O Benfica foi a São Petersburgo vencer e apurar-se para os quartos-de-final da Liga dos Campeões com requintes de… “virada”. Os “encarnados” não só não acusaram o teórico desgaste de um derby emotivo, seguido de uma longa viagem, como demonstraram enorme capacidade de vencer as dificuldades, terminando o encontro com mais do dobro dos remates enquadrados realizados pela equipa de André Villas-Boas. Um jogo que… até estiveram a perder.

Champions League 2015/16 - Zenit vs Benfica
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

 

É caso para dizer que o Benfica entrou bem e saiu melhor desta deslocação à Rússia. Dificuldades? Algumas, sobretudo entre os 45 e os 80 minutos, quando os russos decidiram dar tudo, atitude que culminou no golo de Hulk, com assistência de Zhirkov, numa altura em que, já na segunda metade, os russos somavam seis remates contra apenas um do Benfica, contados a partir do intervalo.

A “águia” soube reagir e foi da bota do entretanto lançado Jiménez que nasceu um “tiro” cujas consequências Gaitán soube aproveitar, para de cabeça abrir o caminho dos “quartos”. Talisca ainda iria aparecer com o “brinde”, em cima do apito final, fechando um jogo onde o Benfica soube sofrer e sobretudo lidar com as suas próprias insuficiências. Prova disso é a excelente exibição de Samaris como central adaptado, coadjuvada por mais um desempenho sólido de Lindelöf (que até merecia ter marcado, de cabeça). Quando estes falhavam… surgia Ederson que com três defesas, todas elas fundamentais, deu um contributo decisivo para um resultado final que, atentando aos números, acaba por ser inteiramente merecido pois, acredite se quiser, o guarda-redes Lodygin foi chamado a intervir em nada menos do que… sete ocasiões.

Fejsa, o exterminador implacável

Apenas um Benfica competente e sólido poderia passar (a não ser por sorte) na Rússia e foi isso mesmo que sucedeu. Espelhos dessa competência? Quase todos com raras excepções (a maior o perdido Mitroglou, o primeiro a sair) mas começamos com Samaris. Em posição adaptada, ao lado do sueco Lindelöf, o grego trabalhou que se fartou (sete alívios, seis intercepções) e não deu sinais de estranheza. À sua frente Renato Sanches voltou a demonstrar personalidade e a já habitual exuberância física (14 recuperações de posse!) e só não foi mais feliz porque falhou por centímetros um “tiro” ainda no primeiro tempo.

Ao seu lado esteve o homem do jogo e, desta vez, a opção a “olho” deverá coincidir com a opção “matemática” do nosso GoalPoint Ratings, na maioria dos casos. Fejsa foi um verdadeiro exterminador de quaisquer veleidades que o Zenit pudesse ter nesta esta eliminatória, somando totais defensivos que podiam ser divididos por dois colegas e ainda os fazer brilhar (vide infografia), igualando o recorde da desarmes num jogo da Champions 2015/16. Quanto a Gaitán (que só não foi o melhor em campo por… centésimas), mesmo não apresentando a magia de outros tempos, foi instrumental, não só pelo golo e assistência que carimbaram os quartos mas também pela forma como pautou os tempos “encarnados” e atraiu os russos para o erro (quatro das 13 faltas do Zenit foram cometidas sobre o argentino).

Os “russos” Witsel, Maurício, Hulk (além do golo fez quatro passes para ocasião) e posteriormente Shatov não facilitaram, mas o bom desempenho não foi suficiente para travar um Benfica que mostrou uma personalidade finalmente compatível com a habitual ambição europeia do clube.

Nota: Os GoalPoint Ratings resultam de um algoritmo proprietário desenvolvido pela GoalPoint que pondera exclusivamente o desempenho estatístico dos jogadores ao longo da partida, sem intervenção humana. Clique para saber mais.

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