O Benfica está nas meias-finais da Taça de Portugal, onde vai defrontar o surpreendente Tirsense. As “águias” receberam e venceram o Braga por 1-0, num resultado que se ajusta pelas muitas (5) ocasiões flagrantes criadas, mas que acaba por ser escasso pelas que falhou (todas), em especial na primeira parte, altura em que os anfitriões foram bem superiores. Com as substituições o jogo mudou de carisma, partiu, mas não houve mais golos.
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Benfica perde controlo no segundo tempo
Jogo muito interessante no Estádio da Luz, as “águias” no seu novo figurino, com Álvaro Carreras numa espécie de terceiro central, mas depois a desdobrar-se, com Samuel Dahl, em transições rápidas que permitiam aos homens da frente, Pavlidis, Bruma e Aktürkoğlu, deambularem quase sem marcação na frente, complicando a tarefa aos defesas do Braga. Os “encarnados” construíram muitos lances de perigo na primeira parte, três ocasiões flagrantes, atiraram uma bola ao ferro pelo atacante turco e marcaram por Pavlidis, num belo remate à entrada da área.
O início da etapa complementar trouxe novamente mais Benfica, mas aos poucos os minhotos começaram a pegar no jogo, algo que se acentuou a partir dos 66 minutos, quando Lage fez recuar Aursnes para lateral-direito, perdendo as “águias” capacidade de pressionar a meio-campo. O Braga subiu no terreno e passou a mandar nos acontecimentos e até ao fim o jogo partiu-se, com o golo a cheirar junto das duas balizas. Contudo, não surgiu.
[ Benfica mais no meio-campo bracarense ]
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O Jogo em 5 Factos
1. “Águia” mais ameaçadora
O Benfica foi sempre mais perigoso, em especial na primeira parte, altura em que a equipa mostrou frescura, controlo e muita mobilidade na frente de ataque. Foi na etapa inicial que os “encarnados” marcaram e, no final, contabilizaram 2,2 Golos Esperados (xG), ficando a dever um tento à sua contabilidade, enquanto os minhotos não passaram de 0,3.
2. Enorme diferença nas acções na área
Um dos indicadores que melhor demonstra a superioridade ofensiva do Benfica neste jogo é a grande disparidade de acções com bola nas áreas contrárias. Os homens da Luz acumularam 42, contra somente 14 dos “arsenalistas”, uma diferença de 28.
3. Minhotos com perdas em zona perigosa
Este foi um dos problemas do Braga. Os “guerreiros” acumularam 19 perdas de posse no terço defensivo, deixando a sua baliza mais exposta. Os “encarnados” ficaram-se pelas dez.
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4. Benfica com mais bola no último terço
A estatística final mostra que o Braga teve mais posse de bola, cerca de 52%, mas onde interessa, no último terço (o ofensivo), os números invertem-se, e de que maneira. O Benfica terminou com 61% de “field tilt”, ou seja, no terço atacante, algo que se começou a verificar desde muito cedo.
5. Equilíbrio nos duelos
No que à luta dos jogadores diz respeito, e à competência como disputaram os lances, o equilíbrio foi a nota dominante. O Benfica ganhou 65 duelos individuais, contra 63 do Braga.
MVP GoalPoint: Kerem Aktürkoğlu 
“Está a jogar mal”, ouviu-se amiúde. É certo que o turco não está com o fulgor do início da temporada e que terminou este jogo “com os bofes de fora”, como se costuma dizer, mas Kerem fez um grande jogo até perder a “pilha”. Sem qualquer acção para golo, o extremo teve uma nota bem elevada, fruto de um remate aos ferros, duas ocasiões flagrantes criadas em seis passes para finalização (máximo), recebeu 15 passes progressivos (valor mais elevado), acumulou oito acções com bola na área contrária e, não fosse uma ocasião flagrante desperdiçada, e teria registado um rating daqueles…
Outros Ratings 🔺🔻
Destaques do Benfica
Otamendi 6.7
Sempre muito atento e concentrado, o central argentino ganhou dez de 16 duelos individuais, incluindo 11 de sete aéreos, e ainda acumulou seis intercepções, máximo da partida.
Pavlidis 6.4
Apesar do grande desperdício do grego nesta partida (falhou duas ocasiões flagrantes), o atacante voltou a mostrar confiança e uma forma física assinalável. Além do golo que decidiu a eliminatória, Pavlidis foi o mais rematador, com seis disparos, dois enquadrados, criou uma ocasião flagrante e foi o jogador com mais acções na área contrária (9).
António Silva 6.3
O central benfiquista está a atravessar uma boa fase, consistente e sem comprometer. António Silva recuperou cinco vezes a posse de bola e acumulou dez acções defensivas, com destaque para três desarmes e seis alívios.
Aursnes 6.2
A importância do norueguês nota-se em diversos detalhes, incluindo em alterações na equipa, mesmo quando não calha a ele sair (ou entrar). Aos 66 minutos, Bruno Lage fez alterações e desviou Aursnes para a lateral-direita, e esse facto tirou imediatamente à equipa o controlo do jogo. O médio terminou com três dribles completos em quatro tentados, seis desarmes (máximo do encontro) e três acções defensivas no meio-campo contrário. Contudo, somou 18 perdas de posse e foi desarmado três vezes.
Carreras 6.1
O espanhol tem-se adaptado bem às novas funções, de uma espécie de terceiro central que depois se integra nas acções ofensivas. Carreras criou uma ocasião flagrante, somou oito passes progressivos, três desarmes e o máximo de recuperações de posse (7). De negativo os três desarmes sofridos.
Kökçü 6.1
O médio turco não foi tão influente como em outros jogos, mas ainda assim fez dois passes para finalização, nove progressivos e três super progressivos (ambos máximos).
Samuel Dahl 5.9
A nota não exprime a importância táctica do sueco. Dahl é inteligente, sabe posicionar-se, fazer compensações e pisa sempre os terrenos certos. Foi dele a assistência para o golo de Pavlidis e falhou apenas dois de 23 passes.
Destaques do Braga
Lukáš Horníček 7.9
Perante a grande pressão do Benfica, em especial na primeira parte, o guardião checo do Braga teve de se aplicar e acabou por evitar males maiores para a sua equipa, terminando com seis defesas, uma a travar ocasião flagrante.
João Moutinho 5.9
A perder e a necessitar de capacidade de explosão, o treinador do Braga, Carlos Carvalhal, lançou Gharbi aos 57 minutos para o lugar de um João Moutinho que estava a ser um dos mais esclarecidos dos minhotos. O experiente médio ganhou nove de dez duelos individuais, incluindo os três aéreos ofensivos em que participou, e terminou com cinco desarmes e quatro acções defensivas no meio-campo contrário. pecou no passe, com apenas 76% de eficácia.