Benfica 🆚 Portimonense | Águia bate recorde de desperdício 👓

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O Benfica regressou às vitórias na Liga bwin, mas a tarefa não foi fácil. Na recepção ao Portimonense, os “encarnados” ganharam por 1-0, um golo apontado por João Mário de penálti, numa partida que ficou marcada pelo desperdício. É certo que a exibição de Kosuke Nakamura, que bateu o recorde de defesas no campeonato, também ajudou a um resultado tão magro, mas a verdade é que os lisboetas também fixaram o máximo de Expected Goals (xG) desperdiçados por uma equipa num jogo deste campeonato, nada menos que 4,2. A inspiração do nipónico não explica tudo.

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Golo cedo acabou por ser salvador

Sem duas das suas principais peças, Rafa Silva e Enzo Fernández, ainda assim o Benfica pegou rapidamente no jogo, com pressão em zonas muito adiantadas, sem deixar o Portimonense respirar e a trocar a bola bem dentro do meio-campo contrário. O primeiro golo surgiu cedo, aos nove minutos, numa grande penalidade convertida por João Mário a castigar falta de Kosuke Nakamura sobre Gonçalo Ramos. Pouco depois foi Gustavo Klismahn a carregar Alexander Bah na grande área, mas Fredrik Aursnes, chamado a bater o penálti, viu Nakamura defender. E logo a seguir, António Silva cabeceou à barra.

A “águia” continuou a mandar na partida, criou um excelente lance colectivo aos 26 minutos, com Nakamura a negar o golo a João Mário, e nos descontos o guardião nipónico fez o mesmo a Florentino. Só dava Benfica, que chegou ao descanso com 12 remates, cinco à baliza e uns incríveis 3,7 Expected Goals (xG). O melhor ao descanso era Gonçalo Ramos, com um GoalPoint Rating de 6.5, graças ao máximo de remates (4), mais uma ocasião flagrante criada, um passe de ruptura, sete acções com bola na área algarvia (máximo) e um penálti sofrido. A ocasião flagrante falhada afectava-lhe a nota.

 

Pouco mudou no segundo tempo e, em cima dos 60 minutos, Gonçalo Ramos perdeu mais uma excelente ocasião, cabeceando ao lado. As ocasiões continuavam a suceder-se, com Nakamura a mostrar-se uma barreira intransponível, e aos 76 minutos, Aursnes atirou ao ferro. Nesta fase os “encarnados” tinham já 22 remates, dez enquadrados, contra apenas um disparo, sem direcção, dos visitantes.

As “águias” mostravam uma grande facilidade na circulação de bola, mas ainda se nota alguma lentidão de movimentos em alguns jogadores, bem como uma ineficácia absoluta no ataque. O Benfica terminou o jogo com impressionantes 5,2 xG, valor máximo de uma equipa num jogo da Liga bwin e das Ligas Top 5, mas este foi também o encontro em que uma formação apresentou pior eficácia neste aspecto, com o Benfica a desperdiçar 4,2 xG, sendo que apenas 0,79 foram referentes ao penálti falhado.

[ O Portimonense quase não passou do seu meio-campo ]

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MVP GoalPoint: Kosuke Nakamura 👑

Noite para mais tarde recordar por parte do japonês. O guardião do Portimonense fez uma exibição portentosa, fixando nesta 15ª jornada o máximo de defesas numa partida desta Liga. Foram nada menos que 11, nove a remates na sua grande área, evitando, à sua conta, 3,1 golos (defesas – xSaves), em grande parte porque travou uma grande penalidade. O seu GoalPoint Rating de 9.0 poderia ter sido bem maior, não fosse ter cometido penálti, o tal que deu o 1-0.  

Outros Ratings 🔺🔻

Destaques do Benfica

João Mário 7.5

Exibição superior do médio luso. Além do golo que marcou, de grande penalidade, João Mário enquadrou os seus dois remates, criou duas ocasiões flagrantes em três passes para finalização, teve eficácia em dois de três cruzamentos, fez sete passes progressivos e recebeu outros nove e integrou-se muito bem na área contrária, com seis acções com bola nesta zona do terreno.

Alexander Bah 7.3

O Benfica carrilou muito jogo pelo flanco direito e Bah foi muito importante nesse aspecto, combinando na perfeição com João Mário. O dinamarquês criou uma ocasião flagrante em três passes para finalização, teve eficácia em três de seis cruzamentos de bola corrida e registou três acções defensivas no meio-campo contrário e três bloqueios de passe/cruzamento.

Grimaldo 6.9

Muito activo a levar a equipa para a frente pelo flanco canhoto, criando uma ocasião flagrante em quatro passes para finalização (máximo). Esteve também muito bem no cruzamento, três eficazes em quatro de bola corrida, e falhou apenas quatro de 48 passes. 

Chiquinho 6.8

Belo jogo do médio, esta sexta-feira titular no lugar de Enzo. Acabou por sair lesionado já na recta final do encontro, mas deu critério ao futebol benfiquista, com três passes para finalização, 90% de eficácia nas entregas, seis passes longos certos em nove, sete passes progressivos realizados, três variações de flanco e outros tantos desarmes.

Florentino 6.8

O “polvo” está de volta, após um jogo “anémico” em Braga. O médio-defensivo somou o máximo de acções com bola no jogo, nada menos que 106, também o valor mais alto de recuperações de posse (10) e somou quatro desarmes (máximo) e três intercepções. Esteve muito rematador, com quatro disparos, mas falhou uma ocasião flagrante.

António Silva 6.6

O jovem central regressou aos bons jogos. Além de ter realizado um remate à barra, completou 73 de 77 passes (95%), fez nove progressivos (máximo) e oito recuperações de posse. 

Gonçalo Ramos 6.2

Jogo agridoce para Gonçalo Ramos. Começou por sofrer falta para grande penalidade e foi, de longe, o jogador com mais remates (8) e mais enquadrados (4), criou uma ocasião flagrante e fez um passe de ruptura, e contabilizou o número mais elevado de acções com bola na área contrária (12). Porém, acabou por estar desinspirado no ataque, desperdiçando quatro ocasiões flagrantes.

Draxler 5.9

A espaços vislumbrou-se um pouco da qualidade do alemão. Draxler acabou por ter um jogo positivo, em especial pelos três passes para finalização e os sete ofensivos valiosos (segundo valor mais alto), e só desperdiçou três de 45 entregas. 

Destaques do Portimonense

Filipe Relvas 6.5

O jovem central de 23 anos foi o mais consistente dos jogadores de campo e lidou muito bem com a avalancha defensiva “encarnada”. Ao todo somou 12 acções defensivas, com destaque para quatro intercepções (máximo com Diaby) e outros tantos alívios.

Mohamed Diaby 6.0

A grande capacidade física do médio francês ajudou-o a fazer seis recuperações de posse, quatro intercepções e seis alívios. E ainda fez uma condução super progressiva.

Paulo Estrela 5.7

Ao seu lado teve outro jogador que se entregou ao trabalho e terminou com três acções defensivas no meio-campo contrário, outros tantos desarmes e também três intercepções.

Pedro Tudela
Pedro Tudela
Profissional freelancer com mais de duas décadas de carreira no jornalismo desportivo, colaborou, entre outros media nacionais, com A Bola e o UEFA.com.