Zenit 1 – Benfica 0: “Águias” derretem aspirações na Rússia

Benfica apareceu melhor na segunda parte, mas Danny acabou com o sonho “encarnado” aos 79 minutos.

Foram muitas as caras conhecidas presentes no encontro que definiu o adeus prematuro dos "encarnados" à Europa (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Lima confirmou em São Petersburgo estar longe da forma que o notabilizou nas últimas épocas (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O Benfica deslocou-se a São Petersburgo para defrontar o Zenit, num duelo do tudo ou nada para os “encarnados”.

A equipa russa entrou em 4x2x3x1 em contraponto com o Benfica, que voltou a não alterar o seu sistema habitual, 4x1x3x2. Os lisboetas entraram com um modelo de jogo diferente. Talisca apareceu mais próximo de Enzo Pérez em momentos de organização defensiva e colectivamente o a formação lusa procurou juntar os blocos numa linha média e sair em transições rápidas por intermédio de Gaitán e Salvio.

O Benfica teve algumas dificuldades para encaixar na forma de jogar do Zenit e travar as investidas do ataque vertical e veloz dos russos. Curiosamente, André Almeida apresentou-se a um grande nível ao anular por várias vezes as iniciativas protagonizadas por Hulk.

Aos 23 minutos, com a saída por lesão de Lombaerts e a entrada de Luís Neto, o Benfica conseguiu equilibrar o jogo e assumir uma atitude mais atacante. As iniciativas individuais de Gaitán só surtiram efeito nos primeiros minutos, com Axel Witsel e Javi García a apoiarem Anyukov nas acções defensivas. Salvio também não foi particularmente feliz nas manobras ofensivas. Gaitán e Salvio perderam 34 e 22 vezes a bola, respectivamente, durante todo o jogo.

A primeira parte foi de grande indefinição e com poucas oportunidades. O Zenit entrou com mais perigo e, logo à passagem dos seis minutos, Hulk obrigou à intervenção de Júlio César, com o guarda-redes brasileiro a manter a baliza dos “encarnados” inviolada. O outro lance de perigo no primeiro tempo surgiu dos pés de Salvio que, aos 38 minutos, permitiu a defesa de Lodygin.

O critério apertado utilizado pelo juiz italiano, Nicola Rizzoli, condicionou a estratégia defensiva de ambas as equipas, com Neto, Hulk, Criscito, Jardel, Luisão e Samaris a verem o cartão amarelo ainda nos primeiros 45 minutos. Nesta fase da partida o Zenit teve 56,1% de posse de bola e uma eficácia de passe de 73,4% no total de 218 efectuados. Nos duelos disputados os russos apenas foram bem-sucedidos em 46,7% das ocasiões. O Benfica somou 70,4% de eficácia de passes em 162 feitos e ganhou 53,3% dos duelos.

Crescimento… insuficiente

Na segunda parte, o Benfica entrou com outra atitude, mais pressionante e a querer assumir o controlo do jogo. Facto que se verificou até à saída de Talisca aos 70 minutos.

A formação orientada por Jorge Jesus conseguiu instalar-se no meio-campo defensivo do Zenit e criar situações nítidas de golo com Luisão, Gaitán e Salvio em destaque.

O Zenit passou a explorar as transições rápidas, com Hulk a ser a principal referência. Aos 58 minutos, Javi saiu lesionado, com Viktor Fayzulin a entrar para o seu lugar, mas a identidade da equipa russa não se alterou.

Poucos minutos depois, André Villas-Boas esgotou as substituições e lançou Shatov para o lugar de Ryazantsev. Hulk encontrou Danny sozinho na área e cruzou aos 79 minutos para o único golo da partida, numa altura em que o Zenit equilibrou o jogo. Jorge Jesus decidira arriscar e, aos 70 minutos, optara por tirar Talisca e fazer entrar Derley. Com esta alteração, o técnico das “águias” pretendia arriscar, mas acabou por perder o controlo do jogo, com o clube russo a aproveitar os espaços concedidos no seu meio-campo ofensivo.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Enzo e Almeida, principais figuras

Enzo foi a principal figura do Benfica no momento ofensivo. Com uma eficácia de passe de 81,3%, de um total de 48 passes realizados, o médio argentino foi o jogador mais interventivo. As suas acções não se esgotaram no processo ofensivo, tendo ganho 87,5% dos 16 duelos que disputou.

Do ponto de vista defensivo, André Almeida foi das melhores unidades. O polivalente português teve a tarefa complicada de travar Hulk e fê-lo com um elevado grau de sucesso. Sete desarmes, 14 alívios, cinco intercepções e dez bolas ganhas.

No Zenit, Witsel apresentou-se em grande forma com 86% de eficácia de passe de um total de 43 efectuados. Danny foi quem fez mais passes completos, 47, mas no capítulo da eficácia não teve tanto sucesso, apenas 59,6%. O internacional português foi o jogador mais irreverente da formação russa. Com três remates, menos um que Hulk, e um golo, o capitão do Zenit conseguiu desequilibrar a defesa benfiquista. Defensivamente, nota para os 80% de duelos ganhos por Garay, que mais uma vez protagonizou uma excelente exibição.

Podemos constatar o equilíbrio existente durante toda a partida quando ambas as equipas completaram 382 passes. O Zenit com uma eficácia de 71,7% contra 73,6% do Benfica. Os russos ganharam 45,4% dos duelos, um dado inferior ao do clube português, 54,6%. Na posse de bola, ligeira superioridade do Benfica, 51,4%.

Um desfecho algo injusto para um Benfica que apareceu renascido na segunda parte. O golo de Danny aos 79 minutos coloca um ponto final na campanha dos “encarnados” na Liga dos Campeões, e mesmo na possibilidade de passagem para a Liga Europa, perante a vitória do Mónaco em Leverkusen.

Mais uma época em que a equipa de Jorge Jesus não consegue passar à próxima fase da principal competição europeia e mais um jogo de elevada exigência em que o técnico português não esgota as substituições.