tosco há mais dois números que saltam à vista no camisola 20.

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Surpreendentemente, Zé Luís é dos seis jogadores em análise aquele que mais dribles com sucesso faz a cada jogo, e é um jogador que mostra ainda inteligência na movimentação, pela reduzida quantidade de vezes que é apanhado em fora-de-jogo. Armadilha na qual Slimani, por exemplo, cai cinco vezes mais.

Mas não, não estamos na presença da oitava maravilha do Mundo. Se até aqui tudo são aspectos positivos, há um parâmetro no qual Zé Luís tem muito que evoluir. A eficácia no cabeceamento.

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Já tínhamos constatado que o cabo-verdiano procura com frequência usar a cabeça para o remate. Diríamos que com razão, porque até ganha a maioria dos duelos aéreos em que entra e são muitos. Mas o problema não é chegar lá acima, mas sim concretizar com eficácia as oportunidades que tem de usar esse poder em frente à baliza. Até ao momento, dos dez remates de cabeça que Zé Luís dispôs ao logo do campeonato, nenhum saiu enquadrado com a baliza.

CONCLUSÃO

Atrevemo-nos a dizer que Zé Luís já está, aos 24 anos, na elite dos pontas-de-lança do futebol português. Muitos dos indicadores analisados são positivos e não ficam atrás (pelo contrário) da maioria dos pontas-de-lança aqui analisados. Mas se no jogo com os pés pouco lhe há a apontar, tanto tecnicamente como na finalização, o jogo aéreo é um ponto no qual o cabo-verdiano ainda pode e deve evoluir visto que tem condições físicas para tal. Quando souber tirar partido dessa arma da mesma maneira que já tira das outras (e aí está o terceiro golo ao Rio Ave como exemplo), tudo indica que estamos na presença de uma pérola. Os números não costumam mentir.

Hernâni Ribeiro
Hernâni Ribeiro
Formado em estatística e gestão de informação, e Data Scientist profissional. É Head of Analytics na GoalPoint e responsável pela GoalPointPro